A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal que faça uma nova tentativa de notificar o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida, denunciado por importunação sexual contra a ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O parecer foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso, depois que as primeiras diligências para localizar o ex-ministro não foram concluídas com sucesso. Sem a citação formal da defesa, o Supremo não pode decidir se recebe ou rejeita a denúncia apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet.
A cobertura de centro, de veículos como a Agência O Globo, relatou de forma factual que a denúncia foi apresentada em março de 2026 e trata exclusivamente do episódio envolvendo Anielle Franco, período em que ambos integravam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os demais fatos investigados foram remetidos à primeira instância por não guardarem relação com o exercício do cargo de ministro. Se a denúncia for recebida, Almeida passará à condição de réu perante o STF. Em maio, Mendonça já havia cobrado do Tribunal de Justiça de São Paulo esclarecimentos sobre a demora em cumprir a carta de ordem para citar o ex-ministro.
Há convergência entre os veículos sobre a cronologia dos fatos. A denúncia se apoiou em investigação da Polícia Federal, que indiciou Almeida por importunação sexual em novembro de 2024. O caso veio a público em setembro de 2024, quando a organização Me Too Brasil confirmou ter recebido denúncias de mulheres contra o ex-ministro e afirmou tê-las acolhido com apoio psicológico e jurídico. Naquele momento, Almeida foi demitido por Lula e negou todas as acusações.
A cobertura de esquerda, de veículos como a CartaCapital, destacou a solidez dos indícios reunidos contra Almeida, mencionando que integrantes da Polícia Federal relataram o estado emocional de Anielle Franco após os episódios descritos. Esses veículos situaram o caso num esforço institucional mais amplo de responsabilizar autoridades por violência sexual, aproximando-o de outro processo em curso, o do ministro do STJ Marco Buzzi, também acusado de importunação, e enfatizando a jurisprudência que valoriza o depoimento das supostas vítimas.
Não houve, até o momento, cobertura de veículos de direita no conjunto de fontes reunido. A leitura desse campo tenderia a enfatizar a presunção de inocência e o devido processo legal: o processo está parado há meses justamente porque a defesa ainda não foi formalmente citada, e o ex-ministro sustenta que as acusações são improcedentes e que o caso tramita sob sigilo. Esse ângulo cobraria que a Justiça esgote o rito antes de qualquer juízo de mérito, evitando condenação antecipada pela opinião pública.
O que ainda não se sabe é quando e se o STF conseguirá efetivar a citação de Silvio Almeida, condição sem a qual o mérito da denúncia não pode ser julgado. Também permanece em aberto o teor da defesa prévia, já que o ex-ministro optou por não se manifestar sobre o novo pedido da PGR, e o desfecho depende de tentativas ainda não esgotadas de localização.