Duas pesquisas de intenção de voto divulgadas em junho de 2026 expõem um traço comum das disputas estaduais brasileiras a poucos meses do início oficial da campanha: um eleitorado ainda majoritariamente indeciso. No Amazonas, levantamento do Instituto Direto ao Ponto Pesquisas mostra que 86% dos eleitores ainda não sabem em quem votar para deputado federal. No Distrito Federal, uma pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral aponta que 43% dos eleitores não sabem em quem votar para governador.
No caso amazonense, o levantamento ouviu 1.200 eleitores em Manaus e em outros 15 municípios do interior, entre os dias 15 e 20 de junho, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95,5%. Na modalidade espontânea, quando o entrevistado responde sem ver uma lista de nomes, o Sargento Salazar aparece à frente, com 2,4% das citações, seguido por Adail Filho, Átila Lins e Sidney Leite, todos com 0,7%. A disputa por uma das oito vagas do estado na Câmara dos Deputados é descrita como completamente aberta.
No Distrito Federal, a pesquisa registrada no TSE sob o número DF-08746/2026 ouviu 1.095 eleitores entre 11 e 15 de maio, com margem de erro de 3,4 pontos percentuais e confiança de 95%. Entre os nomes citados espontaneamente, Celina Leão (PP) aparece numericamente à frente, com 14%, seguida por José Roberto Arruda, com 9,3%, e Leandro Grass (PT), com 4,9%. Quando se somam indecisos, brancos, nulos e eleitores que não escolheriam nenhum nome, o total chega a 65,6%.
A cobertura de centro relatou os números de forma descritiva, com destaque para os dados metodológicos e para a leitura técnica de que pesquisas espontâneas medem o grau de lembrança dos candidatos. Nessa interpretação, quando a maioria absoluta não cita um nome, o cenário é considerado altamente competitivo e sujeito a mudanças ao longo da campanha, à medida que avançam a propaganda eleitoral, os debates e as agendas públicas.
Veículos de esquerda tendem a enfatizar que o alto índice de indecisos mostra um eleitorado ainda não alcançado pelos pré-candidatos, sobretudo nas camadas populares e no interior, abrindo espaço para candidaturas que apresentem propostas concretas voltadas a serviços públicos e à redução de desigualdades regionais. Nessa leitura, a baixa adesão a nomes já conhecidos seria uma oportunidade para alternativas fora do establishment.
Já veículos de direita enfatizaram que a enorme indefinição enfraquece a tese de que a polarização nacional decide eleições estaduais. Para essa cobertura, a liderança de Celina Leão no DF e o desempenho abaixo de 5% atribuído ao PT reforçam que o eleitorado premia gestão, continuidade administrativa e discurso local, em vez de bandeiras ideológicas importadas da disputa nacional. A própria reportagem do DF observou a dificuldade da esquerda em ganhar tração e a resistência do eleitor à nacionalização da disputa.
O que ainda não se sabe é decisivo para a interpretação dos dois levantamentos. Nenhuma das reportagens informa quem contratou as pesquisas, e a matéria do Distrito Federal não nomeia o instituto responsável, citando apenas o registro no TSE. Também não há, até aqui, séries históricas que permitam comparar a evolução dos índices de indecisão, nem pesquisas estimuladas que apresentem aos eleitores a lista completa de pré-candidatos. Esses elementos só devem se esclarecer com o avanço da pré-campanha e a divulgação de novos levantamentos.