BNDES chega a R$ 1,058 trilhão em ativos após lucro de R$ 9,2 bilhões
2 veículos de esquerda · 2 veículos de centro

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- Revista FórumBNDES atinge R$ 1 trilhão em ativos pela primeira vez na históriaBNDES registra lucro recorrente de R$ 17,1 bilhões em 12 meses e inadimplência de apenas 0,05%, abaixo da média do mercado financeiro(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
- Jornal GGNBNDES amplia crédito e registra lucro recorrente de R$ 9,2 bi no primeiro semestreResultado cresce 25% em um ano enquanto banco amplia financiamentos para infraestrutura, agro e pequenas empresas(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
- Notícias ao Minuto BrasilLucro do BNDES cresce 25% e chega a R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre (abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- Notícias ao Minuto BrasilLucro do BNDES cresce 25% e chega a R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre (abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Briefing
O que importa para você
- Micro, pequenas e médias empresas receberam R$ 108,2 bilhões em crédito e garantias, maior valor já registrado para um primeiro semestre.
- Aprovações para infraestrutura somaram R$ 46 bilhões, alta de 91%, o que tende a destravar obras e projetos de energia.
- Produtores rurais tiveram R$ 24,8 bilhões aprovados, alta de 46%, em meio a juros altos no crédito comercial.
- Os desembolsos do banco equivalem hoje a 1,4% do PIB, contra 1% há três anos.
Onde os lados divergem
- A cobertura de centro registrou que a inadimplência subiu 0,02 ponto percentual e detalhou a carteira de participações do banco em Petrobras, JBS, Eletrobras e Copel.
- A cobertura de esquerda omitiu a alta da inadimplência e priorizou as comparações favoráveis ao banco público, como os 0,05% de atraso contra 4,68% do Sistema Financeiro Nacional e o Índice de Basileia de 25,4%.
- Não houve cobertura de veículos de direita neste conjunto, de modo que a crítica ao custo fiscal do crédito direcionado não aparece em nenhuma reportagem.
Onde os lados concordam
Toda a cobertura converge nos números do balanço: lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no semestre e R$ 17,1 bilhões em doze meses, ativos totais de R$ 1,058 trilhão, aprovações de crédito de R$ 110,6 bilhões e desembolsos de R$ 74,8 bilhões, com infraestrutura e agropecuária puxando a expansão e inadimplência de 0,05%.
O que ainda está incerto
- Nenhuma reportagem informa as taxas médias e os prazos praticados nos financiamentos, nem o custo do funding do banco.
- Não se sabe qual parcela do lucro vem de resultado de tesouraria e de valorização das participações societárias, e não da intermediação de crédito.
- Não há indicação sobre a sustentação do ritmo de expansão do crédito no segundo semestre.
O BNDES fechou o primeiro semestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões, alta de 25%, e ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 1 trilhão em ativos. As aprovações de crédito cresceram 52% e os desembolsos, 37%. A cobertura dividiu-se entre o registro técnico dos indicadores e a leitura do resultado como demonstração da capacidade de gestão do Estado.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, apresentou em 12 de agosto de 2026, em São Paulo, o balanço do primeiro semestre. O lucro recorrente foi de R$ 9,2 bilhões entre janeiro e junho, alta de 25% sobre o mesmo período de 2025. O resultado recorrente exclui fatores extraordinários, que não devem se repetir. Em doze meses encerrados em junho, esse lucro chegou a R$ 17,1 bilhões, o maior da história do banco no intervalo. Os ativos totais do sistema somaram R$ 1,058 trilhão em 30 de junho, avanço de 10% ante dezembro de 2025 e primeira vez acima da marca de R$ 1 trilhão.
Os números de operação são os mesmos em toda a cobertura. As consultas de crédito, primeira etapa do fluxo de financiamento, cresceram 72% e chegaram a R$ 237,7 bilhões, dos quais R$ 110,6 bilhões foram aprovados, alta de 52%. Os desembolsos, recursos efetivamente liberados, somaram R$ 74,8 bilhões, aumento de 37%. Infraestrutura liderou, com R$ 46 bilhões aprovados e alta de 91%, seguida da agropecuária, com R$ 24,8 bilhões e alta de 46%. O apoio a micro, pequenas e médias empresas alcançou R$ 108,2 bilhões, maior valor já registrado para um primeiro semestre, somando crédito aprovado e garantias de fundos garantidores.
A cobertura de centro relatou o balanço em registro de agência, encadeando indicadores sem tomar partido: rentabilidade recorrente de 19,2%, inadimplência de 0,05% em atrasos acima de 90 dias e, no mesmo trecho, a informação de que esse índice subiu 0,02 ponto percentual na comparação anual. Esses textos detalharam ainda a carteira de participações societárias, de R$ 85,4 bilhões, com Petrobras, JBS, Eletrobras e Copel entre as principais investidas, e registraram a fala do presidente do banco, Aloizio Mercadante, sobre a prioridade a setores que ele chamou de portadores de futuro, como bioeconomia, minerais críticos, terras raras e lítio.
Veículos de esquerda destacaram outro eixo. Trataram o resultado como demonstração da capacidade de gestão do Estado, reproduzindo a avaliação de Mercadante de que uma empresa 100% pública pode ser muito bem administrada. Essa cobertura comparou a inadimplência de 0,05% do banco com os 4,68% do Sistema Financeiro Nacional e citou o Índice de Basileia de 25,4%, acima dos 10,5% exigidos pelo Banco Central. Também trouxe a leitura do diretor de Planejamento, Nelson Barbosa, de que as aprovações dos últimos doze meses equivalem a 2,1% do Produto Interno Bruto e os desembolsos passaram de 1% para 1,4% do PIB em três anos. Um desses textos ligou o desempenho ao patamar de juros do país, argumentando que o financiamento de longo prazo fica mais caro nesse cenário e que um banco de desenvolvimento ganha relevância por oferecer alternativa às condições do sistema bancário comercial.
A divergência, portanto, está menos nos fatos e mais na seleção deles. A cobertura de centro manteve o dado desfavorável da inadimplência em alta e a exposição do banco a grandes grupos privados; a de esquerda privilegiou as comparações que colocam a instituição pública acima da média do mercado e omitiu a piora do indicador de atraso. Veículos de direita não publicaram cobertura própria do balanço neste conjunto de reportagens, de modo que as objeções usualmente associadas a esse campo, sobre custo fiscal do crédito direcionado e Estado acionista, não aparecem em nenhuma das matérias analisadas.
O que ainda não se sabe é justamente o que permitiria julgar a qualidade da alocação. Nenhum dos textos informa as taxas médias cobradas, os prazos praticados, a origem e o custo do funding do banco, nem qual parcela do lucro vem de resultado de tesouraria e de valorização das participações societárias, e não da intermediação de crédito. Também não há projeção sobre a sustentação do ritmo de expansão no segundo semestre, nem detalhamento sobre quanto dos R$ 108,2 bilhões destinados às empresas de menor porte chegou efetivamente ao caixa delas.
Fontes


BNDES registra lucro recorrente de R$ 17,1 bilhões em 12 meses e inadimplência de apenas 0,05%, abaixo da média do mercado financeiro


Resultado cresce 25% em um ano enquanto banco amplia financiamentos para infraestrutura, agro e pequenas empresas