Ricardo Salles desiste do Senado em São Paulo após receber R$ 3,6 milhões do Novo
2 veículos de centro · 3 veículos de direita
Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
5 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Veículos com viés ao centro
- UOLCandidatos ao Senado por SP em 2026: veja lista atualizada após desistência de SallesCandidatos ao Senado por SP em 2026: veja lista atualizada após desistência de Salles BOL(abre em nova aba)
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- UOLRicardo Salles desiste do Senado após receber R$ 3 milhões de verba públicaRicardo Salles desiste do Senado após receber R$ 3 milhões de verba pública UOL Notícias(abre em nova aba)
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Veículos com viés à direita
- VejaO reforço de Soninha a Tebet após a desistência de Salles em São PauloCandidata do Cidadania pede 'segundo voto' na ex-ministra do Planejamento, que usa o movimento para atacar a adesão de adversários ao Centrão(abre em nova aba)
Nesta matéria: viés de centro.
- O Estado de S.PauloNovo não vê problema em desistência de Salles ao Senado após mandar R$ 3,6 milhões à campanhaPartido considera ‘recuo estratégico’ a desistência de Ricardo Salles na eleição ao Senado em São Paulo(abre em nova aba)
Nesta matéria: viés de centro.
- Gazeta do PovoDesistência de Salles de concorrer ao Senado gera elogios e críticasA desistência do deputado federal Ricardo Salles de concorrer teve repercussões no meio político, com aliados elogiando e rivais criticando.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Briefing
O que importa para você
- São Paulo elege duas vagas ao Senado, e a saída de Ricardo Salles concentra o voto da direita em André do Prado e Guilherme Derrite.
- R$ 3,6 milhões dos fundos partidário e eleitoral, ou seja, dinheiro público, foram aplicados numa candidatura encerrada antes da votação.
- Marina Silva e Simone Tebet lideravam com 15% e 14%, e a redistribuição dos 4% de Salles pode decidir a segunda cadeira.
- É a primeira eleição geral em que o Novo utiliza verba pública de campanha.
Onde os lados divergem
- A cobertura de direita trata a retirada como gesto de grandeza e ato de união do campo conservador, e fecha o texto com os agradecimentos dos beneficiários.
- A cobertura de centro desloca o eixo para o dinheiro: quantifica os R$ 3,6 milhões repassados pelo Novo e apresenta a decisão como recuo estratégico calculado para evitar a pecha de ter ajudado a esquerda.
- As críticas do campo progressista aparecem apenas reproduzidas em falas, sem cobertura própria: desrespeito ao eleitor, na formulação de Marina Silva, e adesão ao Centrão, na de Simone Tebet.
Onde os lados concordam
Toda a cobertura registra os mesmos fatos centrais: Ricardo Salles retirou a candidatura ao Senado por São Paulo em 28 de setembro, em ato ao lado de Tarcísio de Freitas, e passou a apoiar André do Prado e Guilherme Derrite. Também há convergência sobre a posição dele na última pesquisa Datafolha, em quinto lugar com 4%, e sobre o empate técnico na liderança entre Marina Silva, Simone Tebet, André do Prado e Guilherme Derrite.
O que ainda está incerto
- Não há informação sobre o destino do saldo dos R$ 3,6 milhões nem sobre eventual devolução de recursos públicos.
- Ricardo Salles não respondeu publicamente às acusações de desrespeito ao eleitorado.
- Nenhuma pesquisa posterior ao anúncio mostra como os 4% dele se redistribuem entre os demais candidatos.
Ricardo Salles deixou a disputa pelo Senado em São Paulo no dia 28 de setembro e passou a apoiar André do Prado e Guilherme Derrite, os candidatos do governador Tarcísio de Freitas. A campanha abandonada havia recebido R$ 3,6 milhões do partido Novo, em recursos de fundo público, e as reações se dividiram entre o elogio ao gesto e a acusação de desrespeito ao eleitor.
O deputado federal Ricardo Salles (Novo) anunciou em 28 de setembro de 2026 a retirada de sua candidatura ao Senado por São Paulo e passou a apoiar André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), os dois nomes endossados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O anúncio foi feito em ato conjunto com o governador e com os dois candidatos até então adversários, encerrando uma semana de negociações dentro do partido.
