O Partido Socialista Brasileiro oficializou, na noite de quarta-feira, em Brasília, a coligação com o Partido dos Trabalhadores e a candidatura de Geraldo Alckmin à vice-presidência da República na chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O arranjo repete a dobradinha eleita em 2022 e integra o PSB à federação formada com PT, PCdoB e PV. A formalização do nome de Lula, no entanto, só deve ocorrer na convenção nacional do PT, marcada para 2 de agosto.
A cobertura de centro relatou os detalhes do ato, que contou com a presença do próprio Lula e de vários ministros do governo. Nesse enquadramento, a escolha de Alckmin é lida como sinalização de continuidade das políticas do governo e de previsibilidade para o mercado financeiro e o setor empresarial, que enxergam no ex-governador de São Paulo uma figura de bom trânsito. A mesma cobertura registrou o histórico da aliança: até 2018, Lula e Alckmin eram adversários e chegaram a disputar a Presidência um contra o outro em 2006, antes de a rivalidade entre PT e o antigo PSDB dar lugar a uma frente ampla contra o bolsonarismo.
Veículos de esquerda destacaram o tom de defesa das instituições. Ao ser confirmado, Alckmin fez um discurso endereçado à família Bolsonaro e afirmou que quem não acredita na democracia não deveria disputar eleição nem pedir o voto do povo. Nesse enquadramento, a chapa reafirma a frente democrática que venceu em 2022 e reúne o campo progressista em torno da continuidade de políticas sociais e de desenvolvimento industrial, com o vice apresentado como fiador da lealdade e da estabilidade.
Veículos de direita não deram destaque ao anúncio; a leitura provável desse campo enfatizaria o cálculo eleitoral por trás da aliança, a dependência do PT de uma figura vinda do antigo PSDB para projetar moderação, e a decisão do chamado Centrão de optar pela neutralidade na disputa, sinal dos limites da base de apoio à reeleição. Esse campo tende a apontar que a previsibilidade prometida ao mercado convive com a agenda de gasto público do governo.
Na mesma semana, o quadro de convenções se ampliou: o PRTB lançou em Goiás a candidatura de Leonardo Avalanche à Presidência, com propostas como a criação de um imposto único de 3,5% e a redução da tributação sobre motoristas de aplicativos. Outras siglas têm convenções marcadas nos próximos dias.
O que ainda não se sabe é o desenho final da coligação — quais partidos além da federação embarcarão na chapa da reeleição —, a extensão real da neutralidade do Centrão e o cronograma completo das convenções que definirão o tabuleiro presidencial de 2026.