A menos de 40 dias do primeiro turno das eleições de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral realizou uma eleição simulada no município de Paulino Neves, no Maranhão, para testar a urna eletrônica em condições próximas às do pleito oficial. O teste ocorreu no domingo, 23 de agosto, e reuniu 1.400 dos 15.098 eleitores aptos na cidade, que fica a 197 quilômetros de São Luís. Os participantes votaram em candidatos fictícios para seis cargos: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República, o mesmo arranjo previsto para outubro.
Dois dias depois, na abertura da sessão de julgamentos da Corte, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a simulação atestou a segurança, a transparência e a plena funcionalidade do sistema eletrônico de votação, e descreveu o exercício como um ensaio geral para o pleito. Ele convocou os eleitores a comparecer às urnas e disse que a Justiça Eleitoral estará presente onde houver um único eleitor.
A cobertura de centro detalhou a mecânica do teste. Os eleitores passaram pela identificação biométrica habilitada por mesários e digitaram os votos na urna, que ao final emitiu boletim e transmitiu os resultados para totalização. A mesária Geane Leocádio, que atua na função há oito anos, relatou dificuldade recorrente no voto para o Senado, em que o eleitor precisa escolher dois nomes e costuma encerrar a votação depois do primeiro. Toda a sessão foi filmada por câmeras de monitoramento para estimar o tempo médio de votação, e o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão constatou que o processo deste ano deve ser mais lento. O desembargador Carlos Roberto da Silva, presidente do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais, afirmou que testes públicos frequentes aperfeiçoam a Justiça Eleitoral. O projeto de simulação existe desde 2008 e, em 2022, passou a integrar o planejamento nacional do Tribunal Superior Eleitoral.
Veículos de direita concentraram a cobertura na fala institucional do presidente da Corte e no calendário do pleito: primeiro turno em 4 de outubro, eventual segundo turno em 25 de outubro para governador e presidente, e 158 milhões de eleitores aptos em todo o país. Nessa leitura, o teste aparece sobretudo como atestado de confiabilidade do sistema e como convocação ao comparecimento. Até o fechamento desta reportagem, veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do episódio, e o caso fica sem o registro desse lado do espectro.
A diferença entre as duas coberturas disponíveis é de ênfase, não de fato. A de centro dedica mais espaço aos limites operacionais observados durante a simulação, como a confusão no voto duplo para o Senado e a estimativa de votação mais demorada, apurada a partir das imagens das câmeras. A de direita privilegia a avaliação oficial de segurança e transparência e o enquadramento do teste como ensaio geral, sem descer ao detalhe do procedimento. Nenhuma das duas apresenta avaliação técnica independente do resultado: todas as fontes ouvidas pertencem à própria Justiça Eleitoral ou à operação do teste.
Permanecem em aberto o tempo médio de votação efetivamente apurado, que segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão será divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral em até dez dias, quais ajustes decorrentes da legislação federal foram incorporados à urna para este ano, e se a lentidão observada levará a reforço de mesários ou de seções em outubro. Também não há informação sobre quantos outros municípios receberão simulações antes do pleito nem sobre o que a Justiça Eleitoral fará para reduzir o erro no voto para o Senado, já identificado no teste.