O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a revogação da sanção pessoal que o Departamento do Tesouro americano lhe impôs em outubro de 2025, quando Washington alegou que o líder colombiano não havia contido o tráfico de drogas. Segundo o gabinete de Petro, o pedido foi feito em uma conversa telefônica, na qual Trump teria respondido que faria "o possível". Publicamente, o americano ainda não se manifestou. O episódio ocorre nas últimas semanas de um mandato conturbado: Petro deixa o cargo antes da posse do conservador Abelardo de la Espriella, cuja vitória afirma não reconhecer, e antecipou sua saída para 20 de julho, quando convocou uma mobilização nacional.
A cobertura de centro, representada pela agência Folhapress reproduzida pelo Notícias ao Minuto, relatou os fatos de forma direta. A ligação tratou também dos esforços colombianos para reduzir o cultivo de coca, com a meta de erradicar cerca de 41 mil hectares até o fim de 2026, e lembrou que a cooperação antidrogas é um eixo histórico entre os dois países, apesar dos atritos recentes. A sanção, aplicada pelo Tesouro, foi descrita como medida incomum contra um presidente colombiano.
Veículos de esquerda enfatizaram outros ângulos. A Opera Mundi destacou a disputa interna na Colômbia, apresentando De la Espriella como líder de "extrema direita" que pediu a suspensão da Comissão de Transição sob a alegação de falta de transparência, e deu relevo à resposta de Petro, para quem quem se retira da transição são os que "não suportam" o escrutínio popular. A CartaCapital, por sua vez, tratou de um episódio paralelo envolvendo o Brasil: o bolsonarista Paulo Figueiredo protocolou manifestação no Escritório do Representante Comercial dos EUA, o USTR, pedindo que Washington troque o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros por sanções individuais contra ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, sob o argumento de que a punição deveria atingir autoridades específicas, e não a economia.
Veículos de direita não cobriram diretamente estes episódios, mas a leitura provável desse campo enfatizaria que as sanções americanas responderam a falhas concretas no combate ao narcotráfico e que a exigência de transparência na transição colombiana é uma defesa legítima da ordem constitucional. No caso brasileiro, sustentaria que o alvo correto seriam autoridades apontadas como responsáveis, poupando exportadores da sobretaxa.
O que ainda não se sabe é se Trump atenderá ao pedido de Petro, já que publicamente o americano não se pronunciou, nem qual será a decisão final do USTR sobre o Brasil após a audiência pública marcada para 6 de julho. Também permanece em aberto como se dará a transferência de poder na Colômbia diante do impasse entre o governo que sai e o que entra.