Duas pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral apontam que, a pouco mais de três meses do início oficial da campanha, as disputas estaduais de 2026 chegam à pré-campanha com altíssimo grau de indefinição. No Amazonas, levantamento do Instituto Direto ao Ponto Pesquisas mostra que 86% dos eleitores ainda não sabem em quem votar para deputado federal. No Distrito Federal, outra pesquisa indica que 43% não têm candidato definido para o governo, número que sobe para 65,6% quando somados os que votariam em branco, nulo ou não escolheriam nenhum dos nomes apresentados.
Os dois levantamentos seguem padrões técnicos e estão registrados no TSE. A pesquisa do Amazonas (registro AM-08042/2026) ouviu 1.200 eleitores em Manaus e em outros 15 municípios entre 15 e 20 de junho, com margem de erro de três pontos e confiança de 95,5%. A do Distrito Federal (registro DF-08746/2026) entrevistou 1.095 pessoas entre 11 e 15 de maio, com margem de 3,4 pontos e confiança de 95%. Na cobertura de centro, ambos os textos relataram os números com paridade entre os candidatos citados.
No Amazonas, na modalidade espontânea, o Sargento Salazar lidera a lembrança com 2,4% das citações, seguido por Adail Filho, Átila Lins e Sidney Leite, todos com 0,7%. Silas Câmara, Amom Mandel, Dra. Aryel Almeida, Fausto Jr. e Jesus Alves aparecem com índices ainda menores. No Distrito Federal, Celina Leão (PP) aparece numericamente à frente com 14%, seguida de José Roberto Arruda (9,3%) e Leandro Grass (PT) com 4,9%. Izalci Lucas, Paula Belmonte e Ibaneis Rocha registram percentuais de 1% a 1,3%.
É na leitura desses dados que as ênfases de cobertura se separam. Veículos de direita enfatizaram a fraqueza do PT no Distrito Federal, destacando que Leandro Grass aparece abaixo de 5%, e leram a resistência do eleitor à nacionalização da disputa como apetite por candidaturas locais e de centro, fora dos extremos ideológicos. A cobertura de centro relatou que nenhum nome consolidou maioria e que o cenário permanece aberto, sublinhando o caráter técnico das pesquisas espontâneas como retrato do grau de lembrança dos candidatos. Veículos de esquerda, por sua vez, tenderiam a interpretar o alto índice de indecisos como sinal de um eleitorado distante do debate, que exige mais transparência e acesso equânime à propaganda eleitoral, e a ler a baixa tração de nomes progressistas como reflexo do desequilíbrio de visibilidade e recursos na pré-campanha.
Há convergência sobre o essencial: a maioria dos eleitores ainda não decidiu o voto, e as duas corridas estão genuinamente abertas. Analistas citados consideram que, com o início da propaganda, debates e maior exposição dos candidatos, a tendência é que o conhecimento aumente e o percentual de indecisos diminua gradualmente.
O que ainda não se sabe é como esse universo de votos em disputa vai se acomodar quando a campanha oficial começar. As pesquisas divulgadas medem sobretudo a lembrança espontânea, e não trazem cenários estimulados completos nem reação dos candidatos aos números. Tampouco há, neste momento, leitura de mais de um instituto sobre cada disputa, o que deixa em aberto a consistência das tendências apontadas.