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O ministro do STF Kassio Nunes Marques arquivou uma notícia-crime apresentada em 2021 por deputados do PSOL contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que era acusado de tentar interferir na CPI da Covid-19. O caso teve origem em uma conversa vazada entre Bolsonaro e o então senador Jorge Kajuru, na qual o ex-presidente defendia ampliar o escopo da investigação para incluir governadores e prefeitos. A Procuradoria-Geral da República concluiu, ainda em 2021, não haver indícios de crime, e o ministro acolheu esse entendimento mais de cinco anos depois.
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira, 14 de julho, o arquivamento de uma notícia-crime apresentada em 2021 por deputados do PSOL contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A denúncia acusava Bolsonaro de tentar interferir nos trabalhos da CPI da Covid-19, pressionando o então senador Jorge Kajuru a ampliar o escopo da investigação para incluir governadores e prefeitos, e não apenas o governo federal.
O caso teve origem no vazamento de uma conversa telefônica entre Bolsonaro, então presidente da República, e Kajuru. No diálogo, o ex-presidente afirmou que, se a CPI não ampliasse seu alcance, a comissão se concentraria em integrantes do seu governo e produziria um relatório "sacana". Ele também pediu que o senador pressionasse o Senado a avançar com pedidos de impeachment contra ministros do STF.
A Procuradoria-Geral da República, então chefiada por Augusto Aras, analisou o episódio ainda em abril de 2021 e concluiu não haver indícios dos crimes de corrupção ativa e advocacia administrativa. Para o órgão, tratava-se de uma conversa informal e privada entre um presidente e um senador, sem propósito criminoso identificável. Nunes Marques acolheu esse entendimento mais de cinco anos depois, afirmando que cabe exclusivamente à PGR avaliar se há elementos para abrir uma investigação, e que o Supremo não pode substituir esse juízo.
A cobertura de centro, feita por Poder360 e CNN Brasil, reproduziu com detalhe os trechos mais duros do áudio vazado, incluindo a expressão "relatório sacana" e o pedido de Bolsonaro para que o Senado avançasse com pedidos de impeachment contra ministros do STF, além da íntegra da fundamentação escrita pelo ministro relator. Já a cobertura de direita, relatou o arquivamento de forma mais sucinta, com foco na conclusão da PGR de que não houve indício de crime e na natureza "informal e privada" da conversa, sem republicar os trechos mais incisivos do diálogo vazado. Até a publicação desta reportagem, veículos de esquerda não deram destaque a esse desfecho específico do caso, o que configura um ponto cego na cobertura: uma leitura mais crítica tenderia a questionar se o arquivamento encerra de forma satisfatória a apuração sobre pressão política contra o Legislativo e o Judiciário, dado o teor das falas atribuídas ao ex-presidente.
O que ainda não se sabe é se os deputados que apresentaram a notícia-crime, entre eles Fernanda Melchionna e Sâmia Bomfim, vão contestar a decisão por outra via, e se o entendimento adotado por Nunes Marques, de deferência processual à PGR, deve se repetir em outras representações ainda em tramitação contra o ex-presidente.
Os três veículos concordam nos fatos centrais: a PGR concluiu, ainda em 2021, não haver indícios de corrupção ativa na conversa vazada entre Bolsonaro e Kajuru, e Nunes Marques arquivou o caso mais de cinco anos depois com base nesse parecer, afirmando que a avaliação sobre abrir investigação cabe exclusivamente à Procuradoria.
3 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Veículos com viés ao centro
Relato detalhado e sem adjetivação, com citação direta da decisão do ministro, da manifestação da PGR e da fala de Bolsonaro no áudio vazado ('relatório sacana'), sem privilegiar nenhuma das partes envolvidas.
Texto factual, com transcrição de trechos do áudio vazado e da decisão do ministro, citando nominalmente a PGR e o então procurador-geral Augusto Aras, sem enquadramento ideológico perceptível.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O texto é majoritariamente factual e cita a decisão da PGR e do ministro, mas a seleção do que é reproduzido favorece a leitura de que a conversa foi 'apenas informal e privada', omitindo os trechos mais graves do áudio vazado presentes em outras coberturas — um enquadramento consistente com o viés do publisher.
Perspectivas omitidas

Denuncia feita em 2021 foi arquivada após ministro do STF seguir entendimento do Ministério Público

Ministro acolheu parecer da PGR que não viu indícios de crime em conversa do ex-presidente. Leia no Poder360.

Caso foi apresentado em 2021 após divulgação de conversa do então presidente com o senador Jorge Kajuru
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