A pesquisa Nexus, divulgada na segunda-feira, 29 de junho de 2026, e financiada pelo banco BTG Pactual, colocou o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) como o pré-candidato à Presidência da República com a maior rejeição entre os nomes avaliados para a disputa de 2026. Entre os entrevistados, 60% afirmaram que não votariam no tucano de jeito nenhum. Logo atrás aparecem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 51%, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 49%.
O levantamento ouviu 2.009 pessoas entre os dias 26 e 28 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08521/2026. O estudo custou R$ 164.888,89 e foi pago pelo Banco BTG Pactual.
A cobertura de centro, feita por veículos especializados em pesquisas eleitorais, tratou os dados de forma técnica: apresentou os percentuais, a metodologia, as datas de campo e disponibilizou a íntegra do levantamento, sem atribuir juízo de valor aos números. O foco recaiu sobre a transparência metodológica e o registro oficial junto à Justiça Eleitoral.
Veículos de direita enfatizaram que o presidente Lula, mesmo ocupando o Planalto, carrega 49% de rejeição, um indicador que leem como desgaste do governo. Também destacaram a queda do antigo tucanato, simbolizada pelo recorde de rejeição de Aécio Neves, e o atrito dentro do campo conservador, evidenciado pelo vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro.
Numa leitura de esquerda, os mesmos dados reforçariam o desgaste de figuras associadas ao bolsonarismo e ao histórico do PSDB, já que Aécio e Flávio aparecem à frente de Lula na rejeição. Essa leitura também chamaria atenção para o financiamento da pesquisa por um grande banco e para o momento do campo, realizado em meio à repercussão de uma operação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master, que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), levando-o a deixar a liderança do governo no Senado.
Há convergência entre os lados sobre os fatos centrais: os números da pesquisa, a metodologia e o contexto político em que as entrevistas foram feitas. A divergência está na ênfase: a direita destaca o desgaste do governo Lula, enquanto uma leitura de esquerda ressalta a rejeição mais alta a nomes da oposição e o peso do contexto desfavorável ao governo no período de campo.
O que ainda não se sabe é como esses índices de rejeição se traduzirão em intenção de voto efetiva à medida que o calendário eleitoral avança, nem se os pré-candidatos avaliados de fato disputarão a Presidência. A pesquisa mede rejeição, não a preferência declarada, e os percentuais podem oscilar conforme novos fatos políticos surgirem ao longo da campanha.