O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2026, concentrou esforços nos últimos dias para reduzir sua rejeição entre as eleitoras, apontada como o principal obstáculo ao seu desempenho nas pesquisas. Um levantamento do Datafolha citado na cobertura mostra o presidente Lula à frente de Flávio no recorte feminino por quinze pontos, 52% a 37%. Para reverter o quadro, o senador anunciou o programa 'Brasil Por Elas', voltado ao eleitorado feminino, com lançamento marcado para 15 de julho, e passou a considerar a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, como possível candidata a vice em sua chapa.
A ofensiva acontece em meio a uma crise interna no Partido Liberal. Michelle Bolsonaro deixou a liderança do PL Mulher e trocou farpas públicas com o senador, afirmando ter sido humilhada e dizendo que ele não queria sua participação na campanha. Flávio respondeu que a madrasta estaria 'sendo induzida' e negou ligação com uma festa atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Some-se a isso a repercussão da fala do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que afirmou que 'mulheres votam estatisticamente mal' e foi publicamente repudiada por Flávio.
A cobertura de centro, como a da CNN Brasil e do Poder360, relatou os fatos de forma factual: o anúncio do programa, a data de lançamento, o recorte do Datafolha e o formato de debate opondo uma vereadora do PT e um vereador da União sobre se o aceno seria bem recebido. Nesse enquadramento neutro, a crise com Michelle e a busca por uma vice mulher aparecem como movimentos de bastidor de uma pré-campanha ainda em formação.
Veículos de esquerda, como o Diário do Centro do Mundo, enfatizaram que o gesto seria cálculo eleitoral diante da alta rejeição, e não compromisso com direitos. Nessa leitura, a fala de Figueiredo revelaria o que parte da extrema-direita pensa sobre a participação política das mulheres, o rompimento com Michelle exporia o tratamento do senador a lideranças femininas do próprio partido, e a ascensão de Daniella Marques resgataria o consignado do Bolsa Família de 2022, que chegou a 80% de inadimplência.
Já veículos de direita, como a Veja e a RIC, enfatizaram o esforço de Flávio para construir uma candidatura mais afável e competitiva. Destacaram o repúdio do senador à fala de Figueiredo, sua promessa de 'defender as mulheres de verdade', o café com cerca de 50 lideranças femininas do PL e a agenda no Nordeste, incluindo a festa junina de Campina Grande, como tentativa de mostrar um perfil distante do radicalismo atribuído a Jair Bolsonaro. Nesse enquadramento, a crise com Michelle é divergência interna superável e a vice mulher, escolha estratégica para ampliar a coligação.
O que ainda não se sabe são os detalhes concretos do programa 'Brasil Por Elas', que o próprio senador não adiantou, a confirmação de Daniella Marques como vice, cercada de resistências no Republicanos, e se os acenos reduzirão de fato a rejeição feminina medida pelas pesquisas. Também permanece em aberto o desfecho da crise com Michelle Bolsonaro e o efeito das articulações partidárias sobre a viabilidade da chapa.