A Polícia Federal encontrou listas atribuídas ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como chefe da máfia do cigarro no Rio de Janeiro, contendo nomes de pelo menos 25 políticos associados a valores financeiros. Entre eles aparece o ex-governador Cláudio Castro (PL). A informação foi revelada inicialmente pela coluna de Octavio Guedes, no G1, e confirmada pelos demais veículos. Segundo a apuração, o documento menciona uma suposta doação de R$ 3,2 milhões destinada à campanha de reeleição de Castro em 2022. O material foi apreendido durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na manhã de quinta-feira, 2 de julho de 2026.
A nova etapa cumpriu mandados expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Foram três mandados de prisão preventiva, contra o próprio Adilsinho, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, e o pastor e empresário do ramo do tabaco Márcio Poncio, pai da deputada Sarah Poncio. Adilsinho e Bacellar já estavam presos por desdobramentos anteriores. Além dos mandados de prisão, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e Moraes ordenou o bloqueio de bens e valores de até 22 milhões de reais. Os investigadores apuram suspeitas de caixa dois de campanha e de lavagem de dinheiro ligada à cúpula do novo jogo do bicho, com possível ramificação em integrantes do Executivo e do Legislativo fluminense. É ponto pacífico em toda a cobertura que Cláudio Castro não é alvo de nenhum mandado nesta fase.
A cobertura de centro, de veículos como Folhapress, Correio Braziliense e o próprio G1, tratou o tema de forma factual, atribuindo as informações à Polícia Federal e ao STF e registrando que a apuração ainda está em curso para analisar o contexto dos possíveis repasses. Esses veículos deram destaque à nota da defesa de Castro, que afirmou ser mentirosa qualquer ilação de que ele tenha recebido pagamento, doação ilegal ou vantagem indevida, e sustentou que a campanha de 2022 foi regularmente declarada à Justiça Eleitoral. A defesa de Adilsinho, por sua vez, negou que ele tenha feito pagamentos indevidos a agentes públicos.
O veículo de esquerda ICL Notícias enfatizou o ângulo da suposta 'mesada' paga pela contravenção a políticos e o entrelaçamento entre o crime organizado e o poder público do Rio, destacando o histórico de Castro, cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder econômico e político no pleito de 2022, e a leitura de que a base do ex-governador teria retaliado a oposição na Alerj. Já a leitura de direita, ancorada na manifestação da defesa, enfatiza a presunção de inocência: a simples citação de um nome em anotação produzida por terceiro não comprova recebimento de valores nem irregularidade eleitoral, e o fato de os demais nomes permanecerem sob sigilo abre espaço para questionar vazamentos seletivos de uma investigação conduzida sob a relatoria de Moraes.
O que ainda não se sabe é decisivo para o caso. A Polícia Federal não divulgou oficialmente os nomes dos demais políticos citados, que seguem sob segredo de Justiça, e ainda aprofunda a análise do material apreendido antes de decidir sobre eventuais desdobramentos. Não há, até o momento, imputação formal contra Cláudio Castro relacionada aos fatos noticiados, e permanece em aberto se as anotações se confirmarão como doações eleitorais irregulares, caixa dois ou registros sem lastro em pagamentos efetivos.