A Procuradoria-Geral da República defendeu que os inquéritos que investigam o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixem o Supremo Tribunal Federal e sejam enviados à primeira instância da Justiça. A manifestação, dirigida ao ministro André Mendonça e divulgada em 20 de agosto de 2026, sustenta que não há entre os investigados nenhuma autoridade com foro por prerrogativa de função que justifique manter as apurações na Corte. A decisão final cabe a Mendonça, relator de dois dos processos. Um terceiro inquérito está sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Toda a cobertura converge nos fatos centrais. São três inquéritos abertos a pedido da Polícia Federal e autorizados pelo Supremo, todos derivados de desdobramentos da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. Fábio Luís Lula da Silva não é acusado de participação no esquema de descontos: ele é investigado por suspeitas de tráfico de influência e corrupção. O primeiro inquérito, autorizado em 30 de julho, apura se ele atuou para facilitar o acesso do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a integrantes do governo federal em tratativas sobre medicamentos à base de cannabis; o contrato citado pelos investigadores não foi fechado. O segundo, aberto no dia seguinte, trata de possível favorecimento de empresários em negociações envolvendo a Dataprev, empresa pública de tecnologia ligada ao governo federal. O terceiro, autorizado por Flávio Dino em 4 de agosto, investiga supostos negócios ilícitos em áreas do governo federal.
A cobertura de centro concentrou-se no debate jurídico da competência. Explicou o que é o foro por prerrogativa de função, lembrou que o empresário não ocupa cargo que lhe dê essa prerrogativa e registrou que o Supremo havia autorizado as apurações por entender que elas tinham conexão com investigações já sob sua supervisão. Parte dessa cobertura detalhou também o material colhido pela Polícia Federal, incluindo mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, que teria se apresentado como representante de Lulinha nas negociações com o Ministério da Saúde e mencionado uma remuneração de 20% no negócio de cannabis medicinal.
Veículos de esquerda relataram o mesmo conjunto de fatos, mas deram peso maior à resposta da defesa e ao contraditório. Registraram que os advogados negam irregularidades, classificam as informações divulgadas como vazamentos ilegais, questionam a imparcialidade da condução das apurações e afirmam que trechos recortados de relatórios parciais impedem avaliar contexto, legalidade e cadeia de custódia. Essa cobertura também anotou que a defesa de Roberta Luchsinger nega irregularidades e que ela teria feito ao menos 40 visitas a ministérios e à Presidência entre 2023 e 2024. Veículos de direita não publicaram matéria sobre esta manifestação da Procuradoria no conjunto analisado, o que deixa sem registro o enquadramento que costuma cobrar rigor sobre o alcance do foro e sobre eventual tratamento diferenciado a familiares de autoridades.
O que ainda não se sabe é o essencial. André Mendonça não decidiu se acolhe o pedido, e não há prazo público para isso. Também não está esclarecido se o inquérito relatado por Flávio Dino teria o mesmo destino caso os outros dois desçam de instância. A íntegra da manifestação da Procuradoria não foi divulgada, e seu teor é conhecido pelo relato da defesa e por informações confirmadas junto às apurações. Não há, até aqui, imputação formal contra o empresário, e nenhuma das partes informou se o material sob suspeita de vazamento será objeto de decisão específica no mesmo processo.