A campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT) acionou a Justiça Eleitoral da Bahia para tirar do ar um vídeo que pede voto em Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência e em ACM Neto (União Brasil) para o governo do estado. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia negou a liminar e manteve o material disponível, ao entender que os perfis que divulgaram a peça não têm vínculo oficial com a campanha do candidato do União Brasil.
O vídeo, publicado inicialmente em um perfil do Instagram, combina montagens digitais, fotos e um jingle direto: "Meu presidente é Lula 13, meu governador é Neto 44. O voto é livre, o voto é secreto". Para a coligação do governador, a peça induz o eleitor a acreditar em uma aliança que não existe entre o presidente e um adversário histórico do PT na Bahia. Na decisão, o tribunal classificou o conteúdo como manifestação individual de preferência, sem propaganda institucional nem indício de impulsionamento pago, e registrou que as regras de fidelidade partidária não alcançam o cidadão comum. A decisão é provisória. A corte determinou que a plataforma Meta entregue os dados do responsável pelo perfil, e o autor da página poderá se defender antes do julgamento de mérito, com parecer prévio da Procuradoria Regional Eleitoral.
No mesmo dia, em sabatina em Salvador, ACM Neto negou estimular o chamado voto cruzado. "Não tem nenhum incentivo meu para nada. Eu tenho que respeitar a manifestação livre dos eleitores", afirmou o ex-prefeito de Salvador, que reiterou apoiar Ronaldo Caiado (PSD) na disputa presidencial e admitiu que sua aliança reúne partidos com presidenciáveis distintos. Na mesma entrevista, prometeu concursos públicos para reforçar os quadros técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o Inema, e da Secretaria do Meio Ambiente, além de reorganizar a estrutura estadual de assistência técnica e extensão rural, cuja fragilidade ele atribui à extinção da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola.
Os dois eixos convergem em um ponto que nenhum lado contesta: a força eleitoral de Lula na Bahia, onde o presidente teve 72% dos votos válidos no segundo turno de 2022, é variável decisiva na disputa estadual deste ano.
Veículos de esquerda enfatizaram o caráter de montagem do material e o esforço do candidato para descolar a comunicação do sobrenome da família Magalhães, citando avaliação de cientista político segundo a qual ACM Neto reconhece o peso do lulismo como preditor de votos enquanto monta uma chapa mais inclinada à direita, com a presença do PL. A cobertura de centro concentrou-se na negativa formal do candidato e no conteúdo programático da sabatina, com as promessas para meio ambiente e agricultura, sem tratar da ação judicial. Veículos de direita não publicaram cobertura própria do episódio até o fechamento desta reportagem, de modo que a leitura de que o pedido do PT pressiona os limites da livre manifestação do eleitor aparece apenas na fundamentação da decisão do tribunal, e não em análise editorial desse campo.
Ainda não se sabe quem produziu e publicou o vídeo, se houve gasto com impulsionamento, qual será a data do julgamento definitivo do mérito e se a campanha de ACM Neto pedirá formalmente a retirada da peça.