Voto útil vira aposta da campanha de Flávio Bolsonaro na reta final
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Resumo da cobertura
A dez dias do primeiro turno da eleição presidencial de 2026, marcado para 4 de outubro, o apelo ao voto útil entrou na disputa. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o jurista Ives Gandra Martins pediram publicamente, em 23 de setembro, que eleitores de candidatos menores migrem para o senador Flávio Bolsonaro a fim de encerrar a eleição em turno único. Pesquisas recentes mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente por margem de três pontos, com rejeição alta dos dois primeiros colocados.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- Valor EconômicoApelo do voto útil em Flávio Bolsonaro esbarra na rejeiçãoComo na Colômbia, tática pode levar a uma ultrapassagem no 1° turno, mas dificilmente à maioria absoluta
Análise editorial
Análise com vocabulário técnico-eleitoral, sem juízo valorativo sobre os candidatos: usa séries históricas de 1994, 1998, 2016, 2018 e 2022 e números de rejeição da Quaest para concluir que a tática é improvável, tratando Lula e Flávio Bolsonaro com a mesma régua.
- Qualidade argumentativa
- 69/100
- Manipulação emocional
- 15/100
- Clickbait
- 15/100
- Fontes citadas
- 3
Perspectivas omitidas
- Não traz resposta das campanhas de Lula, Caiado, Zema ou Cury ao plano de voto útil descrito
- A fonte que descreve a estratégia da campanha é anônima e não há contraponto a ela
- Valor EconômicoO que é voto útil? EntendaEstratégia busca encerrar eleição já no primeiro turno ou evitar que adversário seja vitorioso
Análise editorial
Formato explicativo com definição, base legal e exemplos simétricos dos dois campos: cita o pedido de Tarcísio de Freitas em favor de Flávio Bolsonaro e a tentativa de Lula em 2022, sem adjetivação e sem tomar partido sobre o mérito da tática.
- Qualidade argumentativa
- 63/100
- Manipulação emocional
- 5/100
- Clickbait
- 25/100
- Fontes citadas
- 2
Perspectivas omitidas
- Ouve um único especialista, sem visão divergente sobre os efeitos do voto útil
- Não registra reação das campanhas citadas ao pedido de Tarcísio de Freitas
Veículos com viés à direita
- Terra Brasil NotíciasIves Gandra declara voto em Flávio Bolsonaro: “voto útil”; VEJA VÍDEOO jurista Ives Gandra Martins declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República nas eleições de 2026.
Análise editorial
A seleção de pauta e o espaço dado às críticas ao governo federal, incluindo a tese de que o país não suportaria mais quatro anos da gestão atual, entregam enquadramento favorável à candidatura de direita; o texto é factualmente correto, mas circula apenas argumentos de um lado, com chamada em caixa alta para o vídeo.
- Qualidade argumentativa
- 53/100
- Manipulação emocional
- 30/100
- Clickbait
- 35/100
- Fontes citadas
- 3
Perspectivas omitidas
- Não apresenta resposta do governo federal à afirmação sobre endividamento
- Não ouve as campanhas de Caiado, Zema e Cury, citados como preteridos
- Não contextualiza o histórico de insucesso do apelo por voto útil no Brasil
Falácias identificadas
- Apelo à autoridade: a avaliação econômica do jurista é apresentada como argumento de peso sem dado que a sustente
A dez dias do primeiro turno, o voto útil virou peça central da campanha presidencial. Apoiadores de Flávio Bolsonaro pedem que eleitores de candidatos menores migrem para o senador, enquanto analistas lembram que a tática raramente encerrou uma eleição brasileira em turno único. Veja o que dizem as pesquisas e como cada lado enquadra a disputa.
A reta final do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 colocou o chamado voto útil no centro da disputa. A estratégia, em que o eleitor abandona o candidato de sua preferência para apoiar outro com mais chance de vencer, passou a ser pedida abertamente por aliados do senador Flávio Bolsonaro, do PL, que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Na quarta-feira, 23 de setembro, o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, pediu em transmissão ao vivo que o eleitor fosse pragmático e votasse em Flávio Bolsonaro para encerrar a disputa presidencial já no primeiro turno. No mesmo dia, o jurista Ives Gandra Martins anunciou nas redes sociais que votará no senador, citando explicitamente o voto útil e dizendo que abandonava candidatos de quem é próximo, entre eles Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury.
