A menos de um mês do início das convenções partidárias, marcadas para 20 de julho, as pré-campanhas dos presidenciáveis intensificam as negociações para definir os candidatos a vice-presidente. A cobertura de centro relatou que dois critérios principais orientam as escolhas: encontrar nomes capazes de reduzir resistências em parcelas do eleitorado e ampliar o tempo de rádio e televisão por meio de coligações partidárias. O cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais, avalia que o vice funciona como uma sinalização para segmentos específicos do público e para outros partidos, ainda que nem sempre agregue votos de forma direta.
Há pontos em que as diferentes coberturas convergem. Todas registram que o presidente Lula confirmou a repetição da chapa de 2022, mantendo Geraldo Alckmin como candidato a vice. A decisão não foi automática: parte do entorno do petista defendia um nome do MDB para ampliar a base de centro, mas a opção por Alckmin prevaleceu. Veículos de esquerda destacaram que a escolha valoriza a fidelidade e a atuação institucional de Alckmin, sobretudo nas articulações contra o tarifaço de Donald Trump, num gesto de estabilidade e diálogo com o centro político. O exemplo de 2022, quando Lula convidou um adversário histórico para a chapa, é lembrado como o modelo dessa estratégia de aliança ampla.
Do outro lado, veículos de direita enfatizaram o cálculo pragmático no campo bolsonarista. Na campanha do senador Flávio Bolsonaro, a procura por uma mulher para compor a chapa tornou-se prioridade após a divulgação de um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticando-o. Aliados do PL avaliam que atrair o eleitorado feminino virou necessidade. Três nomes do PP despontam: a deputada Simone Marquetto, de São Paulo, que poderia atrair católicos; a deputada Clarissa Tércio, de Pernambuco, de origem evangélica; e a senadora Tereza Cristina, do Mato Grosso do Sul, considerada um nome impecável pela experiência e pelo diálogo com o agronegócio. O irmão Eduardo Bolsonaro defende a deputada Julia Zanatta, mas integrantes pragmáticos da campanha alertam contra uma chapa puro-sangue e defendem uma coligação com partidos grandes, como PP ou União Brasil, justamente para ampliar o tempo de TV e a competitividade.
É aí que as ênfases das coberturas se separam. A leitura de esquerda tende a enxergar nas manobras da direita um sinal de fragilidade interna e de tentativa de conter a perda de apoio, ao mesmo tempo em que valoriza a coesão da frente ampla em torno de Lula. A cobertura de direita, por sua vez, trata a montagem das chapas como exercício de eficiência eleitoral, em que afinidade ideológica importa menos que a capacidade de somar legendas, tempo de mídia e nichos do eleitorado. A cobertura de centro mantém o foco nos critérios técnicos e nos fatos confirmados, sem aderir a nenhum dos enquadramentos.
O que ainda não se sabe é o desfecho das negociações. Nenhum dos nomes cogitados para a vice de Flávio Bolsonaro estava confirmado, e o detalhamento das demais pré-candidaturas presidenciais não foi apresentado. As convenções de 20 de julho devem ser o momento em que os partidos batem o martelo sobre as chapas.