A pequena Reginópolis, no interior de São Paulo, definiu seu novo prefeito por uma das margens mais apertadas possíveis. No domingo, 21 de junho de 2026, em eleição suplementar, João Paulo, do PSD, foi eleito com 1.880 votos, ou 50,46% dos votos válidos, apenas 34 votos à frente de Marquinho Bastos, do União Brasil, que somou 1.846 votos (49,54%). Cerca de 4.700 eleitores estavam aptos a votar na cidade. A proximidade foi tamanha que a diferença entre os dois candidatos acabou menor que a soma dos votos nulos (90) e brancos (56) computados no município.
A cobertura de centro relatou que a nova eleição foi convocada pela Justiça Eleitoral em razão de uma reviravolta jurídica. O candidato mais votado no pleito de 2024, Ronaldo Correa, do Podemos, teve seu registro de candidatura indeferido de forma definitiva por inelegibilidade. A causa, segundo as reportagens, foi uma condenação de 2020 por fraude à cota de gênero, que resultou em cassação do mandato e oito anos de inelegibilidade. Com a confirmação do impedimento, o Tribunal Regional Eleitoral determinou a realização de um novo pleito.
Os veículos de centro também detalharam o perfil do vencedor. João Paulo, de 34 anos, já havia disputado a eleição de 2024, quando ficou em segundo lugar. Foi vereador entre 2012 e 2016 e vice-prefeito de 2017 a 2020, em chapa encabeçada por sua mãe, Carolina Araújo de Sousa Veríssimo, a Carola. Ele chegou a assumir a prefeitura de forma interina em 2020, quando Carola foi afastada por decisão da Justiça num processo de improbidade administrativa. Nas redes sociais, João Paulo agradeceu aos eleitores e compartilhou imagens da carreata da vitória. Já Marquinho Bastos, ex-prefeito por dois mandatos, publicou um vídeo em que agradeceu aos eleitores 'com muita dor' e afirmou que 'este não é o fim'.
Veículos de direita destacaram que o resultado foi diretamente moldado por uma decisão judicial: o candidato mais votado em 2024 foi barrado, e a cidade precisou arcar com o custo de um novo pleito. Nessa leitura, a vitória por apenas 34 votos, somada ao volume de nulos e brancos, evidencia um eleitorado dividido e o desgaste de processos eleitorais reabertos pela via da Justiça. Esses veículos também enquadram a disputa como continuidade de grupos políticos tradicionais da cidade, com o retorno de um ex-prefeito de um lado e, do outro, um nome ligado à família que já comandou a prefeitura.
Numa chave distinta, uma leitura de esquerda enfatizaria que a anulação do pleito anterior representa a Justiça Eleitoral cumprindo seu papel de proteger a integridade democrática, ao punir uma fraude à cota de gênero, mecanismo criado para garantir a participação política das mulheres. Sob esse ângulo, regras de inelegibilidade e de cotas seriam instrumentos de equidade, e a margem mínima reforçaria a importância de cada voto.
No mesmo domingo, outra eleição suplementar ocorreu em Joviânia, na região sul de Goiás. Ali, Elisberto da Retro, do Podemos, foi eleito prefeito com 64,98% dos votos válidos, enquanto Pedro Lucas, o Macaco, do MDB, ficou com 35,02%. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, dos 5.781 eleitores aptos, 4.420 compareceram, com abstenção de 20,49%. Também esse pleito foi determinado pela Justiça Eleitoral, que ordenou nova votação no município.
O que ainda não se sabe é o detalhamento do motivo jurídico específico que levou à nova eleição em Joviânia, já que as reportagens citam apenas a decisão da Justiça sem expor a causa. Também permanece em aberto como o resultado tão apertado em Reginópolis poderá ser contestado e quais serão os próximos passos políticos de Marquinho Bastos, que sinalizou intenção de seguir na disputa.