As polícias do Rio de Janeiro executaram em 13 de agosto de 2026 duas frentes simultâneas contra o Comando Vermelho, uma na rua e outra no dinheiro da facção. A Polícia Militar atuou em 27 comunidades da capital e de municípios da região metropolitana, entre eles São Gonçalo, Niterói, Magé, Itaboraí, Duque de Caxias e São João de Meriti, prendeu 13 pessoas e apreendeu dois fuzis, duas pistolas e seis granadas. Quatro pessoas morreram em confronto com os policiais. No mesmo dia, a Polícia Civil deflagrou a Operação Argus, conduzida por agentes da 59ª Delegacia de Polícia, em Duque de Caxias, e da Delegacia Antissequestro, e prendeu quatro homens apontados como integrantes de uma quadrilha especializada em sequestros-relâmpago de comerciantes da Baixada Fluminense.
A cobertura de centro concentrou-se na mecânica dos crimes e no balanço das operações. Segundo a investigação, o grupo de sequestradores se dividia em três núcleos: um de chefia, um encarregado de abordar e manter as vítimas em cativeiro e um terceiro responsável por movimentar o dinheiro. Carlos Eduardo Teodoro, conhecido como Arcanjo, é apontado como o recrutador de pessoas que cediam contas bancárias para receber os valores das extorsões, depois repassados a outras contas para dificultar o rastreamento. Erick Ribeiro de Azeredo Geraldo, Alex de Oliveira do Nascimento e Cauã Victor Ribeiro teriam participado das abordagens; Erick foi reconhecido pelas duas vítimas e morava perto delas, o que levou os investigadores a suspeitar de monitoramento prévio da rotina dos comerciantes. Os investigados respondem por extorsão com restrição da liberdade, lavagem de dinheiro, coação e associação criminosa. A apuração começou em março, depois que um comerciante de Duque de Caxias passou cerca de oito horas em um cativeiro no Rio Comprido, foi obrigado a fornecer senhas e autorizações bancárias e teve prejuízo superior a R$ 500 mil. Pouco mais de um mês depois, outro comerciante foi levado ao mesmo cativeiro e só foi localizado porque o filho acionou a polícia e o sinal do celular apontou a região do Morro Paula Ramos.
Os dois lados representados no conjunto de reportagens convergem em pontos objetivos: a existência de uma estrutura financeira organizada por trás dos sequestros, o poder de fogo encontrado nas comunidades e o fato de a Baixada Fluminense ter se tornado o eixo dos dois casos. Veículos de direita enfatizaram o prejuízo econômico imposto a comerciantes, a apreensão de armamento pesado, a prisão de André Silveira das Dores, suspeito de envolvimento na morte do policial militar Marco Antônio Matheus Maia em dezembro de 2024, e a retirada de cerca de 10 toneladas de concreto usadas em barricadas nas comunidades do Quitungo e do Guaporé, apresentando as ações como retomada de território pelo Estado.
A divergência aparece no custo das operações. Não houve, entre os veículos que cobriram o caso, matéria de imprensa de esquerda; a leitura que veículos de esquerda tipicamente fazem desse tipo de ação parte do saldo humano e encontra respaldo nos próprios dados citados na cobertura. As ações ocorreram um dia depois de a fonoaudióloga Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos, ser baleada dentro de um ônibus em Vicente de Carvalho, na Zona Norte, durante troca de tiros entre policiais e criminosos. De acordo com levantamento do Instituto Fogo Cruzado, ela foi a milésima pessoa baleada no Grande Rio em 2026: até 12 de agosto, 537 pessoas haviam sido mortas e 463 feridas por disparos de arma de fogo na região metropolitana. Nessa chave, o contraste entre a Operação Argus, que chegou aos responsáveis por meio de rastreamento financeiro e reconhecimento das vítimas, e a incursão armada em 27 comunidades sustenta a crítica ao modelo de confronto.
O que ainda não se sabe é considerável. As circunstâncias das quatro mortes durante a operação da Polícia Militar não foram detalhadas, e não há informação sobre perícia ou apuração independente dos confrontos. Também não foi divulgado quantos dos 14 mandados de prisão da Operação Argus foram efetivamente cumpridos além das quatro prisões anunciadas, nem se houve bloqueio dos valores movimentados pelo núcleo financeiro. O estado de saúde da passageira baleada no ônibus não foi informado, e nenhuma das reportagens traz manifestação da defesa dos presos.