O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou cinco pontos para baixo nas intenções de voto do Nordeste, segundo a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 29 de junho de 2026. Em uma simulação de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula passou de 66% para 61% na região, enquanto Flávio subiu de 28% para 30%. O levantamento ouviu 2.009 eleitores entre os dias 26 e 28 de junho, com margem de erro nacional de dois pontos. A rodada veio uma semana depois da operação da Polícia Federal que atingiu o então líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA), investigado por suposto envolvimento com um dos sócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Todos os veículos convergem nos números centrais. Lula vinha em recuperação no Nordeste: tinha 59% em maio, saltou para 66% em meados de junho e agora recuou para 61%. No cenário nacional, o petista oscilou de 49% para 47% e Flávio de 43% para 44%, ambos dentro da margem de erro. Lula também caiu no Sul, de 38% para 33%, mas subiu no Sudeste, de 45% para 47%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08521/2026. Há consenso de que a Bahia, maior colégio eleitoral do Nordeste, é peça central para a reeleição de Lula, já que nas últimas eleições deu a ele mais de 70% dos votos na ampla maioria dos municípios.
A cobertura diverge no peso atribuído à queda. Veículos de direita, como a VEJA, enquadram a oscilação como efeito direto do escândalo de corrupção: destacam que Wagner perdeu a liderança do governo no Senado, que Lula desistiu de caminhar ao lado do aliado na Bahia para se distanciar do desgaste e que a imagem afetada do senador tende a contaminar todas as candidaturas majoritárias do PT no estado. A cobertura de centro, representada pela coluna de Mônica Bergamo na Folha, relata os mesmos fatos com mais cautela: usa o verbo oscilar em vez de cair, lembra que a margem de erro nos recortes regionais sobe para quatro pontos e atribui a leitura da queda como efeito do escândalo a ministros do governo, e não a uma conclusão do próprio jornal. Veículos de esquerda, ao acompanhar o tema, tendem a enfatizar que a operação é uma investigação em curso, sem condenação, e que Lula vinha justamente em trajetória de recuperação na região antes da nova rodada.
A pesquisa também mediu o impacto do vídeo em que Michelle Bolsonaro atacou Flávio Bolsonaro. Os números indicam que o senador não sofreu danos eleitorais entre as mulheres, onde oscilou de 37% para 36%, e entre os evangélicos, onde subiu de 59% para 60%, ambos dentro da margem.
O que ainda não se sabe é se a oscilação no Nordeste se consolidará como tendência ou se foi um movimento pontual ligado ao noticiário da operação, já que parte da variação está próxima da margem de erro regional. Também permanece em aberto o desfecho da investigação contra Jaques Wagner e como a agenda de Lula na Bahia, com o governador Jerônimo Rodrigues, será reorganizada nas próximas semanas.