Dois institutos divulgaram, entre a noite de 7 e a manhã de 8 de setembro de 2026, novas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, e as duas apontam a mesma moldura: Lula, do PT, lidera o primeiro turno, e a disputa contra Flávio Bolsonaro, do PL, no segundo turno está dentro da margem de erro. Um dos levantamentos ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios, entre 3 e 6 de setembro. O outro, feito em parceria com o banco BTG Pactual, entrevistou 2.000 pessoas entre 4 e 7 de setembro. As duas sondagens têm margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral.
No cenário estimulado de primeiro turno, o primeiro instituto registra Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 29%, seguidos pelo escritor Augusto Cury, do Avante, com 8%, e por Renan Santos, do Missão, Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo, empatados na faixa de 2% a 3%. O segundo instituto traz Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34%, com Cury em 9% e Caiado e Santos em 4%. No confronto direto entre os dois primeiros colocados, um levantamento aponta 41% para cada um, e o outro mostra 46% para o senador contra 45% para o presidente, primeira vez em que ele aparece numericamente à frente naquela série. Em todos esses casos, a diferença cabe dentro da margem de erro.
A cobertura de centro tratou o conjunto como uma leitura de série histórica: apresentou os cinco cenários de segundo turno com as rodadas anteriores, marcou os empates técnicos um a um e acrescentou a avaliação do governo, mostrando que a aprovação do trabalho de Lula caiu de 46% para 43% desde a primeira quinzena de agosto, enquanto a desaprovação subiu para 50%. Veículos de direita abriram a cobertura pelo ineditismo do resultado do segundo turno, com ênfase no fato de o candidato de oposição ter superado numericamente o presidente pela primeira vez, e destacaram também a vantagem numérica de Augusto Cury sobre Lula, de 45% a 43%, no mesmo levantamento. Veículos de esquerda não publicaram análise própria no conjunto examinado; a leitura provável desse campo enfatizaria que a liderança do presidente no primeiro turno se manteve, que diferenças dentro da margem de erro não descrevem virada e que uma das pesquisas foi contratada por um banco de investimento.
Os dois institutos convergem no essencial e divergem em pontos concretos. A maior distância aparece no cenário entre Lula e Augusto Cury: em um levantamento o presidente tem 39% contra 35% do escritor, e no outro a relação se inverte, com 45% para Cury e 43% para Lula. Também há diferença no tamanho da vantagem do presidente diante de Romeu Zema, de 44% a 33% em um caso e de 47% a 40% no outro. A parcela de eleitores que declara voto branco, nulo ou ausência de escolha varia de 8% a 21% conforme o cenário, faixa larga o suficiente para mudar o desfecho de qualquer simulação.
O que ainda não se sabe é decisivo. O Tribunal Superior Eleitoral tem até 14 de setembro para julgar os registros dos presidenciáveis, e Pablo Marçal, do PRTB, está inelegível e registrou candidatura de forma provisória, de modo que os cenários testados com o nome dele podem perder validade. Nenhum dos levantamentos explica o que provocou a queda da aprovação do governo, e nenhum descreve o método de coleta das entrevistas ou a distribuição da amostra por região, informação que ajudaria a comparar os dois resultados. Também não há, até agora, cobertura que confronte diretamente os números dos dois institutos, o que deixa em aberto se a diferença entre eles é ruído amostral ou efeito de metodologias distintas.