O Vaticano anunciou na quarta-feira, 5 de agosto, que o papa Leão 14 fará uma viagem apostólica à América do Sul entre os dias 6 e 17 de novembro, com passagens pelo Uruguai, pela Argentina e pelo Peru. Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, o roteiro atende a convites dos chefes de Estado e das autoridades eclesiásticas dos três países. Será a sexta viagem internacional do pontificado e a primeira à América Latina. O Brasil não está na programação.
As três coberturas convergem nos detalhes da agenda. O pontífice ficará no Uruguai de 6 a 8 de novembro, com paradas em Montevidéu, Paysandú e Florida. Entre os dias 8 e 11 estará na Argentina, passando por Buenos Aires, Córdoba e Luján. A última etapa, de 11 a 17 de novembro, será no Peru, com visitas a Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa. Também há acordo sobre a biografia que dá peso à viagem: nascido nos Estados Unidos, o papa tem cidadania peruana, chegou ao país em 1985 como missionário da Ordem de Santo Agostinho e foi bispo da Diocese de Chiclayo entre 2015 e 2023, antes de assumir funções na Cúria Romana. A Santa Sé informou que os itinerários completos serão divulgados em data posterior.
A divergência está na ênfase de cada campo, não nos fatos. Veículos de esquerda destacaram a dimensão pastoral e popular do roteiro: a homenagem, em Florida, à Virgem dos Trinta e Três, padroeira uruguaia associada à memória da independência do país, e o encerramento da viagem em Cusco, nos Andes, e em Pucallpa, na região amazônica, regiões distantes dos centros de poder. Essa cobertura também sublinhou que o Uruguai não recebia um papa desde 1988.
A cobertura de centro puxou o recorte diplomático e comparativo. Registrou de forma explícita que não há parada prevista no Brasil, lembrou que a última viagem de um pontífice à América do Sul foi em 2018, quando Francisco esteve no Chile e no Peru, e que a última passagem papal por território brasileiro foi em 2013, na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Também reconstituiu a série de viagens do pontificado anterior à região e listou os destinos já visitados pelo atual papa, entre eles Turquia, Líbano, Argélia, Camarões, Angola, Guiné Equatorial e Espanha.
Veículos de direita concentraram a leitura na trajetória institucional do pontífice e no contraste com o antecessor. Ressaltaram que a viagem marca a primeira visita de um papa à Argentina em quase quatro décadas, apesar de Francisco ser argentino e nunca ter retornado ao país natal durante seu pontificado. Também detalharam a atuação do atual papa na Conferência Episcopal Peruana, da qual foi vice-presidente, e sua participação em iniciativas voltadas ao enfrentamento de casos de abuso sexual dentro da Igreja.
O que ainda não se sabe é o essencial da execução. A Santa Sé não divulgou horários, locais de missa, encontros com autoridades civis nem a lista de compromissos institucionais em cada cidade. Nenhuma das coberturas apresenta explicação oficial para a ausência do Brasil no roteiro, e não há informação sobre eventual visita ao país em outra ocasião. Também não foi detalhado o formato dos encontros com os chefes de Estado que fizeram o convite.