O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou na noite de segunda-feira, 24 de agosto de 2026, que o governo federal trabalha com um salário mínimo de R$ 1.741 em 2027. O valor entra no Projeto de Lei Orçamentária Anual, o PLOA, que o Executivo precisa enviar ao Congresso Nacional até 31 de agosto. A projeção representa alta de R$ 120, ou 7,4%, sobre os R$ 1.621 em vigor, e supera em R$ 24 a estimativa de R$ 1.717 apresentada em abril, no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias.
O anúncio veio depois de uma reunião de Durigan e dos demais integrantes da Junta de Execução Orçamentária com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, para fechar os números da peça orçamentária. Toda a cobertura converge nos elementos técnicos. O valor ainda é provisório, porque a regra de valorização soma a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulada até novembro ao crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos antes, respeitado o teto de ganho real de 2,5% previsto no arcabouço fiscal. O Produto Interno Bruto de 2025 cresceu 2,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e a Secretaria de Política Econômica trabalha com inflação de 4,93% até novembro, projeção revisada para cima por causa de possíveis efeitos do El Niño sobre o preço dos alimentos. O número definitivo só será conhecido em dezembro, e o piso novo passa a valer em 1º de janeiro de 2027. Há convergência também sobre a decisão de não desvincular benefícios do piso: aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social, o Benefício de Prestação Continuada, o seguro-desemprego, o abono salarial e a contribuição previdenciária dos microempreendedores individuais acompanham o reajuste.
A divergência está na ênfase. Veículos de esquerda destacaram o ganho acima da inflação e a continuidade da política de valorização, apresentando o reajuste como recomposição do poder de compra de quem vive do piso e como contraste com o período em que os aumentos apenas repunham preços. Um deles registrou ganho real acumulado de 11,9% entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026. Nessa cobertura, o custo fiscal da medida praticamente não aparece. A cobertura de centro ficou no encadeamento factual: o número, a fórmula, a comparação com a projeção de inflação de 5,02% do Boletim Focus e o calendário de tramitação, com passagem pela Comissão Mista de Orçamento e votação até o encerramento da sessão legislativa. Veículos de direita enfatizaram a conta pública: cada R$ 1 a mais no piso gera cerca de R$ 413,2 milhões de despesa adicional, de modo que a revisão de R$ 1.717 para R$ 1.741 pressiona o Orçamento de 2027 em cerca de R$ 9,9 bilhões, com aproximadamente 45% dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social indexados ao mínimo. Parte dessa cobertura também noticiou que técnicos da equipe econômica estudam, para um eventual próximo mandato, diferenciar o reajuste dos trabalhadores da ativa do reajuste de benefícios previdenciários e assistenciais, sem que haja decisão tomada.
O componente eleitoral entrou pela fala do próprio ministro. Durigan comparou a política atual aos reajustes do governo anterior, citou a defesa da desvinculação feita pelo ex-ministro Paulo Guedes e afirmou que o Orçamento deste ano é diferente do que a atual gestão recebeu em 2023. Disse ainda que a proposta prevê superávit e crescimento das despesas obrigatórias em ritmo inferior à expansão geral do Orçamento, e que o texto já incorpora o novo modelo da reforma tributária.
O que ainda não se sabe é o valor final do piso, que depende do Índice Nacional de Preços ao Consumidor de novembro e só será fechado em dezembro. Também segue em aberto o tamanho efetivo do resultado fiscal, já que a meta de superávit de R$ 73,2 bilhões convive com a exclusão de R$ 65,7 bilhões em despesas do cálculo; as alíquotas dos novos tributos sobre consumo e do Imposto Seletivo, que o governo ainda não divulgou; e se a discussão sobre separar a correção dos benefícios da correção do piso avança depois da eleição. Nenhuma das coberturas traz avaliação de fontes externas ao governo sobre o efeito combinado do reajuste na renda e nas contas públicas.