O instituto Paraná Pesquisas divulgou nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, um levantamento de intenção de voto na Bahia que coloca os ex-governadores Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) na frente da disputa pelas duas cadeiras do estado no Senado Federal. No cenário estimulado, Rui Costa aparece com 43,5% e Jaques Wagner com 32,2%. Logo atrás vêm o ex-ministro João Roma (PL), com 26,6%, e o senador Angelo Coronel, com 25,1%, em faixa que a margem de erro de 2,7 pontos percentuais torna competitiva para a segunda vaga. Como o pleito renova duas cadeiras por estado, cada eleitor escolhe dois nomes e a soma dos percentuais ultrapassa 100%.
A sondagem ouviu 1.400 eleitores em entrevistas presenciais realizadas entre 23 e 25 de agosto, com intervalo de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral sob o número BA-07628/2026. O levantamento foi contratado por uma empresa de comunicação baiana. Os três lados da cobertura reproduzem os mesmos percentuais principais do Senado e a mesma metodologia, e nenhum deles contesta a validade do registro eleitoral do trabalho.
O mesmo instituto mediu a corrida pelo governo estadual, e aí o quadro se inverte. ACM Neto (União Brasil) lidera o cenário espontâneo com 34,4% e os dois cenários estimulados de primeiro turno, marcando 48,6% contra 40,1% de Jerônimo Rodrigues (PT). Na simulação de segundo turno, ACM Neto tem 49,3% e Jerônimo Rodrigues, 41%. Um dos cenários testados considera a candidatura rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, sem alterar de forma relevante a distância entre os dois primeiros.
É nessa divisão que a cobertura se separa. Veículos de esquerda trataram o levantamento como retrato do favoritismo petista, resumiram o resultado pela liderança de Rui Costa e Jaques Wagner e não trouxeram a corrida ao governo estadual, em que o candidato de oposição aparece à frente. Veículos de direita fizeram o percurso contrário: abriram pela vantagem de ACM Neto na eleição majoritária, publicaram todos os cenários testados, informaram o contratante e destacaram que, no cenário espontâneo para o Senado, 68,2% dos eleitores ainda não sabem em quem votar. Essa cobertura também anexou ressalva metodológica sobre a distância entre pesquisas e resultados de urna observada em 2022. A cobertura de centro concentrou-se nos indicadores que os outros dois lados deixaram de fora: rejeição, aprovação do Executivo estadual e recortes demográficos. Segundo esses dados, Jaques Wagner é o nome mais rejeitado do estado, com 34,1%, seguido por Rui Costa, com 23,1%, Angelo Coronel, com 20,9%, e João Roma, com 19,4%. A gestão de Jerônimo Rodrigues é aprovada por 55,2% e desaprovada por 41,5%. Rui Costa alcança 49% entre eleitores de 60 anos ou mais, sua faixa mais forte, e João Roma tem 31,4% entre homens contra 17,7% entre mulheres, a maior assimetria de gênero do levantamento.
Há um ponto ainda não esclarecido pela cobertura. Parte dos textos publicados no mesmo dia atribui ao instituto números diferentes para a mesma disputa: 44,6% para Rui Costa e 35,1% para Jaques Wagner, com João Roma em 24,1% e Angelo Coronel em 21,9%, além de período de campo entre 31 de julho e 2 de agosto e outro número de protocolo no TSE. Também há divergência sobre a legenda atual de Angelo Coronel. Nenhum dos textos explica se são duas ondas distintas do mesmo instituto ou erro de transcrição, e nenhuma das versões traz correção. Igualmente não se sabe qual será o impacto da decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia sobre a candidatura rejeitada, nem como a distância entre a liderança na eleição ao governo e a liderança na eleição ao Senado se comporta quando a propaganda eleitoral entrar no ar.