A Polícia Federal deflagrou na manhã de terça-feira, 30 de junho de 2026, a segunda fase da Operação Anáfora, voltada a investigar um esquema de lavagem de dinheiro decorrente do desvio de recursos públicos destinados à saúde no Rio de Janeiro. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias. Dez mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal e outros quatro pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o TRF2, uma vez que parte dos alvos possui foro por prerrogativa de função.
A cobertura de centro relatou, de forma predominantemente factual, que a apuração foi aprofundada após a primeira fase da operação, realizada em setembro de 2022. Segundo a Polícia Federal, os investigados mantêm bens próprios em nome de terceiros, realizam despesas incompatíveis com sua condição financeira e participam de negociações vinculadas a imóveis, indícios usados para caracterizar a suposta lavagem. Os citados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, além de outros que venham a surgir no decorrer das diligências.
O caso tem origem em contratos firmados pela prefeitura de Duque de Caxias com uma cooperativa de trabalho, a Renascer Cooperativa, para a prestação de serviços na rede municipal de saúde. Somados o contrato e seus aditivos, os valores superaram R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos. Na primeira fase, em 2022, estiveram entre os alvos o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, do MDB, à época candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro, do PL, e o empresário Mário Peixoto, já denunciado por fraudes na gestão do ex-governador Wilson Witzel.
Veículos de esquerda destacaram o caráter sistêmico do esquema, ressaltando que a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal apontam uma organização criminosa estruturada que opera no estado há décadas, em especial na área da saúde. Nessa leitura, o desvio de verbas essenciais penaliza sobretudo a população que depende do serviço público, e o episódio reforça a necessidade de fiscalização e de responsabilização de quem drena recursos coletivos.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo da accountability institucional e do combate à fraude em licitações, dando também espaço às manifestações dos investigados. Em nota reproduzida por essa cobertura, Washington Reis afirmou que a polícia fez o seu trabalho sem qualquer dificuldade e que 'nada foi encontrado', inclusive na Fazenda Paraíso, centro de tratamento de dependentes químicos do município. O então governador e candidato à reeleição, Cláudio Castro, disse respeitar o trabalho da Polícia Federal e da CGU e aguardar os desdobramentos da operação. Parte da cobertura à direita também discutiu o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a manutenção do foro privilegiado, que explica a divisão dos mandados entre a primeira instância e o TRF2.
O que ainda não se sabe é quem são, nominalmente, todos os alvos da segunda fase, se há novos indiciamentos além dos investigados da etapa inicial e qual o desfecho jurídico da apuração. Também permanece em aberto o eventual impacto político sobre os nomes já citados no caso e o valor exato do prejuízo aos cofres públicos que a investigação pretende comprovar.