O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, deu início à sua campanha eleitoral no domingo, 16 de agosto de 2026, em Montes Claros, no norte do Estado. A primeira agenda foi uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, seguida de entrevista à imprensa, na qual o candidato apresentou os eixos que pretende levar à disputa nacional: a atração de investimentos, a relação com o setor produtivo e a crítica à política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
A cobertura de centro relatou a agenda em ordem cronológica e registrou que a escolha de Montes Claros partiu do próprio candidato, admirador de Humberto Souto, ex-prefeito da cidade e ex-deputado que representou a região e morreu em fevereiro de 2025. Nesse relato, Zema usa a experiência à frente do governo mineiro como principal credencial e atribui à burocracia parte das dificuldades de quem empreende. Foi ali que ele afirmou: 'Fui o governador que mais andou pelo mundo e pelo Brasil em busca de investimentos'.
Veículos de direita deram peso maior ao trecho em que o candidato ataca a diplomacia do governo federal. Nessa cobertura, Zema diz que o Brasil está tratando mal seus parceiros, 'a começar pelos Estados Unidos', questiona a discussão sobre substituir o dólar por outras moedas e critica a aproximação com Cuba, Irã e Venezuela, associando essa escolha ao desgaste que resultou em sanções. Aparece também, sem contraditório, a frase de que o Estado brasileiro 'complica e maltrata a vida de quem trabalha'.
Os dois enquadramentos convergem no fato central da entrevista. Questionado sobre a possibilidade de aliança entre os candidatos de direita, Zema afirmou que estará no segundo turno e comparou o cenário brasileiro ao chileno: 'Estarei no segundo turno e, tal como aconteceu no Chile, toda a direita vai estar unida'. Acrescentou que, caso não avance, votará em qualquer nome que enfrente o PT na etapa final, e repetiu a fórmula que imagina para o campo, com diversos candidatos concorrendo no primeiro turno e trabalhando juntos no segundo.
Até o fechamento desta análise, nenhum veículo de esquerda havia publicado cobertura própria do lançamento, de modo que o evento chegou ao leitor apenas pelo relato factual de centro e pela ênfase de direita. Uma leitura à esquerda dos mesmos fatos tenderia a cobrar números que sustentem a promessa de atração de investimentos, a questionar a definição do Estado como entrave a quem trabalha e a apontar a ausência de programa social explícito num discurso organizado em torno do veto ao PT.
O que ainda não se sabe é o essencial da estratégia anunciada. Não há acordo formal entre os candidatos de direita, nem manifestação dos demais nomes do campo sobre a hipótese de convergência no segundo turno. Também não foram apresentados dados da gestão mineira citada pelo candidato, não há pesquisas de intenção de voto que situem a candidatura no cenário atual, e o governo federal e o PT não responderam às críticas sobre política externa dentro do material analisado.