Uma rodada de pesquisas eleitorais divulgada no inicio de julho de 2026 desenhou o tabuleiro das disputas ao Senado, aos governos estaduais e a Presidencia a cerca de tres meses do primeiro turno. O levantamento de maior destaque, do instituto Paraná Pesquisas, foi feito na Bahia e trouxe dois retratos: na corrida por uma das duas vagas ao Senado, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) aparece com 50,6% das intencoes de voto, seguido pelo senador Jaques Wagner (PT), com 36,7%. Pelo governo baiano, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (Uniao Brasil) surge a frente do governador Jeronimo Rodrigues (PT), com 49,2% contra 37,5%. O instituto ouviu 1.500 eleitores em 64 municipios entre 27 e 30 de junho, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BA-04848/2026.
No plano nacional, o quadro se manteve estavel. A cobertura de centro, como a compilacao das pesquisas de junho, relatou que institutos como Datafolha, Quaest, Real Time Big Data e PoderData registraram Lula (PT) na lideranca do primeiro turno, com percentuais entre 38% e 41%, e o senador Flavio Bolsonaro (PL) em segundo, entre 29% e 36%. Os numeros mais recentes de AtlasIntel e Nexus repetiram a tendencia, com Lula na casa dos 42% a 46% e Flavio entre 34% e 37%.
Ha convergencia entre os veiculos sobre os fatos centrais: Lula lidera a disputa presidencial, a chamada terceira via nao decola e as candidaturas ao Senado se tornaram o no mais sensivel de 2026, ja que cada eleitor vota em dois nomes e os dois mais votados se elegem, independentemente de coligacao. A cobertura de centro, ancorada na analise do cientista politico Carlos Melo, do Insper, explicou que o palanque estreito de Lula, restrito a esquerda e a centro-esquerda, pode prejudicar seus aliados pela logica do 'segundo voto', sobretudo em Sao Paulo e no Rio Grande do Sul, onde a direita alinhou chapas fortes.
E nas enfases que os lados divergem. Veiculos de esquerda destacaram que os numeros confirmam Lula como favorito e expuseram o 'calvario' da terceira via, enquadrando 2026 como novo ponto de inflexao democratica diante do que chamam de ameaca da extrema-direita; leram ainda a operacao da Policia Federal contra Jaques Wagner, no ambito do caso Master, como episodio sensivel que atinge um dos principais quadros do campo popular as vesperas do pleito. Veiculos de direita, na leitura provavel a partir dos mesmos dados, enfatizariam o avanco de ACM Neto sobre o governo petista na Bahia e a consistencia das chapas oposicionistas ao Senado, como as de Guilherme Derrite e Andre do Prado em Sao Paulo e Marcel Van Hattem e Ubiratan Sanderson no Rio Grande do Sul, produto de um foco estrategico do bolsonarismo nessa eleicao desde 2018. A cobertura regional relatou movimento semelhante em Goias, onde a base governista de Ronaldo Caiado teme repetir a dispersao de candidaturas de 2022 e trabalha para eleger a ex-primeira-dama Gracinha Caiado.
O que ainda nao se sabe e como as chapas se fecharao de fato ate o registro oficial das candidaturas, se as investigacoes em curso, como a que envolve Jaques Wagner, afetarao as intencoes de voto nas proximas rodadas e se a terceira via conseguira algum ganho com movimentos como a entrada de Gilberto Kassab na vice de Caiado. As pesquisas retratam apenas o momento e podem oscilar dentro das margens de erro a medida que a campanha avanca.