A decisão veio depois de o Novo ter repassado R$ 3,6 milhões à campanha de Salles, sendo R$ 3,1 milhões do diretório nacional e R$ 500 mil do diretório estadual. Foi o segundo maior aporte da sigla nesta eleição, atrás apenas dos R$ 5 milhões destinados ao presidenciável Romeu Zema. Trata-se também da primeira eleição geral em que o Novo recorre a verba pública dos fundos partidário e eleitoral.
A cobertura de centro concentrou-se no número e no cálculo político por trás dele. Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, com 1.610 entrevistados ouvidos entre os dias 22 e 23 e margem de erro de dois pontos percentuais, Salles aparecia em quinto lugar no cenário estimulado, com 4% das intenções de voto. À frente dele havia um empate técnico entre Marina Silva (Rede), com 15%, Simone Tebet (PSB), com 14%, André do Prado, com 12%, e Guilherme Derrite, com 12%. A leitura da cúpula partidária, registrada como recuo estratégico, foi a de que manter a candidatura arriscava deixar o Novo com a pecha de ter dividido o voto conservador e facilitado a vitória da esquerda nas duas vagas em disputa. Essa mesma cobertura lembrou que, cinco dias antes, em debate realizado em 23 de setembro, André do Prado havia sido um dos principais alvos de Salles, e que o deputado deixou o PL para se filiar ao Novo em 2024 justamente porque seus planos para o Senado não foram encampados pela legenda anterior.
Veículos de direita enfatizaram o gesto e a reorganização do palanque. A retirada foi apresentada como ato de generosidade em favor da unidade do campo, com Tarcísio de Freitas chamando-a de gesto de grandeza em nome de um projeto maior e os dois beneficiários agradecendo publicamente. Nessa cobertura, a disputa paulista passa a ser lida como um confronto direto entre dois nomes da direita e duas candidatas do campo adversário, com a coordenação eleitoral valendo mais do que a permanência de uma candidatura sem chance estatística.
Veículos de esquerda não aparecem entre as fontes que cobriram o episódio no conjunto analisado. As críticas do campo progressista chegaram ao noticiário pela reprodução de declarações: Marina Silva classificou a desistência como desrespeito com os eleitores e afirmou que o momento exige coerência para mostrar, em atitudes práticas, que não vale tudo para ganhar uma eleição; Simone Tebet disse que Salles aderiu ao Centrão e reivindicou ser a única candidatura efetivamente de centro; e a deputada Sâmia Bomfim (PSOL) retomou o período de Salles no Ministério do Meio Ambiente e a tentativa de criminalizar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
O rearranjo produziu reação imediata no outro lado do tabuleiro. Ainda em 28 de setembro, a candidata ao Senado Soninha Francine (Cidadania), que não desistiu do pleito, pediu a seus eleitores que destinassem o segundo voto a Simone Tebet, tratando a aliança como convergência programática de centro e contrapondo-a à adesão dos adversários ao Centrão.
Alguns pontos seguem em aberto. Não há informação pública sobre o destino do saldo dos R$ 3,6 milhões já repassados, nem sobre eventual devolução de recursos de fundo público. Também não há registro de manifestação de Ricardo Salles respondendo às acusações de desrespeito ao eleitorado, nem estimativa de como os 4% que ele somava se redistribuem entre os demais candidatos às duas vagas paulistas.
Fontes

Candidata do Cidadania pede 'segundo voto' na ex-ministra do Planejamento, que usa o movimento para atacar a adesão de adversários ao Centrão
Candidatos ao Senado por SP em 2026: veja lista atualizada após desistência de Salles BOL
Ricardo Salles desiste do Senado após receber R$ 3 milhões de verba pública UOL Notícias
Partido considera ‘recuo estratégico’ a desistência de Ricardo Salles na eleição ao Senado em São Paulo

A desistência do deputado federal Ricardo Salles de concorrer teve repercussões no meio político, com aliados elogiando e rivais criticando.