A Organização dos Estados Americanos intensificou nesta semana sua atuação em duas das principais crises políticas da América Latina. De um lado, uma Missão de Alto Nível iniciou uma série de reuniões na Bolívia para acompanhar a situação institucional do país. De outro, os Estados Unidos solicitaram a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da organização para discutir a crise na Nicarágua.
Na Bolívia, a missão começou os trabalhos na quarta-feira com uma agenda de encontros com representantes do governo, dos poderes da República, do setor produtivo e da sociedade civil. Segundo a organização, o objetivo é fortalecer as instituições democráticas, apoiar os esforços de diálogo e contribuir para a preservação da ordem constitucional em um cenário de tensões políticas e sociais. A visita foi aprovada pela Assembleia Geral por meio de uma resolução que condenou episódios recentes de violência, defendeu o diálogo entre os diferentes setores e manifestou apoio ao governo democraticamente eleito do presidente Luis Arce.
A delegação é formada por representantes do Panamá, Argentina, Canadá, Chile, Estados Unidos, Peru e Uruguai, além do secretário-geral da organização, Albert Ramdin. No primeiro dia, os integrantes se reuniram com o chanceler boliviano e com representantes dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Eleitoral, além de povos indígenas, sindicatos, agricultores, trabalhadores da mineração, universidades e empresários. As contribuições serão incorporadas a um relatório final que será apresentado ao Conselho Permanente, em Washington.
Em outra frente, os Estados Unidos pediram uma sessão extraordinária para discutir a situação política da Nicarágua, depois que o governo de Daniel Ortega anunciou que o país deixará de realizar eleições nacionais. A medida provocou críticas de governos da região e de organismos internacionais, que a consideram um rompimento com os princípios democráticos. Washington quer que os países membros avaliem uma resposta conjunta diante do agravamento da crise institucional e das denúncias de repressão política. O pedido ocorre pouco mais de um mês após a Assembleia Geral aprovar uma resolução que exigiu a libertação de presos políticos e o fim das detenções arbitrárias, das desaparições forçadas e da perseguição a opositores no país.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, com enquadramento predominantemente factual, apoiado em resoluções e comunicados oficiais da própria organização. A cobertura relata a agenda das duas frentes diplomáticas sem trazer a réplica dos governos citados. O que ainda não se sabe é se os Estados-membros vão aprovar a convocação da reunião extraordinária sobre a Nicarágua, quais medidas concretas serão adotadas e que conclusões o relatório da missão na Bolívia apresentará ao Conselho Permanente.