Os números que sustentam o debate vêm de dois institutos. O Datafolha divulgado em 17 de setembro mostrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno. A Quaest divulgada em 21 de setembro registrou 37% para Lula e 33% para o senador, além de rejeição de 55% para cada um dos dois. A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro.
A cobertura de centro tratou o tema por dois caminhos. Um deles explicou a mecânica e os limites legais da prática: pedir voto útil é propaganda eleitoral legítima, desde que não envolva pesquisa sem registro, informação sabidamente falsa ou propaganda caluniosa. Como o voto é livre e secreto, a motivação do eleitor não é punível pela Justiça Eleitoral; o que configura crime é a compra de votos e a coação. O outro caminho foi analítico e cético. Veículos de centro lembraram que o apelo ao voto útil para liquidar a eleição em turno único raramente funcionou no Brasil: Lula tentou em 2022 e não evitou o segundo turno, e Jair Bolsonaro tentou em 2018 com o mesmo desfecho. Nas duas eleições presidenciais decididas em turno único, em 1994 e 1998, o vencedor liderava com ampla margem muito antes da reta final, sem arrancada de última hora. A rejeição alta dos dois primeiros colocados é apontada como o principal obstáculo para que qualquer um deles abra vantagem sobre a soma dos rivais.
Veículos de direita deram destaque ao efeito prático da estratégia e trataram a adesão de nomes conhecidos como sinal de consolidação da candidatura do senador. Essa cobertura reproduziu com espaço os argumentos do jurista, entre eles a crítica ao endividamento do país e a avaliação de que o Brasil não suportaria mais quatro anos da gestão atual, sem trazer resposta do governo federal ou dos adversários citados. Nenhum veículo de esquerda do conjunto analisado cobriu este recorte da disputa, de modo que não há aqui enquadramento de esquerda registrado sobre o pedido de voto útil.
A divergência de ênfase entre as coberturas é clara. A leitura de centro trata o voto útil como tática de histórico ruim e chama atenção para um detalhe sem precedente: desta vez o apelo parte de quem está atrás nas pesquisas, e não de quem lidera, como ocorreu com João Doria em São Paulo em 2016. A leitura de direita apresenta o movimento como convergência espontânea do eleitorado em torno do nome mais competitivo contra o governo.
O que ainda não se sabe é quanto do eleitorado das candidaturas menores efetivamente migraria, já que nenhuma das reportagens traz medição desse fluxo. Também não há registro de reação das campanhas de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos ao apelo, nem levantamento posterior às declarações de 23 de setembro capaz de indicar se o pedido produziu algum efeito nas intenções de voto.
Briefing
O que importa para você
- O primeiro turno é em 4 de outubro, e a decisão de votar em candidato menor ou migrar afeta diretamente a existência de segundo turno.
- Datafolha de 17 de setembro: Lula 39%, Flávio Bolsonaro 36%. Quaest de 21 de setembro: Lula 37%, Flávio Bolsonaro 33%.
- Votar por estratégia não expõe o eleitor a punição: o voto é livre e secreto, e só compra de voto e coação são crimes.
Onde os lados divergem
- A cobertura de centro trata o voto útil como tática com histórico de fracasso e destaca que, desta vez, o apelo parte de quem está atrás nas pesquisas, situação sem precedente em vitórias de primeiro turno no Brasil.
- A cobertura de direita apresenta o mesmo movimento como convergência natural do eleitorado em torno do candidato mais competitivo, dando espaço às críticas ao endividamento do país sem contraponto do governo.
Onde os lados concordam
As coberturas convergem em que o pedido de voto útil em favor de Flávio Bolsonaro é prática legal de propaganda eleitoral, em que Lula lidera o primeiro turno por margem de três pontos nos dois levantamentos mais recentes, e em que a estratégia já foi usada por Lula em 2022 e por Jair Bolsonaro em 2018.
O que ainda está incerto
- Não há medição de quanto do eleitorado de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos migraria.
- Não há reação pública das campanhas citadas ao apelo por voto útil.
- Não há pesquisa divulgada após as declarações de 23 de setembro que permita medir o efeito do pedido.
Fontes

Como na Colômbia, tática pode levar a uma ultrapassagem no 1° turno, mas dificilmente à maioria absoluta

O jurista Ives Gandra Martins declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República nas eleições de 2026.

Estratégia busca encerrar eleição já no primeiro turno ou evitar que adversário seja vitorioso


