Romeu Zema abre campanha em Montes Claros com aposta na união da direita
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O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Partido Novo, iniciou a campanha eleitoral no domingo, 16 de agosto, em Montes Claros, no norte mineiro. A agenda começou com missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José e seguiu com ato político, caminhada e almoço com lideranças. No mesmo dia, ele publicou nas redes sociais um vídeo feito com inteligência artificial, sinalizado como tal, em que um avião de papel chega a um personagem com traços associados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva levando a mensagem "Lugar de intocável é na cadeia". Em entrevista, Zema afirmou que estará no segundo turno e que a direita se unirá, como no Chile, e disse que votará em qualquer nome que enfrente o Partido dos Trabalhadores. Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, ele aparecia com 2% das intenções de voto e 47% do eleitorado dizia não conhecê-lo.
Romeu Zema abriu a campanha presidencial pelo Partido Novo com a credencial que considera mais forte: a gestão de Minas Gerais e a relação direta com quem produz. "Fui o governador que mais andou pelo mundo e pelo Brasil em busca de investimentos", disse, ao afirmar que sentiu na pele como o Estado brasileiro complica a vida de quem trabalha.
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7 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
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Todas as coberturas registram os mesmos fatos: a campanha começou em Montes Claros no dia 16 de agosto, com missa e ato político; o vídeo de estreia foi feito com inteligência artificial e provoca o presidente Lula; e o candidato declarou que estará no segundo turno e que apoiará qualquer nome que enfrente o Partido dos Trabalhadores. Não há disputa factual sobre o que foi dito ou feito.
O candidato do Partido Novo à Presidência começou a campanha em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, com missa, ato político e um vídeo gerado por inteligência artificial provocando o presidente Lula. Com 2% das intenções de voto e sem horário eleitoral gratuito, Zema aposta em redes sociais e na promessa de união da direita no segundo turno.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, abriu sua campanha eleitoral no domingo, 16 de agosto, em Montes Claros, no norte mineiro. A primeira agenda foi uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, seguida de ato político na Praça da Matriz, caminhada até o Mercado Municipal e almoço com lideranças locais. A escolha da cidade, segundo a equipe do candidato, partiu dele próprio: Montes Claros tem 437 mil habitantes, foi um dos municípios que mais se desenvolveram durante sua gestão estadual e lhe deu 56% dos votos em 2022. Zema chegou acompanhado do candidato a deputado federal Marcus Vinicius. O governador Mateus Simões, seu afilhado político e candidato à reeleição, cumpriu agenda separada em Nova Lima.
No mesmo dia, o candidato estreou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial, sinalizado como tal conforme exigem as regras eleitorais. Na peça, ele monta e lança um avião de papel que cruza o país até pousar diante de um personagem com barba e chapéu, com traços associados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lê a mensagem "Lugar de intocável é na cadeia. Tô chegando" e amassa o papel. O verso traz o nome do candidato a vice, Eduardo Girão, e o número de campanha. "Intocáveis" é o termo que Zema vem usando há meses em vídeos contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
A cobertura de centro relatou o evento com o contexto que dimensiona a candidatura: na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, Zema aparecia com 2% das intenções de voto e 47% do eleitorado afirmava não conhecê-lo. Sem direito a horário eleitoral gratuito, sua estratégia se apoia em redes sociais, entrevistas e debates. Veículos de centro também detalharam a mecânica do vídeo com o cuidado de dizer que o personagem apenas remete ao presidente, e destacaram a exigência regulatória de rotular conteúdo gerado por inteligência artificial.
Veículos de direita enfatizaram outra face do mesmo dia: a entrevista à imprensa depois da missa. Ali, o candidato apresentou a gestão mineira como credencial. "Fui o governador que mais andou pelo mundo e pelo Brasil em busca de investimentos", afirmou, e completou que sabe conversar com o empresário porque já sentiu na pele como o Estado brasileiro complica a vida de quem trabalha. Nessa cobertura, ganhou espaço a crítica à política externa do governo atual, acusada de tratar mal os Estados Unidos, questionar o dólar como moeda e se aproximar de Cuba, Irã e Venezuela. Sobre o segundo turno, Zema disse: "Estarei no segundo turno e, tal como aconteceu no Chile, toda a direita vai estar unida". Acrescentou que, se não chegar lá, votará em qualquer nome que enfrente o Partido dos Trabalhadores.
A divergência entre as coberturas está menos no tom do que na seleção do que merece checagem. A cobertura de centro ancorou a candidatura em número de pesquisa e em regra eleitoral; a cobertura de direita reproduziu as alegações sobre política externa e a analogia com o Chile sem contraponto ou verificação. Já veículos de esquerda não cobriram o lançamento no conjunto analisado, o que configura um ponto cego: a leitura que costuma partir desse campo, sobre o efeito de um programa de Estado mínimo nas políticas sociais e sobre o ataque a ministros do Supremo Tribunal Federal em plena campanha, não aparece em nenhuma das matérias reunidas.
Uma reportagem de análise publicada dias depois ajuda a situar o candidato. Nela, Zema se define como de direita: conservador, defensor da liberdade econômica, do empreendedorismo e de um Estado enxuto que enfrente privilégios. O cientista político Marco Antônio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, o classifica numa direita moderada cujo eixo é econômico, com defesa de Estado mínimo e privatizações, e observa que o discurso fica confuso quando o tema é política social, o que atribui à curta trajetória do candidato em cargos eletivos. O Partido Novo também se declarou de direita em levantamento com as 30 siglas registradas no Tribunal Superior Eleitoral.
O que ainda não se sabe: nenhuma das reportagens traz propostas detalhadas de governo, resposta do Partido dos Trabalhadores ou do Palácio do Planalto às provocações, nem qualquer sinal concreto de que os demais candidatos de direita, entre eles Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, aceitem a coordenação de segundo turno que Zema descreve como certa.
Candidato do Novo abriu a campanha em Montes Claros e apresentou propostas para segurança, política externa e combate à corrupção.

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