Ricardo Salles abandona corrida ao Senado por São Paulo após receber R$ 3,6 milhões
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O deputado federal Ricardo Salles (Novo) anunciou em 28 de setembro, a seis dias da eleição, a desistência da candidatura ao Senado por São Paulo e passou a apoiar André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Salles tinha 4% no Datafolha. A campanha recebeu R$ 3,6 milhões do Novo, a maior parte do fundo eleitoral, e deixou sobra de cerca de R$ 1,7 milhão, segundo a prestação de contas no Tribunal Superior Eleitoral.
A saída de Ricardo Salles concentra os votos da direita paulista em André do Prado e Guilherme Derrite, numa disputa em que os quatro primeiros aparecem empatados tecnicamente. Tarcísio de Freitas chamou o gesto de grandeza em nome de um projeto maior, e o Novo tratou a decisão como recuo estratégico para não ser acusado de ajudar a esquerda a vencer.
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Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
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O deputado Ricardo Salles, do Novo, retirou a candidatura ao Senado por São Paulo a seis dias da eleição e apoiou André do Prado e Guilherme Derrite, candidatos de Tarcísio de Freitas. A campanha recebeu R$ 3,6 milhões do partido, a maior parte do fundo eleitoral, e deixou sobra de cerca de R$ 1,7 milhão.
O deputado federal Ricardo Salles, do partido Novo, desistiu da candidatura ao Senado por São Paulo na segunda-feira, 28 de setembro, a seis dias da eleição. O anúncio foi feito em ato ao lado do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e dos candidatos André do Prado, do PL, e Guilherme Derrite, do PP, que Salles passou a apoiar para as duas vagas em disputa.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Salles aparecia em quinto lugar, com 4% das intenções de voto. Marina Silva, da Rede, tinha 15%, Simone Tebet, do PSB, 14%, e André do Prado e Guilherme Derrite, 12% cada, em empate técnico. Salles, ex-ministro do Meio Ambiente, deixou o PL em 2024 para disputar o Senado pelo Novo. Dias antes da desistência, em debate entre candidatos, André do Prado havia sido um dos seus principais alvos.
A cobertura converge sobre o dinheiro. O Novo repassou R$ 3,6 milhões à campanha, e R$ 3,1 milhões saíram do diretório nacional, com origem no fundo eleitoral. Só o presidenciável Romeu Zema recebeu mais da legenda. A prestação de contas no Tribunal Superior Eleitoral registra R$ 4,79 milhões arrecadados e R$ 3,07 milhões gastos, com sobra de cerca de R$ 1,7 milhão. Material gráfico consumiu R$ 893 mil, e o impulsionamento nas redes sociais levou R$ 400 mil, além de outros R$ 269 mil pagos ao Facebook. Procurado, Salles disse apenas que a campanha foi exemplar e que as despesas estão registradas.
A cobertura desta história veio de veículos de centro e de veículos de direita. Nenhum veículo de esquerda publicou sobre o caso até o momento. A cobertura de centro relatou em detalhe a prestação de contas e deu espaço a João Amoêdo, fundador do Novo, que criticou a direção do partido por usar dinheiro público, contra o compromisso que deu origem à legenda. Veículos de direita enfatizaram a lógica do acordo: a cúpula do Novo tratou a saída como recuo estratégico, para não carregar a pecha de ter ajudado a esquerda a vencer, e Tarcísio chamou o ato de gesto de grandeza em nome de um projeto maior. André do Prado e Derrite agradeceram e pediram união.
As mesmas reportagens registraram as críticas das adversárias. Marina Silva classificou a desistência como desrespeito com os eleitores. Simone Tebet disse que Salles aderiu ao Centrão e recebeu, horas depois, o pedido de segundo voto de Soninha Francine, candidata do Cidadania, que segue na disputa. A deputada Sâmia Bomfim, do PSOL, relembrou embates com Salles no período em que ele comandou o Ministério do Meio Ambiente.
O que ainda não se sabe é o destino da sobra de campanha. Salles não respondeu se haverá devolução aos doadores ou ao fundo eleitoral, e a direção do Novo não comentou. Também há diferença entre os valores do diretório estadual informados pelo partido e os que constam no tribunal. Por fim, só a votação de 4 de outubro dirá se a transferência de votos altera o empate na liderança.
Prestação de contas aponta que candidato recebeu no total R$ 4,7 milhões entre fundo eleitoral e doações e gastou R$ 3,1 milhões. Ex-candidato do Novo não respondeu se haverá devoluções da sobra de R$ 1,7 milhão.

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Nesta matéria: viés de centro.