Os ônibus municipais do Rio de Janeiro deixaram de aceitar pagamento em dinheiro a partir de domingo, 28 de junho de 2026. Desde então, o passageiro só consegue pagar a passagem pelo sistema de bilhetagem Jaé, usando o aplicativo ou o cartão preto, ou por PIX, lido pelos validadores dentro dos veículos. A medida foi anunciada pela Prefeitura do Rio em 12 de maio e encerra de vez a possibilidade de embarque com cédulas e moedas.
A mudança também altera as integrações tarifárias. Os benefícios do Bilhete Único Carioca, o BUC, e do Bilhete Único Margaridas, o BUM, passam a valer apenas para quem usa o aplicativo ou o cartão preto do Jaé. O cartão avulso verde continua aceito para viagens unitárias, mas deixa de permitir integração entre linhas. Para atender a demanda, a cidade ampliou a rede de pontos de recarga e atendimento para 1.600 locais, entre lojas credenciadas, bilheterias e bancas de jornal.
Há pontos em que toda a cobertura converge. A prefeitura informa que 96% das viagens nos ônibus municipais já eram pagas por meios eletrônicos e que apenas 4% dos embarques ainda eram feitos em dinheiro. Desde o anúncio, mais de 200 mil pessoas aderiram ao sistema Jaé e o PIX foi usado em mais de 345 mil embarques. A cobertura de centro relatou ainda que a medida chegou a entrar em vigor no fim de maio, mas foi adiada em um mês após uma determinação da Justiça, com o novo prazo se encerrando neste domingo.
Os enquadramentos, porém, divergem. Veículos de direita enfatizaram os objetivos declarados pela prefeitura: reduzir o risco de assaltos, agilizar o embarque, encerrar a chamada dupla função dos motoristas, que precisavam dirigir e receber dinheiro ao mesmo tempo, e aumentar a transparência sobre os subsídios públicos pagos ao transporte. Nessa leitura, com a ampla maioria das viagens já eletrônica, a medida apenas consolida um comportamento que o próprio passageiro adotou.
Veículos de esquerda tendem a destacar o reverso da digitalização total: o risco de excluir do transporte a parcela mais pobre e desbancarizada, que pode não ter smartphone, conta ou acesso fácil ao PIX e que costuma estar justamente entre os 4% que ainda pagavam em espécie. Sob esse ângulo, a ampliação da rede de recarga é bem-vinda, mas precisa alcançar periferias e áreas sem bancos para garantir o direito de ir e vir.
O que ainda não se sabe é o conteúdo exato da decisão judicial que adiou a medida e como a prefeitura vai assegurar o embarque de quem não consegue migrar para os meios eletrônicos. Também segue em fase de teste a cobrança por aproximação com cartões de débito e crédito, sem data definida para entrar em operação.