Lula endurece tom sobre inquéritos de Lulinha sob pressão da campanha do PT
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adotar um discurso mais duro sobre as suspeitas que envolvem seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeita de tráfico de influência. A nova linha, definida em reuniões da campanha, é afirmar que ninguém está acima da lei e que não haverá troca de delegado ou de investigadores para beneficiar o filho. A mudança deve aparecer em entrevista marcada para quinta-feira, 27, véspera do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Para uma leitura de direita, o caso expõe a distância entre o discurso anticorrupção e a prática no entorno imediato do poder. As suspeitas alcançam o filho do presidente e o ex-chefe de gabinete que controlava a agenda do Palácio do Planalto, ou seja, a antessala do gabinete presidencial.
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Veículos com viés à direita
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Toda a cobertura registra que Fábio Luís Lula da Silva é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeita de tráfico de influência, que o Palácio do Planalto considera mais graves os indícios contra o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, e que o assunto virou o ponto mais vulnerável da campanha à reeleição, discutido abertamente pelos coordenadores nesta semana.
Lula decidiu endurecer o discurso sobre os três inquéritos que miram seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no Supremo Tribunal Federal. A nova linha foi definida em reuniões da campanha e deve aparecer em entrevista na quinta-feira, véspera do início da propaganda eleitoral. Abaixo, como cada lado do noticiário enquadrou o caso e o que ainda não foi respondido.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu endurecer o discurso sobre as suspeitas que envolvem seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal por suspeita de tráfico de influência. A mudança de tom foi costurada em reuniões da campanha nesta semana e deve aparecer em uma sabatina em telejornal de alcance nacional marcada para quinta-feira, 27, véspera do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. A linha combinada é afirmar que ninguém está acima da lei no governo e que não haverá troca de delegado ou de investigadores para beneficiar o filho.
A cobertura de centro relatou que os inquéritos giram em torno da relação de Fábio Luís com a lobista Roberta Luchsinger, que tentou fechar contratos com a União. Uma das linhas de apuração envolve a discussão de um contrato para fornecimento de medicamentos à base de cannabis, que não chegou a ser assinado pelo Ministério da Saúde. Essa mesma cobertura registrou que assessores orientaram o presidente a separar a situação do filho da do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, cujos indícios são considerados mais graves dentro do Palácio do Planalto. Segundo a Polícia Federal, a lobista fez pagamentos e comprou duas joias para o ex-assessor, que ainda teria pedido a ela um quadro avaliado em 100 mil euros. Ele afirma que os valores eram empréstimo, quitado com um depósito de 249 mil reais.
Veículos de direita enfatizaram o custo eleitoral do caso e a resistência inicial do presidente em adotar o tom mais duro pedido pelos coordenadores de campanha, que queriam ouvi-lo dizer com todas as letras que nenhum pai responde por atos de filhos maiores de idade. Nesse enquadramento, o episódio aparece como potencial escândalo capaz de contaminar a candidatura ao quarto mandato, ao lado do índice de rejeição em torno de 50% e da avaliação de um modelo de predição eleitoral segundo o qual o pêndulo hoje aponta vantagem da direita em eventual segundo turno. O mesmo texto registra que a campanha do Partido dos Trabalhadores prepara artilharia contra o senador Flávio Bolsonaro por causa dos 61 milhões de reais repassados pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro que nunca foi rodado.
Veículos de esquerda não aparecem entre as fontes que cobriram este capítulo. A leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, tenderia a destacar o contraste institucional: o presidente afirma publicamente que não interferirá na Polícia Federal, enquanto o antecedente citado nas próprias reportagens é a reunião ministerial de 22 de abril de 2020, em que Jair Bolsonaro disse que trocaria ministro para proteger a família, episódio seguido do pedido de demissão de Sérgio Moro. Sem essa cobertura, o enquadramento disponível ao leitor pende para o desgaste do presidente, e não para a comparação de comportamento diante de investigações.
Os relatos convergem em três pontos. As investigações desgastam a imagem do presidente a poucas semanas da eleição de 4 de outubro. O caso do ex-chefe de gabinete é tratado no Planalto como mais grave do que o do filho. E o tema, antes tabu interno, passou a ser discutido abertamente no comando da campanha. A divergência está na dose e no estágio da decisão: a cobertura de centro descreve uma escolha já tomada de mudar o discurso, enquanto a de direita descreve um impasse, com o presidente ainda resistindo por não querer parecer que já condenou o primogênito.
O que ainda não se sabe é o essencial. A Polícia Federal não localizou até agora contrato assinado ou vantagem concedida pelo governo federal aos clientes da lobista, não há denúncia formal apresentada contra Fábio Luís e não há prazo divulgado para a conclusão dos inquéritos. Também não se conhece a versão da defesa nem o teor de um eventual depoimento, que o próprio presidente afirmou que o filho deve prestar. Resta saber se a mudança de tom prevista para a entrevista de quinta-feira será suficiente para conter o efeito eleitoral do caso.
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