O presidente Lula confirmou nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, a senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, como nova líder do governo no Senado. Ela substitui Jaques Wagner, que deixou a função em meio ao desgaste de uma operação da Polícia Federal que o incluiu entre os investigados no caso do Banco Master. À frente da liderança, Teresa Leitão herda um desafio imediato: destravar a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, parada há quase um mês na Casa sob a presidência de Davi Alcolumbre.
Em sua primeira declaração após o anúncio, a senadora disse que trabalhar pelo fim da escala 6x1 será uma de suas prioridades e prometeu atuar pela construção de consensos. O prazo, porém, é curto: o recesso parlamentar começa em 17 de julho, e a avaliação no Palácio do Planalto é que aprovar a matéria antes da pausa ajudaria o governo a fechar o semestre com uma agenda positiva no Congresso. Teresa foi escolhida por reunir a confiança de Lula e por não disputar mandato em outubro, o que lhe daria mais disponibilidade para a negociação.
Veículos de esquerda destacaram a pauta como ampliação de direitos. A cobertura de CartaCapital reproduziu falas da senadora segundo as quais ampliar direitos não impede o crescimento econômico e o fim da escala significaria menos adoecimento físico e mental e mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Material de origem sindical, ligado à CUT e às Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, convocou um Dia Nacional de Mobilização para 30 de junho, enquadrando a redução da jornada para 40 horas semanais sem corte de salário como questão de qualidade de vida e de alívio à sobrecarga das mulheres, que acumulam jornadas de trabalho e de cuidado.
A cobertura de centro, como a do Metrópoles, relatou a tática política sem aderir a esse enquadramento. Descreveu de forma factual a ofensiva do PT, que acionou a plataforma Porta-Vozes do Lula, com mais de 50 mil militantes, para pressionar nas redes com a hashtag AprovaSenado, além de convocar atos de rua. A mesma estrutura digital, observou a reportagem, deve ser usada na campanha à reeleição de Lula. A articulação foi anunciada pelos deputados Lindbergh Farias e Erika Hilton, autora de uma das propostas sobre o tema.
Veículos de direita e o noticiário econômico enfatizaram o outro lado da disputa. Alcolumbre afirmou que o Senado não é obrigado a carimbar um projeto vindo da Câmara, sinalizando resistência a tramitar a PEC no ritmo cobrado pelo governo. O lobby patronal, por sua vez, lançou ofensiva para emplacar uma PEC alternativa que preserva a escala 6x1, com o argumento, segundo a leitura sindical contrária, de poupar comércio e serviços da redução de jornada. Para esse campo, a mobilização petista soa menos como debate de mérito e mais como peça de pressão institucional e de campanha.
O que ainda não se sabe é se Alcolumbre pautará a votação antes do recesso, qual texto prevalecerá entre a PEC da redução e a alternativa patronal, e qual seria o custo econômico estimado da mudança, número que nenhuma das coberturas apresentou com precisão. Também resta indefinido o efeito da troca na liderança sobre a relação, descrita como desgastada, entre o Planalto e o presidente do Senado.