Tarcísio nega a Haddad ter pedido a taxa das blusinhas na disputa por São Paulo
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
- MetrópolesTarcísio rebate fala de Haddad sobre presença de traficante em palcoGoverno estadual enviou foto para contestar acusação de Haddad, mostrando petista e irmã de liderança do PCC em palco(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- CNN BrasilTarcísio rebate Haddad e diz à CNN não ter pedido "taxa das blusinhas""Quem pode me defender é o presidente Lula", disse o governador(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- A cobrança em disputa é de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares, valor que recai sobre o consumidor final.
- Está em jogo também a cobrança de ICMS estadual sobre encomendas vindas do exterior, tributo distinto do imposto federal de importação.
- O tema define parte do enquadramento da campanha ao governo de São Paulo, ao lado da agenda de segurança pública.
Onde os lados divergem
- Sobre a autoria: veículos de direita destacaram a versão de que Fernando Haddad tenta repassar a responsabilidade ao Congresso e ao varejo; a cobertura de centro registrou a negativa de Tarcísio de Freitas de ter pedido a cobrança e o argumento de que o presidente Lula poderia ter vetado o dispositivo.
- Sobre o episódio do palco: a acusação foi tratada como fato pela campanha do governador, enquanto a apuração de centro mostrou que os vídeos não registram interação entre as pessoas citadas.
Onde os lados concordam
As duas coberturas registram que a cobrança extra de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares foi inserida como emenda no projeto do Programa Mobilidade Verde e Inovação em 2024 e que a lei foi sancionada. Também há convergência de que a discussão voltou ao debate público por causa da disputa pelo governo de São Paulo.
O que ainda está incerto
- Não há registro público da reunião de governadores no Ministério da Fazenda citada por Fernando Haddad, nem lista de participantes.
- Não se sabe se algum estado chegou a operacionalizar a cobrança de ICMS sobre encomendas por meio dos Correios.
- Não foi esclarecido quem respondia pela lista de convidados do evento de junho de 2025 citado no debate.
A disputa pelo governo de São Paulo passou a girar em torno de quem criou a taxa das blusinhas. Tarcísio de Freitas nega ter procurado o Ministério da Fazenda para viabilizar a cobrança sobre compras internacionais, enquanto Fernando Haddad atribui a medida ao Congresso Nacional e a um pedido do varejo nacional. A análise mostra como cada lado da cobertura contou o episódio.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em entrevista concedida na noite de 12 de agosto de 2026 que nunca procurou o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), para pedir ajuda na cobrança de ICMS sobre compras internacionais, a chamada taxa das blusinhas. "Isso nunca aconteceu", disse o governador, que acrescentou: "Quem pode me defender é o presidente Lula" e "Você nunca vai me ver falando com ninguém para aumentar imposto, só para diminuir". A fala responde diretamente a Haddad, hoje candidato do Partido dos Trabalhadores ao governo paulista, que havia citado Tarcísio entre os governadores que procuraram o Ministério da Fazenda para viabilizar, por meio dos Correios, a cobrança estadual sobre encomendas vindas do exterior.
O pano de fundo é uma cobrança criada em 2024. Segundo Haddad, a taxa federal sobre compras internacionais foi introduzida pelo Congresso Nacional como emenda no projeto que regulamentou o Programa Mobilidade Verde e Inovação, estabelecendo cobrança extra de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares. "O presidente Lula não queria cobrar a federal. Quem introduziu foi o Congresso Nacional", afirmou o ex-ministro, que descreveu a medida como resposta a um pedido do varejo nacional para equilibrar a concorrência entre a loja física e o produto importado, e não como iniciativa arrecadatória. Tarcísio, por sua vez, separou os dois tributos: o ICMS estadual sobre encomendas, segundo ele anterior, e a elevação do imposto de importação prevista na lei 14.902, que o governo teria pretendido fixar em 60% antes de o Congresso reduzir para 20%. O governador cobrou ainda que o presidente Lula tivesse vetado o dispositivo, como fez com a restrição às saídas temporárias de presos.
Os dois lados convergem em alguns pontos verificáveis. Ninguém contesta que a cobrança extra sobre compras de baixo valor foi inserida no texto que tratava do programa de mobilidade verde, que a alíquota final ficou em 20% e que a lei foi sancionada. Também não há divergência sobre o fato de a discussão ter voltado ao centro do debate por causa da disputa pelo governo de São Paulo, cujo primeiro confronto direto entre os candidatos ocorreu em 9 de agosto de 2026. O que está em disputa é a autoria política da medida e o teor de conversas entre governadores e o Ministério da Fazenda, sem que qualquer registro dessas reuniões tenha sido apresentado publicamente até agora por nenhum dos lados.
A mesma campanha produziu um segundo atrito. No debate, Tarcísio afirmou que Haddad dividiu palco com uma liderança do tráfico da Favela do Moinho. Haddad reagiu perguntando por que, se havia essa informação, a pessoa não foi presa, e depois acusou o governador de mentir. A campanha do governador enviou à imprensa fotos de um evento de junho de 2025 em que o ex-ministro aparece ao fundo do palco ao mesmo tempo que Alessandra Moja Cunha, irmã de uma liderança do Primeiro Comando da Capital. Vídeos da transmissão consultados pela reportagem que checou o material não registram interação entre os dois: no trecho em que ambos aparecem, Haddad conversa com o vice de sua chapa, o ex-governador Márcio França (PSB). Alessandra foi alvo da Operação Sharpe, do Ministério Público de São Paulo com as polícias Militar e Civil, cerca de três meses depois daquele evento.
A cobertura se dividiu na ênfase. Veículos de direita destacaram a fala de Haddad como tentativa de repassar a responsabilidade da taxa ao Congresso e ao varejo, reproduzindo a declaração sem contraditório e sem lembrar que a lei foi sancionada sem veto ao dispositivo. A cobertura de centro tratou o caso de duas formas distintas: uma linha registrou a negativa de Tarcísio e o detalhamento técnico sobre as duas cobranças, com citação direta e referência legal; outra apurou o episódio do palco, checou fotos e vídeos e delimitou com precisão o que o material mostra e o que não mostra. Até o fechamento desta análise, não havia cobertura de veículos de esquerda no conjunto de fontes reunido, de modo que a leitura que enfatizaria a proteção do varejo nacional e dos empregos formais aparece apenas de forma indireta, pela citação da justificativa apresentada pelo próprio ex-ministro.
Permanecem em aberto pontos centrais. Não há documento público que confirme ou desminta a reunião de governadores no Ministério da Fazenda citada por Haddad, nem lista de participantes.
Fontes

Candidato ao governo de São Paulo disse que o tema foi "introduzido" pelo Congresso

Governo estadual enviou foto para contestar acusação de Haddad, mostrando petista e irmã de liderança do PCC em palco

"Quem pode me defender é o presidente Lula", disse o governador