A Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, a OAB-SP, acionou a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público estadual para cobrar uma investigação sobre a denúncia de que policiais militares obrigaram três jovens negros detidos em Piracicaba, no interior paulista, a vestir camisetas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entidade também quer saber se as imagens da ocorrência foram manipuladas e usadas politicamente às vésperas do segundo turno presidencial. O pedido foi divulgado na sexta-feira, 30 de outubro.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, de esquerda. Nenhum veículo de centro e nenhum veículo de direita cobriu a história no conjunto analisado.
Segundo o relato, a abordagem ocorreu em 21 de outubro, na comunidade Vitória Pantanal. Dois homens, de 21 e 24 anos, foram presos, e um adolescente de 17 anos foi apreendido, sob suspeita de tráfico de drogas e porte ilegal de arma. Os três apareceram algemados e ajoelhados, com camisetas idênticas de apoio a Lula e ao sindicato dos professores da rede estadual, a Apeoesp. As fotos circularam nas redes sociais de políticos, entre eles Guilherme Derrite, do Partido Progressistas, senador eleito e ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas.
Um dos detidos, de 21 anos, afirmou à Polícia Civil e na audiência de custódia que os agentes mandaram trocar as roupas depois da prisão. A mãe do adolescente fez a mesma denúncia em entrevista. A OAB-SP pediu ainda que sejam apuradas possíveis agressões e discriminação racial, a preservação de gravações, das comunicações por rádio e dos dados das viaturas, e o envio de documentos ao Ministério Público Eleitoral. O documento é assinado pelos advogados Alberto Zacharias Toron e Theodomiro Dias Neto, presidente e vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da entidade.
O veículo de esquerda que cobriu o caso tratou o episódio, na manchete, como uma suposta armação de policiais contra Lula, e acrescentou outra denúncia na mesma comunidade: a deputada estadual Professora Bebel, do PT, afirmou que mulheres que distribuíam material de campanha foram intimidadas e agredidas por policiais, que teriam exigido as camisetas que elas vestiam. O texto registrou que a Ouvidoria da Polícia de São Paulo já havia pedido o afastamento dos policiais envolvidos até o fim das apurações.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Militar investiga as circunstâncias da ocorrência, que os relatos das testemunhas foram registrados depois na Polícia Civil e que pune desvios de conduta quando comprovados. A cobertura não trouxe a versão dos policiais envolvidos nem a de Derrite sobre a divulgação das imagens.
Até a noite de 30 de outubro, quando saiu a matéria analisada, não havia conclusão da investigação da Polícia Militar, nem resposta pública do Ministério Público ao pedido da OAB-SP. Também não se sabia se os policiais tinham sido afastados, nem quem produziu e fez circular primeiro as imagens dos presos.