A Policia Federal deflagrou na quinta-feira, 2 de julho de 2026, a 5a fase da Operacao Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado a cupula do jogo do bicho no Rio de Janeiro e suas possiveis conexoes com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do estado. No centro da nova etapa esta uma lista de politicos, com nomes associados a valores, encontrada em material apreendido com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como chefe da chamada Mafia do Cigarro. Entre os nomes citados aparece o do ex-governador Claudio Castro, do PL.
Segundo a apuracao que partiu do blog de Octavio Guedes no G1 e foi confirmada por outros veiculos, o documento menciona uma suposta doacao de R$ 3,2 milhoes destinada a campanha de reeleicao de Castro em 2022. E importante o registro, feito por praticamente toda a cobertura, de que o ex-governador nao e alvo de nenhum mandado nesta fase da operacao: seu nome apenas consta da lista, e a Policia Federal afirma que ainda aprofunda a analise do material apreendido antes de decidir sobre eventuais desdobramentos.
A acao foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que expediu mandados de prisao contra o proprio Adilsinho e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, ambos ja presos, alem do pastor e empresario Marcio Poncio, detido na Barra da Tijuca. Moraes tambem ordenou o sequestro de bens e valores de ate R$ 22 milhoes. A PF sustenta que a nova fase nasceu da analise de planilhas apreendidas com o contraventor, que indicariam pagamentos indevidos, doacoes eleitorais e uma contabilidade paralela usada para ocultar recursos ilicitos.
Ha pontos em que os tres campos da cobertura convergem: o fato da operacao, os mandados, a decisao de Moraes e a mencao do nome de Castro na lista. A partir dai, as enfases divergem. Veiculos de esquerda, como o ICL Noticias, destacaram a logica da 'mesada' paga a politicos e enquadraram o caso como mais um sinal da captura do poder publico estadual por interesses criminosos, associando-o ao historico de Castro, ja investigado por relacoes com o Banco Master e o Grupo Refit; esses veiculos tambem relembraram a retirada do PSOL do comando de comissoes na Alerj pela base do ex-governador, lida como retaliacao a oposicao. A cobertura de centro, de Folhapress, G1 e Correio Braziliense, relatou os fatos com ressalvas explicitas: tratou a hipotese de caixa dois como suspeita ainda sob analise, registrou que a defesa de Castro foi procurada e nao se manifestou, e que a defesa de Adilsinho nega pagamentos indevidos. Numa leitura pela chave da direita, ganha peso justamente o fato de que Castro nao foi acusado formalmente, de que a mencao surgiu por vazamento a imprensa antes de qualquer imputacao, e de que as medidas partem de decisao monocratica concentrada em Alexandre de Moraes.
O episodio se soma a uma trajetoria ja conturbada do ex-governador, que governou o Rio de 2021 a 2026, renunciou um dia antes de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que poderia cassar seu mandato, foi condenado por abuso de poder politico e economico no pleito de 2022 e esta inelegivel. Ele nega as suspeitas anteriores.
O que ainda nao se sabe e o essencial: a Policia Federal nao identificou oficialmente todos os nomes da lista, nao confirmou a autenticidade nem o efetivo pagamento dos valores anotados, e nao ha, ate agora, imputacao formal contra Castro. Resta em aberto se a hipotese de caixa dois de campanha se sustentara e quais serao os proximos desdobramentos da investigacao.