Pesquisas não previram virada de Lula, eleito com 51,79% contra Flávio Bolsonaro
1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- Lula foi eleito com 51,79% dos votos válidos, margem de 4,4 milhões de votos.
- Lula ganhou 10,4 milhões de votos entre os turnos, 5,5 milhões só em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.
- Pesquisas só podem ser divulgadas se registradas no Tribunal Superior Eleitoral com 5 dias de antecedência.
Onde os lados concordam
- As pesquisas de véspera apontavam vantagem de Flávio Bolsonaro e não captaram a virada de Lula.
- A queda da abstenção, de cerca de 21% para cerca de 19%, foi decisiva para o resultado.
O que ainda está incerto
- Quanto da diferença entre pesquisas e urnas veio de mobilização, de mudança de voto ou de falhas de método.
- Qual foi o efeito real das medidas de campanha e da mobilização digital sobre o voto.
As pesquisas de intenção de voto do segundo turno mostravam Flávio Bolsonaro cerca de 2 pontos à frente na véspera, mas Lula venceu com 51,79% dos votos válidos. A abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, o Nordeste liderou o comparecimento e o presidente ganhou 10,4 milhões de votos entre os turnos.
As pesquisas de intenção de voto do segundo turno da eleição presidencial não conseguiram captar a virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, sobre o senador Flávio Bolsonaro, do PL. Na véspera da votação de 25 de outubro, a maioria dos levantamentos indicava Flávio cerca de 2 pontos percentuais à frente. Nas urnas, Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, uma margem de 4,4 milhões de votos.
Um levantamento que reuniu 33 pesquisas de 11 empresas, feitas entre 30 de setembro e 24 de outubro, mostra que todos os institutos chegaram a registrar empate numérico entre os dois candidatos. No primeiro turno, de 4 de outubro, o problema havia sido o inverso: poucas empresas colocaram Flávio à frente, e ele terminou a primeira votação na liderança.
Os dados disponíveis ajudam a explicar a diferença. Lula ganhou 10,4 milhões de votos entre os turnos. Em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, foram 5,5 milhões a mais, contra 2,05 milhões de Flávio nos mesmos estados. A abstenção nacional caiu de 21,08% para 19,22%. O Ceará teve a menor abstenção do país, de 13,89%, e o Nordeste deu a Lula 69,37% dos votos válidos.
A cobertura de centro relatou esses números e ponderou que pesquisas são retratos do momento da entrevista, sujeitos a margem de erro, e que não é possível determinar quanto da diferença veio da mobilização de eleitores, de mudanças de voto ou de outros fatores. Essa cobertura também criticou a exigência de registro das pesquisas no Tribunal Superior Eleitoral com cinco dias de antecedência, descrita como custosa e sem efeito sobre a precisão.
Um veículo de linha editorial de direita, em texto de tom descritivo, ouviu Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas. Para ele, os institutos não anteciparam a queda da abstenção nem a migração de eleitores que declaravam voto branco, nulo ou na terceira via, grupos que acabaram pendendo para Lula. Hidalgo atribuiu parte do movimento às medidas apresentadas pelo presidente no segundo turno, como o fim da escala 6x1, o pacote para microempreendedores individuais, o programa Desenrola e a passagem de ônibus aos fins de semana. Ele também apontou o deputado André Janones, coordenador de um canal de mensagens da campanha, como peça fundamental da virada. Esse texto destacou essas medidas sob o rótulo de pacote de bondades.
Até o momento, nenhum veículo de esquerda havia publicado análise própria sobre o desempenho das pesquisas, e os enquadramentos ideológicos sobre o tema ainda são incipientes.
O que ainda não se sabe é quanto do erro das pesquisas se deve à mudança de comportamento do eleitor na reta final e quanto a limitações de método dos institutos. Também não há dados públicos que meçam o efeito real das medidas de campanha ou da mobilização digital sobre o voto.
Fontes
Estudos mostravam uma diferença ainda pró-Flávio de 2 pontos percentuais na véspera da eleição. Leia no Poder360.

Para Murilo Hidalgo, do Paraná Pesquisas, levantamentos não identificaram queda da abstenção nem a migração de votos brancos e nulos
