Conselho Nacional de Justiça libera inventário em cartório sem ITCMD pago antes
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O Conselho Nacional de Justiça decidiu que cartórios não podem exigir o pagamento prévio do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) para lavrar escrituras de inventário e partilha extrajudicial. A regra, formalizada pela Resolução CNJ nº 695, mantém o imposto devido e obriga o tabelião a comunicar o fisco, mas leis estaduais que exigem o recolhimento antes da escritura seguem em vigor, e a Fazenda de São Paulo diz que sua legislação não foi alterada.
Pela ótica da segurança jurídica e da desburocratização, a resolução do Conselho Nacional de Justiça reduz uma trava estatal sobre o patrimônio privado e acelera a sucessão em cartório, mas foi editada por órgão administrativo em matéria que a Constituição reserva à lei estadual. O resultado é incerteza para tabeliães, que respondem pessoalmente pelos tributos, e para os herdeiros.
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O Conselho Nacional de Justiça decidiu que cartórios não podem exigir o pagamento prévio do ITCMD para lavrar escrituras de inventário. O imposto continua devido e o fisco deve ser comunicado, mas a Fazenda de São Paulo diz que sua lei segue exigindo o recolhimento antes do ato.
O Conselho Nacional de Justiça decidiu que os cartórios não podem mais exigir o pagamento antecipado do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, o ITCMD, como condição para lavrar escrituras de inventário e partilha extrajudicial. Na sessão de 18 de agosto de 2026, o plenário do conselho julgou parcialmente procedente um pedido do Colégio Notarial do Brasil. A decisão foi formalizada pela Resolução CNJ nº 695, de 26 de agosto, que deu nova redação ao artigo 15 da Resolução nº 35/2007.
Pela nova regra, o tabelião deve registrar na escritura que as partes conhecem suas obrigações tributárias. Se o imposto ainda não foi pago, o cartório comunica o fisco estadual em até cinco dias, ou no prazo que a lei local fixar. A mudança não cria isenção nem redução do tributo. Como o ITCMD é estadual, cada estado continua definindo avaliação dos bens, prazos e forma de recolhimento, e o atraso pode gerar multa e juros.
O inventário extrajudicial é feito em cartório de notas, por escritura pública, sem processo judicial e com assistência obrigatória de advogado ou defensor público. Segundo o Colégio Notarial, foram 3.114.091 escrituras desse tipo entre 2007 e julho de 2026, com recorde de 261.602 em 2025. O presidente da entidade, Eduardo Calais, afirmou que muitas famílias recebem um imóvel, mas não têm dinheiro disponível para antecipar o imposto.
A cobertura de centro concentrou todo o debate até agora. Veículos de esquerda e veículos de direita não publicaram textos próprios sobre o assunto, e a leitura dos dois ângulos saiu de fontes de centro. Uma das matérias, de caráter informativo, destacou o ganho de acesso para herdeiros sem liquidez. Nela, o advogado Gilberto Alvarenga, da comissão tributária da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro, lembrou que o registro do imóvel ainda pode depender do pagamento, como já decidiu o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio.
A outra, uma análise jurídica, concordou com o mérito da tese, mas questionou o instrumento. O texto sustenta que leis estaduais seguem exigindo o recolhimento prévio, como o artigo 25 da Lei paulista nº 10.705/2000 e o artigo 12 da lei catarinense, e que uma resolução administrativa não revoga lei. A análise cita ainda o Código Tributário Nacional, que mantém o tabelião responsável pelos tributos dos atos que pratica. A Secretaria da Fazenda de São Paulo abriu um canal para receber as comunicações, mas declarou que isso não significa autorização para dispensar o pagamento prévio.
Ainda não se sabe como os demais estados vão adaptar seus procedimentos, se os tabeliães paulistas vão aplicar a resolução diante da lei estadual e se o conflito entre as normas chegará ao Supremo Tribunal Federal.
Imposto de transmissão poderá ser pago após escritura pública

Conselho decidiu ser indevida exigência de prévio recolhimento do ITCMD para lavratura de escritura de inventário e partilha extrajudicial
