O Partido Liberal fechou em 4 de agosto de 2026 uma chapa formada exclusivamente por filiados próprios no Rio de Janeiro. O deputado federal Carlos Jordy foi confirmado como candidato ao Senado ao lado do senador Carlos Portinho, que tenta a reeleição. Na disputa pelo governo do estado, o presidente da Assembleia Legislativa fluminense, Douglas Ruas, terá como vice a vereadora de Niterói Fernanda Louback, que antes seria candidata a deputada estadual. O desenho foi selado depois que a federação União Brasil-PP declarou neutralidade no estado, em alinhamento com a posição adotada nacionalmente.
A cobertura de centro relatou o encadeamento de recuos que levou a esse resultado. Em maio, o ex-governador Cláudio Castro retirou a pré-candidatura ao Senado após ser alvo de operações da Polícia Federal e já enfrentar decisão do Tribunal Superior Eleitoral que o tornou inelegível. Em 3 de agosto, o ex-deputado Márcio Canella também deixou a disputa pela Casa, depois de ser atingido por uma operação policial que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis, e passou a mirar uma vaga na Assembleia Legislativa. Antes disso, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa havia abandonado a vaga de vice na chapa ao governo. Portinho ocupou o espaço de Castro e Jordy herdou a vaga de Canella.
Há convergência sobre o efeito prático da neutralidade da federação. Sem esses partidos na coligação, a campanha de Douglas Ruas ficará com menos da metade do tempo de propaganda no rádio e na televisão em comparação com o prefeito Eduardo Paes, que lidera as pesquisas. No levantamento Genial/Quaest divulgado na semana anterior, Paes marcava 38%, enquanto Ruas aparecia empatado em segundo lugar com o ex-governador Anthony Garotinho, ambos com 10%.
Veículos de direita enfatizaram que a opção por chapas próprias é orientação nacional do partido, e não improviso. Em Sergipe, o menor colégio eleitoral do Nordeste, a legenda realizou convenções no mesmo dia e lançou o vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, ao governo, com a vereadora Pastora Salete como vice, além do deputado federal Rodrigo Valadares e do Coronel Rocha ao Senado. Segundo pesquisa Real Time Big Data feita entre 28 de julho e 1º de agosto, com 1.600 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais, Marques tinha 6% contra 43% do atual governador e 40% do segundo colocado. Em nota, a assessoria afirmou que a estratégia busca ampliar a bancada no Congresso e nas assembleias. Na mesma linha, outra legenda do campo liberal convidou o senador Eduardo Girão para compor como vice a chapa presidencial encabeçada pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, também sem aliança externa.
A divergência está no significado do arranjo. A leitura que veículos de esquerda tendem a fazer do episódio destaca o isolamento do bolsonarismo no estado que projetou a família Bolsonaro, com siglas do centro recusando compromisso formal e dois pré-candidatos ao Senado saindo da disputa depois de virarem alvo da Polícia Federal. Já a leitura de direita trata a chapa fechada como preservação de identidade partidária diante de aliados que negociam apoio por conveniência, e atribui o afastamento das siglas ao cálculo de reduzir exposição a investigações. A cobertura de centro registrou ainda que, dentro do próprio partido no Rio, há queixa de falta de gestos do presidenciável em favor de uma aliança mais robusta.
O que ainda não se sabe é se os quadros dos partidos que declararam neutralidade migrarão em apoios avulsos ao adversário líder das pesquisas, e em que medida isso alterará o quadro fluminense. Também não está esclarecido o estágio processual das operações policiais que atingiram os pré-candidatos que desistiram, nem se haverá acusação formal. Falta ainda a definição oficial do tempo de propaganda de cada coligação e a confirmação, pelas convenções, de que o mesmo modelo de chapa própria será replicado nos demais estados.