Programa de Flávio Bolsonaro aposta em segurança e corte fiscal
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- O GloboFlávio apresentará plano de governo em live nesta quinta; programa prevê dobrar verba para segurança e novo ministérioPresidenciável também prepara endurecimento do arcabouço fiscal, redução de pastas e sistema com mais de 1 milhão de câmeras para localizar criminosos(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- Investimento federal em segurança pública ao menos dobraria, com repasse a estados e municípios por convênio.
- Maioridade penal cairia de 18 para 16 anos e crimes hediondos perderiam a progressão de regime.
- Mais de um milhão de câmeras de reconhecimento facial seriam instaladas em portos, aeroportos, terminais e áreas públicas.
- Uma PEC no primeiro ano de governo atrelaria o limite de gastos ao tamanho da dívida em relação ao PIB, com efeito sobre todo o orçamento.
Onde os lados divergem
- A cobertura de centro trata as propostas como documento a ser checado e aponta a ausência de fonte de recursos e a contradição entre criar um ministério e reduzir a Esplanada.
- Veículos de direita apresentam a mudança nas regras de armas como correção de insegurança jurídica e atribuem o travamento da pauta ao caráter desarmamentista do governo atual, sem contraditório.
- Nenhum veículo de esquerda analisou o custo fiscal, a vigilância por reconhecimento facial ou o efeito do endurecimento penal no material reunido.
Onde os lados concordam
As coberturas convergem em que a segurança pública é o eixo central do programa, que o plano prevê reverter a atual política de armas por meio de legislação permanente e que a apresentação ocorre às vésperas do início oficial da campanha para a eleição de outubro.
O que ainda está incerto
- De onde sairiam os recursos para dobrar o investimento em segurança, e qual o custo do sistema de câmeras.
- Quantos e quais ministérios seriam extintos, já que o plano cria uma pasta nova e promete reduzir o total.
- Que salvaguardas de privacidade regeriam o banco de reconhecimento facial e qual o calendário de aprovação das medidas que dependem do Congresso.
O candidato do PL à Presidência apresenta em live o plano de governo que reúne suas propostas para segurança pública, política fiscal, estrutura ministerial e agricultura. Veículos de centro e de direita cobriram o documento com ênfases diferentes, e pontos centrais das contas seguem sem resposta.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, vai apresentar nesta quinta-feira, em transmissão ao vivo, o plano de governo com que disputa a eleição de outubro. O documento, batizado de “Para o Brasil Vencer o Atraso”, chega às vésperas do início oficial da campanha e reúne num único texto bandeiras que o presidenciável vinha defendendo de forma dispersa em discursos e entrevistas.
O eixo central é a segurança pública. O programa promete ao menos dobrar os investimentos federais na área, com repasses a estados e municípios por meio de convênios voltados a inteligência, equipamentos e valorização dos profissionais do setor, e criar um Ministério da Segurança Pública. A pasta seria erguida ao mesmo tempo em que o plano promete reduzir o número total de ministérios. Há também uma aposta pesada em tecnologia: o chamado “Muralha Brasileira”, sistema nacional de reconhecimento facial conectado a bancos de dados criminais, com previsão de instalar mais de um milhão de câmeras em portos, aeroportos, terminais e áreas públicas, além de um Sistema Nacional de Fronteira que reuniria Exército, Marinha, Aeronáutica e forças policiais na vigilância dos corredores usados pelo tráfico.
No campo penal, o texto propõe enquadrar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, construir cinco presídios federais de segurança máxima, reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, endurecer a responsabilização de adolescentes a partir dos 14 anos em crimes graves e acabar com a progressão de regime para condenados por crimes hediondos. Para a violência doméstica, prevê monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica e integração entre Ligue 180, delegacias virtuais e centrais de monitoramento.
A cobertura de centro relatou o conteúdo do documento área por área e registrou dois pontos frágeis sem adjetivação: o material não informa de onde sairão os recursos para dobrar o gasto em segurança, e a criação de um novo ministério convive com a promessa de enxugar a Esplanada. Essa cobertura detalhou ainda o desenho econômico do programa. A ideia é alterar o arcabouço fiscal por meio de uma PEC no primeiro ano de governo, de modo que o limite de despesas passe a considerar não apenas a evolução das receitas, como hoje, mas também o tamanho da dívida pública em relação ao PIB. O pacote de contenção, apelidado internamente de “Tesouraço”, inclui redução de ministérios, reforma administrativa e medidas contra supersalários do funcionalismo, sob responsabilidade da ex-presidente da Caixa Daniela Marques. No agronegócio, o plano prevê reunir novamente Agricultura e Desenvolvimento Agrário numa só estrutura e ampliar o crédito rural.
Veículos de direita enfatizaram um capítulo específico do programa, o da política de armas. Nessa cobertura, o objetivo descrito é reverter decretos do governo atual e substituir o modelo vigente por uma legislação permanente aprovada pelo Congresso, com critérios objetivos para aquisição e porte, de forma que as regras não mudem a cada troca de presidente. O deputado indicado para formular a área na equipe de transição afirmou que o ponto mais importante não é ampliar o porte, e sim tornar a legislação racional, garantindo o direito de quem cumpre requisitos legais. Essa cobertura atribuiu o travamento da pauta ao caráter desarmamentista do governo do PT e sustentou que já existe maioria no Congresso para aprovar a mudança, sem apresentar contraditório nem dados sobre circulação de armas.
Veículos de esquerda não haviam publicado análise própria sobre o documento no material reunido até aqui, de modo que críticas ao custo fiscal do pacote, às implicações do reconhecimento facial em massa e ao efeito do endurecimento penal sobre o sistema prisional não aparecem no conjunto de reportagens analisado.
O que ainda não se sabe é o essencial das contas. Nenhuma das coberturas traz a origem dos recursos para dobrar o investimento federal em segurança, o custo de instalação e operação de mais de um milhão de câmeras, ou como o aumento de gasto na área se acomoda dentro de uma regra fiscal desenhada para apertar despesas. Também não há informação sobre quantos e quais ministérios seriam extintos, sobre as salvaguardas de privacidade do sistema de reconhecimento facial, nem sobre o calendário e a viabilidade política das mudanças que dependem de emenda constitucional ou de aprovação no Congresso.
Fontes

Plano de Flávio prevê mais segurança jurídica para donos de armas, segundo o deputado Marcos Pollon (PL-MS). Leia na Gazeta do Povo.

Presidenciável também prepara endurecimento do arcabouço fiscal, redução de pastas e sistema com mais de 1 milhão de câmeras para localizar criminosos