Uma pesquisa do Datafolha divulgada em 23 de junho de 2026 apontou uma melhora na expectativa dos brasileiros sobre a economia. O percentual dos que acreditam que a situação econômica do país vai piorar nos próximos meses caiu de 35% para 26% desde o início de março, uma queda de nove pontos. No mesmo período, a fatia dos otimistas, que esperam melhora, subiu de 30% para 36%. O levantamento foi feito nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, distribuídos por 139 municípios, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
A cobertura de centro detalhou os recortes da pesquisa. O otimismo com o futuro é maior entre os menos instruídos, entre quem tem renda familiar de até dois salários mínimos e entre os que pretendem votar no presidente Lula, grupo em que chega a 52%. Já o pessimismo é mais forte entre os mais instruídos, entre quem ganha mais de cinco salários e entre os que pretendem votar em Flávio Bolsonaro para presidente, com 45%. Sobre a situação financeira pessoal, 51% acreditam em melhoria, o mesmo patamar de março.
Veículos de esquerda destacariam que a queda do pessimismo é mais acentuada justamente entre os trabalhadores de menor renda e escolaridade, os mais sensíveis às políticas públicas. Nessa leitura, medidas como o programa de renegociação de dívidas Desenrola e a aprovação na Câmara da PEC que põe fim à escala de trabalho 6x1 melhoraram a vida concreta da população e explicam a maior confiança entre os eleitores do governo.
Veículos de direita enfatizariam o tom de cautela dos analistas ouvidos na reportagem. Para Fabio Pina, da FecomercioSP, os incentivos do governo sustentam emprego e consumo 'de forma artificial'. O cientista político Rafael Cortez, da Tendências, lembrou que em anos eleitorais costuma haver melhora na avaliação do governo, que intensifica a comunicação de feitos para gerar ganhos de curto prazo aos eleitores. Nessa chave, o otimismo seria efeito eleitoreiro, não recuperação estrutural.
A cobertura de centro registrou ainda fatores externos. Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, observou que, em março, a guerra no Oriente Médio havia acabado de começar, elevando o pessimismo pela disparada do petróleo; a tentativa de acordo entre Irã e Estados Unidos para reabrir o estreito de Hormuz teria contribuído para o otimismo atual. Analistas também citaram a proximidade da Copa do Mundo, que, nas palavras de Cortez, 'dá uma anestesiada' e canaliza a atenção da opinião pública.
Apesar do humor melhor em relação ao futuro, a pesquisa mostra um pessimismo ainda elevado com o presente. Segundo o Datafolha, 45% dos entrevistados avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, contra 46% em março, dentro da margem de erro. A percepção de melhora no presente caiu de 24% para 22%.
O que ainda não se sabe é se essa virada na expectativa vai se sustentar para além do ciclo eleitoral e da Copa do Mundo, e se os estímulos do governo terão efeito duradouro sobre emprego e renda. A PEC do fim da escala 6x1, citada como uma das apostas do cenário, ainda precisa ser avaliada pelo Senado, e o desfecho das negociações no Oriente Médio segue incerto.