No início de julho de 2026, duas frentes de pressão sobre a Casa Branca de Donald Trump ganharam destaque na cobertura, unidas por um mesmo pedido: mudar o alvo das sanções americanas. Na América Latina, o presidente colombiano Gustavo Petro telefonou a Trump e solicitou a revogação da sanção pessoal que os Estados Unidos lhe impuseram em outubro de 2025. No Brasil, o bolsonarista Paulo Figueiredo protocolou uma manifestação no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, pedindo que Washington troque a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros por sanções individuais contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
No caso colombiano, a cobertura de centro relatou de forma factual que o gabinete de Petro descreveu a ligação como um pedido de revogação da punição aplicada pelo Departamento do Tesouro, ao que Trump teria respondido que faria o possível, sem se comprometer publicamente. O governo colombiano vinculou a conversa aos esforços do país para reduzir o cultivo de coca, afirmando ter erradicado cerca de 30 mil hectares em um programa voluntário e mirando 41 mil hectares até o fim de 2026. A sanção original, segundo a AFP, foi incomum por atingir um presidente eleito, uma medida geralmente reservada a chefes do narcotráfico e a ditadores acusados de graves violações de direitos humanos.
No caso brasileiro, veículos de esquerda destacaram que Figueiredo, apresentado como um dos principais articuladores da ofensiva de Trump contra o Brasil, defende a retomada da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, sua extensão a Gilmar Mendes e aos demais integrantes da Primeira Turma da Corte, entre eles Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. No documento de 11 páginas, o bolsonarista sustenta que a investigação comercial americana identificou condutas atribuídas a autoridades específicas e que, por isso, as punições deveriam mirar essas pessoas, e não a economia brasileira como um todo.
É nesse ponto que a cobertura revela divergências de enquadramento. Veículos de direita, na leitura reproduzida pela própria reportagem, enfatizaram o argumento de eficiência e responsabilização individual: uma sanção personalizada atingiria os supostos responsáveis sem penalizar exportadores, importadores e consumidores, ao passo que o tarifaço amplo puniria a economia inteira. Já a cobertura de centro tratou o episódio de forma factual, sem tomar partido, relatando o teor do documento e o calendário da investigação. Veículos de esquerda, por sua vez, enfatizaram o ângulo da soberania nacional e das instituições, tratando a iniciativa como um ataque ao Judiciário brasileiro e ressaltando que tanto Figueiredo quanto o senador Flávio Bolsonaro admitem que o tarifaço fortaleceria politicamente Lula em ano eleitoral. A cobertura de esquerda também lembrou que as sanções a Moraes vigoraram de julho a dezembro de 2025 e foram retiradas após uma conversa telefônica entre Trump e Lula, movimento que o bolsonarista classifica como concessão sem contrapartida.
O que ainda não se sabe é qual será a decisão final de Trump nos dois casos. Na Colômbia, o presidente americano não se comprometeu publicamente a retirar a sanção pessoal de Petro. No Brasil, a audiência pública da investigação comercial do USTR estava marcada para 6 de julho de 2026, com a participação anunciada de Figueiredo, e só depois dela o governo americano decidiria entre manter o tarifaço, adotar sanções individuais ou combinar as medidas. Os ministros do STF citados na manifestação não haviam se manifestado sobre o pedido até o fechamento das reportagens.