Flávio Bolsonaro acusa a CNBB de ajudar o PT com desinformação e é criticado por bispo, Caiado e Messias
3 veículos de esquerda · 2 veículos de centro

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- Diário do Centro do Mundo“Pai vigiou bispos e filho acusa fake news”: A resposta do bispo Dom VIcente a Flávio BolsonaroDom Vicente Ferreira criticou Flávio Bolsonaro após acusação contra a CNBB e lembrou ataques de Jair Bolsonaro a bispos católicos.(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
- Diário do Centro do MundoJorge Messias publica nota de solidariedade à CNBB após ataque de Flávio BolsonaroJorge Messias solidariza-se com a CNBB e repudia ataques de Flávio Bolsonaro. "Fé genuína convence pelo amor, nunca pela imposição".(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- Diário do Centro do MundoCaiado detona Flávio Bolsonaro por ataque à CNBB: “Respeite as religiões”Ronaldo Caiado critica Flávio após acusação contra a CNBB e pede respeito às religiões e à fé do povo brasileiro.(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
- Folha de S.PauloEm Goiânia, Flávio Bolsonaro acusa CNBB de ajudar PT com fake newsOUTRO LADO: CNBB nega que tenha produzido ou divulgado desinformação(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- Estado de MinasCaiado após ataque de Flávio à CNBB: 'Tenha respeito pela fé do povo'Candidato do PSD disse que Flávio Bolsonaro(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Briefing
O que importa para você
- O primeiro turno é no domingo, 4 de outubro, com Flávio Bolsonaro e Lula em empate técnico nas pesquisas mais recentes.
- A multa de R$ 30 mil fixada por André Mendonça deixou de valer com a anulação assinada por Flávio Dino, e a publicação voltou a circular.
- A campanha do senador promete pedir responsabilização por crimes eleitorais de quem identificar na suposta rede de desinformação.
Onde os lados divergem
- A esquerda enquadra a acusação como mais um capítulo de hostilidade da família Bolsonaro à CNBB, lembrando que o ex-presidente já chamara a entidade de parte podre da Igreja e vigiara bispos.
- A campanha do senador, reproduzida na cobertura de centro, sustenta que existe uma rede de perfis pagos e que a anulação assinada por Flávio Dino desarmou a proteção da Justiça Eleitoral.
- A esquerda vê defesa da missão pastoral onde o campo do senador vê interferência religiosa na disputa.
Onde os lados concordam
Os dois lados da cobertura tratam como falsa a informação de que Flávio Bolsonaro pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira, e registram que a CNBB negou formalmente qualquer participação na produção ou na circulação do boato.
O que ainda está incerto
- Não há prova pública que ligue membros da CNBB à criação ou ao impulsionamento do boato.
- A origem da informação falsa sobre o título de padroeira segue sem identificação.
- O Partido dos Trabalhadores não respondeu, no material disponível, à acusação de manter perfis pagos com dinheiro público.
A acusação do senador Flávio Bolsonaro contra integrantes da CNBB abriu uma disputa religiosa a uma semana do primeiro turno. A conferência episcopal negou ter produzido ou divulgado informação falsa, o bispo Dom Vicente Ferreira comparou o senador ao pai, e decisões de dois ministros sobre uma publicação a respeito de Nossa Senhora Aparecida se contradisseram em 48 horas.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, de colaborar com o Partido dos Trabalhadores na disseminação de publicações segundo as quais ele pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A declaração foi dada no domingo, depois de uma carreata em Goiânia. Horas antes, a conferência episcopal já havia divulgado nota em que negava qualquer participação na produção ou na circulação de informações falsas ligadas ao processo eleitoral. Na madrugada de segunda-feira, o bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, Dom Vicente Ferreira, respondeu nas redes sociais comparando a postura do senador à do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A sequência dos fatos é relatada de forma convergente pelas duas linhas de cobertura disponíveis. O boato começou a circular na semana passada e atribuía a grupos evangélicos ligados ao senador a intenção de tirar o título da santa. Na quinta-feira, o humorista Antonio Tabet publicou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada de uma frase contra a família do candidato. Na sexta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, acolheu representação da campanha, mandou apagar a publicação e vetou novas postagens de mesmo teor sob pena de multa de 30 mil reais, preservando críticas, sátiras e opiniões. Em seguida, o ministro Flávio Dino anulou a ordem, com o argumento de que a publicação não mencionava o senador nem seus familiares pelo nome.
A cobertura de centro reconstruiu esse encadeamento com as falas do candidato colhidas no ato de campanha e, logo adiante, a negativa formal da entidade, que afirmou que a mentira não se combate com outra mentira e que não integra estrutura político-partidária, partido ou candidatura. Registrou também a reação do jurídico da campanha, que acusou o ministro de usurpar a competência da Justiça Eleitoral, e a cobrança do coordenador da candidatura, senador Rogério Marinho, ao presidente do Supremo, Edson Fachin.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo: o da continuidade. A matéria desse lado foi construída em torno da publicação do bispo, que lembrou que o ex-presidente já havia chamado a conferência de parte podre da Igreja Católica e vigiado bispos, e que agora o filho acusa os religiosos de divulgar informação falsa. Esses veículos acrescentaram a solidariedade do advogado-geral da União, Jorge Messias, à entidade, e o histórico do próprio Dom Vicente Ferreira, nomeado pelo papa Francisco em fevereiro de 2023 e crítico do governo anterior desde 2021. Nessa leitura, a acusação é apresentada como ataque a uma instituição religiosa feito sem provas.
Veículos de direita não aparecem no material reunido para esta história até o momento, e por isso o argumento desse campo chega apenas pela voz da própria campanha, reproduzida na cobertura de centro: a de que existe uma rede organizada de perfis pagos espalhando desinformação, a de que a decisão que liberou a publicação favoreceu o adversário e a de que as pessoas envolvidas devem responder por crimes eleitorais.
O que ainda não se sabe é quem de fato originou e impulsionou o boato sobre o título de padroeira, se há qualquer elemento concreto ligando membros da conferência episcopal a essa circulação, e qual será o desfecho do embate entre as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral sobre o conteúdo. Também não há, no material disponível, resposta do Partido dos Trabalhadores à acusação de manter uma estrutura de perfis financiada com dinheiro público. A definição prática de tudo isso vence rápido: o primeiro turno está marcado para o próximo domingo, com o senador e o presidente Lula em empate técnico nas pesquisas mais recentes.
Fontes

Dom Vicente Ferreira criticou Flávio Bolsonaro após acusação contra a CNBB e lembrou ataques de Jair Bolsonaro a bispos católicos.

OUTRO LADO: CNBB nega que tenha produzido ou divulgado desinformação

Jorge Messias solidariza-se com a CNBB e repudia ataques de Flávio Bolsonaro. "Fé genuína convence pelo amor, nunca pela imposição".

Ronaldo Caiado critica Flávio após acusação contra a CNBB e pede respeito às religiões e à fé do povo brasileiro.

Candidato do PSD disse que Flávio Bolsonaro