Uma bateria de levantamentos do instituto Paraná Pesquisas, divulgada entre 6 e 7 de julho de 2026, desenhou o quadro das eleições estaduais em três estados brasileiros: Paraná, Goiás e Alagoas. O retrato mais comentado é o do Paraná, onde o senador e ex-juiz federal Sergio Moro, do PL, lidera a corrida ao governo com 39,9% das intenções de voto no cenário estimulado, à frente do deputado estadual Requião Filho, do PDT, que aparece com 21,1%. Rafael Greca, do MDB, surge com 14,5%, e Sandro Alex, do PSD, com 10,4%. Num segundo cenário, sem a presença de Greca, Moro amplia a vantagem e alcança 45,1%, contra 24,7% de Requião Filho. A pesquisa ouviu 1.500 eleitores entre os dias 3 e 6 de julho, tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-01166/2026.
A cobertura de centro, majoritária neste conjunto de matérias, tratou os números de forma factual, detalhando cenários espontâneo e estimulado, índices de rejeição e metodologia. Nesse recorte, chama atenção que Requião Filho, embora em segundo lugar, lidera a rejeição ao cargo de governador, com 33,7% de menções negativas, seguido pelo próprio Moro, com 25,3%. Veículos de direita enfatizaram a dimensão da vantagem de Moro e seu potencial de vitória já no primeiro turno, destacando o histórico do ex-juiz no combate à corrupção pela Operação Lava Jato como um ativo eleitoral. Uma matéria de perfil recuperou toda a trajetória de Moro, da magistratura em Curitiba ao Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, passando pela condenação de Lula em 2017 e pela posterior anulação dessas condenações pelo Supremo Tribunal Federal, em 2021.
A leitura que veículos de esquerda tenderiam a destacar recai sobre um dado de transparência presente em parte da cobertura: a pesquisa do Paraná foi contratada e paga pelo próprio Partido Liberal, ao custo de 135,9 mil reais, o que recomenda cautela na interpretação de uma sondagem encomendada por um dos partidos em disputa. Sob esse prisma, também se ressalta que a vantagem de Moro encolheu na comparação com junho, quando ele tinha 42,3%, e que o eleitorado segue majoritariamente indeciso: no cenário espontâneo, mais de 60% dos entrevistados não souberam dizer em quem votariam para o governo estadual.
Além do Paraná, o mesmo instituto mediu as disputas ao Senado. No estado, Alvaro Dias, do MDB, lidera o cenário em que seu nome é apresentado, com 39,7%, seguido pela ex-ministra do governo Lula, Gleisi Hoffmann, do PT, com 25,9%, e pelo ex-procurador Deltan Dallagnol, do Novo, com 25,2%. A disputa pela segunda vaga, no entanto, aparece embolada, com vários nomes em empate técnico dentro da margem de erro. Em Goiás, o governador Daniel Vilela, do MDB, lidera a corrida ao Executivo com 44,4%, contra 25,4% do ex-governador Marconi Perillo, do PSDB, num quadro de alta aprovação da gestão estadual, de 74,5%. Ao Senado goiano, a ex-primeira-dama Gracinha Caiado, do União Brasil, esposa do pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado, lidera com 35,1%. Em Alagoas, o prefeito de Maceió, JHC, do PSDB, aparece à frente com 45,9%, seguido por Renan Filho, do MDB, com 41%.
O que ainda não se sabe é como esses números se comportarão até as convenções partidárias, previstas para agosto, e ao longo da campanha oficial. As candidaturas ainda não estão formalizadas, o volume de indecisos é expressivo em vários cenários e as próprias rodadas anteriores do instituto já mostraram oscilações relevantes. Pesquisas realizadas a meses da eleição funcionam como fotografias de um momento, e não como projeção do resultado das urnas em outubro.