Uma pesquisa BTG/Nexus, apresentada no programa Ponto de Vista, indica que a crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro já produz efeitos mensuráveis na candidatura presidencial de Flávio para 2026. Até o momento, apenas a Veja cobriu o levantamento, relatando que 27% dos entrevistados acreditam que o desgaste trará prejuízo grande à campanha, 19% preveem impacto pequeno e 40% dizem que o episódio não deve afetar a corrida do senador ao Palácio do Planalto.
Segundo a reportagem, o cientista político Leonardo Barreto avaliou que o efeito da crise é mais concentrado em dois grupos estratégicos: eleitores independentes e simpatizantes do bolsonarismo. Para ele, é justamente esse eleitorado intermediário que pode decidir o resultado de uma eleição presidencial, o que torna o episódio politicamente mais relevante do que sugerem os números gerais da pesquisa.
A matéria descreve que a repercussão da crise ajuda a explicar movimentos recentes de Flávio para reforçar publicamente sua condição de representante oficial do grupo político liderado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o texto, o senador já teve que reafirmar essa posição por três vezes, recorrendo inclusive a uma carta manuscrita do ex-presidente como prova de legitimidade dentro do campo bolsonarista.
A reportagem também relata sinais de divisão dentro desse campo. De acordo com Barreto, parte dos grupos historicamente alinhados à família Bolsonaro ainda resiste à candidatura de Flávio, apesar do sobrenome que carrega. O protagonismo assumido por Michelle Bolsonaro entre eleitoras conservadoras e o desconforto de setores evangélicos são apontados como fatores que abriram espaço, dentro do próprio campo, para vozes que defendem mais diálogo e negociação.
Segundo a cobertura, os efeitos da crise chegaram também a partidos de centro-direita. Políticos desse campo continuariam dispostos a apoiar Flávio, mas passaram a agir com mais cautela diante das turbulências internas, justamente no momento em que começam as articulações para as convenções partidárias. Para Barreto, o desafio central do senador, neste momento, ainda é interno: consolidar apoio dentro do próprio grupo político antes de disputar o eleitorado mais amplo na corrida contra Lula.
O que ainda não se sabe: a reportagem não detalha a ficha técnica completa da pesquisa BTG/Nexus, como margem de erro, tamanho da amostra e data exata de campo, nem traz a versão de Michelle Bolsonaro sobre o episódio. Também não há, até o momento, confirmação de outros institutos ou veículos abordando o mesmo levantamento, o que limita a possibilidade de comparar diferentes coberturas do caso.