O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou o início da semana dividido entre a agenda oficial em Brasília e a preparação da campanha à reeleição, enquanto candidatos a governos estaduais já cumpriam roteiros de rua no Nordeste. Na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, o chefe do Executivo recebeu no Palácio do Alvorada o chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Oswaldo Malatesta, reuniu-se no Palácio do Planalto com o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick, participou da reunião do Contrata+Brasil, plataforma pela qual o governo contrata pequenos negócios, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, e encerrou o dia com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Na terça-feira, 25, o único compromisso oficial divulgado foi a solenidade do Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército.
A agenda dos ministros seguiu o mesmo desenho de rotina administrativa. Bruno Moretti participou por videoconferência da sessão do Conselho Monetário Nacional. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou serviço de teleatendimento em saúde mental voltado a mulheres em situação de violência e a mães atípicas, com a presença da primeira-dama Janja Lula da Silva. No dia seguinte, Guilherme Boulos, da Secretaria Geral, e Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, foram à Comissão de Assuntos Sociais para discutir o PL 4.035 de 2023, que institui agosto como mês de combate à desigualdade social e de enfrentamento à pobreza. Márcio Elias Rosa, da Indústria, recebeu representantes de uma trading do agronegócio e da União Nacional das Cooperativas da Reforma Agrária. Esther Dweck, da Gestão e Inovação, participou de feira de tecnologia bancária em São Paulo, Margareth Menezes, da Cultura, abriu um fórum de ensino e pesquisa em Brasília, e Tomé Franca, de Portos e Aeroportos, cumpriu reuniões de cooperação em Pequim.
Há um dado que atravessa toda a cobertura, sem controvérsia entre os lados: dos 38 ministros do governo, a agenda de 34 não foi obtida na segunda-feira e a de 32 permaneceu indisponível na terça. Ou seja, a maior parte do primeiro escalão trabalhou sem registro público de compromissos, e nenhuma das reportagens obteve explicação das pastas para essa ausência.
Nos estados, a segunda semana de campanha oficial já estava na rua. Em Pernambuco, cinco dos oito candidatos ao governo tiveram atos públicos: o ex-prefeito do Recife João Campos fez caminhada porta a porta no bairro de Areias e prometeu construir o maior hospital da história do estado na região metropolitana; a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra gravou conteúdos sobre mobilidade urbana no canteiro de obras do Arco Metropolitano e prometeu entregar o primeiro trecho do eixo sul até o fim de 2027; Ivan Moraes concedeu entrevista e participou de sabatina; Professora Camila fez sabatina em rádio no Sertão e panfletagem no centro do Recife; Renan Hallais também teve agenda registrada. Um candidato está sem compromissos públicos até 29 de agosto por causa de uma cirurgia. No Maranhão, onde há oito candidatos ao governo, quatro campanhas informaram agenda, com reuniões internas, gravação de programa eleitoral, sabatina em rádio e panfletagem em terminal de transporte.
As coberturas divergem menos no fato e mais no ângulo. A cobertura de centro tratou o conjunto como registro institucional, listando horário, local e interlocutor sem avaliar o que cada reunião decide, e foi ela que fixou o número de ministros sem agenda pública. Veículos de esquerda leram o mesmo calendário como peça de estratégia eleitoral: descreveram que o presidente concentrará a campanha a partir de sexta-feira, 28 de agosto, em São Paulo, com foco no Sudeste e no Sul, região onde, segundo esse enquadramento, a direita tem apresentado melhor desempenho, e recorreram a pesquisas para sustentar a leitura de disputa aberta, com empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em São Paulo e no Rio Grande do Sul e vantagem do presidente em Minas Gerais.