A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na manhã desta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, uma nova fase da Operação Contenção para cumprir mandados de prisão preventiva contra integrantes do Comando Vermelho que atuam no Complexo do Fallet-Fogueteiro, na região central da capital fluminense. Segundo os números divulgados pela própria corporação, eram 98 alvos. Até o meio da manhã, oito pessoas haviam sido presas, e o balanço do dia chegou a dez detidos. O principal alvo é o apontado chefe do tráfico no Morro do Fogueteiro e no Fallet, conhecido como Paulinho do Fogueteiro.
O eixo da investigação, conduzida pela delegacia especializada em roubos e furtos de automóveis da capital, é a tese de que a facção transformou o roubo de veículos em linha estruturada de financiamento. De acordo com a polícia, os carros furtados ou roubados abasteciam desmanches clandestinos e o comércio ilegal de peças, além de serem usados em outras ações criminosas, alimentando um ciclo de arrecadação do grupo. A denúncia apresentada pelo Ministério Público descreve uma associação para o tráfico com hierarquia definida, divisão de funções e controle territorial. A apuração começou mirando o tráfico de drogas e mudou de rumo quando o mapeamento de ocorrências apontou alta de roubos nos bairros do entorno, na contramão da queda registrada no restante da cidade.
A cobertura de centro detalhou a engenharia econômica atribuída à facção e os dados comparativos apresentados pela polícia: entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, os roubos de veículos subiram 58,3% em Santa Teresa, 17,4% no Centro e 15% na Tijuca, exatamente no corredor urbano que a investigação associa à expansão do grupo. Esse recorte trata a operação sobretudo como resultado de trabalho de inteligência que fechou o cerco sobre o caixa da organização, e registra ainda que a facção negociava veículos de concessionária diretamente para devolução.
Veículos de esquerda relataram os mesmos fatos, mas ancoraram a ação no histórico da própria Operação Contenção, iniciada em 2025 para desarticular as estruturas financeira, logística e operacional da facção. Nessa leitura ganham peso os números acumulados da política: a primeira fase, no Complexo do Alemão, no fim de outubro do ano passado, terminou com 122 mortos, sendo 117 suspeitos e cinco policiais, e é apontada como a ação policial mais letal da história do país. Desde então, a operação soma 137 suspeitos mortos, 370 presos e cerca de 480 armas apreendidas, entre elas 190 fuzis. O enquadramento coloca a prisão em massa desta quarta-feira dentro de um balanço mais amplo sobre custo humano e resultado.
Não houve, entre os veículos reunidos nesta cobertura, matéria de veículos de direita sobre esta fase da operação. O ângulo que fica ausente é o da leitura de eficácia, que costuma sustentar que o Estado retoma território ao atacar o financiamento do crime organizado com inteligência, denúncia e prisão preventiva, tese que os próprios dados divulgados pela polícia alimentam.
O que ainda não se sabe é quanto do plano foi de fato cumprido. Nenhuma das reportagens informa quantos dos 98 mandados haviam sido executados ao fim do dia, se o principal alvo foi capturado, se houve confronto armado durante a ação ou qual será o desdobramento processual dos detidos. Também não há manifestação da defesa dos investigados nem de moradores das comunidades atingidas.