Até o momento, apenas a Folhapress, via Notícias ao Minuto, cobriu detalhadamente o aumento nas mortes de motociclistas em São Paulo, com base em dados do Infosiga, sistema estadual que mede a letalidade no trânsito. Segundo o levantamento, divulgado em 15 de julho, o primeiro semestre de 2026 foi o segundo mais letal da série histórica para motociclistas na capital paulista, com 238 óbitos, atrás apenas de 2024, quando foram registradas 239 mortes no mesmo período. Na comparação entre semestres, o número de motociclistas mortos cresceu 8,2% em relação aos primeiros seis meses de 2025, quando haviam sido contabilizados 220 casos. A frota de motos cresceu apenas 4,5% no período, segundo a Senatran, o que é insuficiente para explicar sozinho o salto na mortalidade. Somente em junho, 50 pessoas que estavam em motocicletas morreram na capital paulista, o maior número mensal do ano.
A reportagem relata que, no geral, as mortes em acidentes de trânsito na cidade se mantiveram praticamente estáveis, com 489 óbitos no semestre contra 483 no mesmo período de 2025, uma alta de 1,2%. Houve queda de 22% nas vítimas que estavam em automóveis. Já no estado de São Paulo como um todo, houve queda de 6% no total de mortes no trânsito, o que reforça que o problema se concentra especificamente nos motociclistas da capital.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam a falta de fiscalização de velocidade como um dos principais fatores por trás do agravamento do quadro. Mariana Novaski, coordenadora de Dados e Vigilância da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, afirma que a cidade está destoando dos demais municípios paulistas e chama a situação de descaso. Um levantamento do Instituto Cordial em parceria com a Abramet, citado na reportagem, mostrou que 95% dos acidentes que levaram motociclistas à internação no Hospital das Clínicas ocorreram em vias sem fiscalização eletrônica de velocidade, e que em quase 70% dos casos sequer havia sinalização do limite de velocidade no local.
A Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes, respondeu às críticas afirmando que a ampliação da segurança viária é um trabalho contínuo. A administração municipal destaca o projeto da faixa azul, com 233,3 quilômetros de sinalização exclusiva para motos desde 2022, e mais de mil bolsões de espera para motocicletas em semáforos. A reportagem também menciona um leve aumento nos atropelamentos na cidade, de 187 para 190 casos, e cita a avaliação de Ana Carolina Nunes, da organização Cidadeapé, de que mudanças no desenho viário em áreas próximas a eixos de transporte público poderiam reduzir o número de atropelamentos.
O que ainda não fica claro na cobertura disponível é se a Prefeitura pretende ampliar a fiscalização eletrônica de velocidade especificamente voltada a motociclistas, quais metas concretas existem para reverter a tendência de alta, e se outras cidades brasileiras enfrentam problema semelhante ou se o agravamento é uma particularidade paulistana.