A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), lidera a disputa pelo governo do estado com 47% das intenções de voto, contra 40% do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto de 2026. A diferença de sete pontos supera a margem de erro do levantamento, de três pontos percentuais para mais ou para menos. É a primeira medição do instituto no estado depois do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto.
O instituto ouviu 1.204 eleitores pernambucanos com 16 anos ou mais, entre os dias 18 e 20 de agosto, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PE-01528/2026 e foi contratada por um jornal e por um grupo de televisão. Ivan Moraes (PSOL), Renan Hallais (Missão), Professora Camila (UP) e Guilherme Fonseca (PSTU) marcaram 1% cada, enquanto Professor Jeremias do Banco (Democrata) e Victor Assis (PCO) não pontuaram. Votos brancos, nulos ou em nenhum dos nomes somam 5%, e 4% não souberam responder.
A cobertura de centro relatou os números sem enquadramento adicional e publicou a tabulação integral do levantamento, incluindo o cenário espontâneo, em que a governadora é citada por 39% e o ex-prefeito por 26%, e a comparação com a rodada anterior do mesmo instituto, de 31 de julho, quando os percentuais eram 48% e 42%. Nesse recorte, a oscilação das duas candidaturas fica dentro da margem de erro. A mesma cobertura registrou a rejeição, item em que João Campos aparece à frente, com 32%, seguido por Raquel Lyra, com 29%, e os números da disputa por duas vagas ao Senado, em que Marília Arraes (PDT), Humberto Costa (PT), Mendonça Filho e Eduardo da Fonte (PP) estão tecnicamente empatados na liderança.
Veículos de direita enfatizaram os recortes que projetam desfecho rápido: nos votos válidos, quando brancos e nulos saem da conta, a governadora chega a 52% contra 44%, cenário em que a disputa se encerraria no primeiro turno. Essa cobertura destacou ainda a aprovação de 66% do trabalho da governadora, os 50% que consideram a gestão ótima ou boa e o desempenho de 69% a 22% entre eleitores que se identificam como conservadores. Também deu peso ao aceno da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que repostou vídeo da governadora nas redes sociais, gesto que ganha relevo porque o PL não lançou candidatura própria em Pernambuco.
Veículos de esquerda publicaram os percentuais do cenário estimulado sem os recortes de votos válidos e de avaliação de governo, apresentando o quadro como disputa ainda em aberto, e destacaram que a governadora carrega 29% de rejeição. Nessa leitura, o dado relevante é a disputa institucional em torno das alianças: a direção nacional do Cidadania optou por apoiar João Campos, e o ex-prefeito reforça a aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as referências ao pai, o ex-governador Eduardo Campos, que comandou o estado entre 2007 e 2014. Entre eleitores que se declaram petistas, João Campos tem 52% contra 37% da governadora.
O resultado saiu em meio a um litígio partidário. Em 19 de agosto, a federação PSDB-Cidadania protocolou pedido no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco para deixar imediatamente a coligação da governadora. A convenção estadual dos dois partidos havia aprovado o apoio à reeleição em 31 de julho, mas uma comissão interventora nacional, presidida por Aécio Neves e Alex Manente, aprovou a neutralidade seis dias depois. O PSDB afirmou em nota que mantém o apoio à candidatura. A campanha da governadora respondeu que a intervenção foi feita sem instauração de procedimento, sem notificação prévia e sem oportunidade de defesa, e apresentou manifestação para assegurar a permanência dos partidos na composição.
O que ainda não se sabe é como o relator do caso decidirá sobre o pedido de saída da federação e que efeito prático a eventual mudança teria sobre a chapa e sobre o tempo de propaganda. O levantamento divulgado não simulou segundo turno, o que deixa em aberto o comportamento do eleitorado num eventual desempate. Há ainda divergência entre as coberturas sobre o período de campo, informado ora como 18 a 20, ora como 18 a 21 de agosto, e sobre o tamanho da amostra, e nenhuma delas explica a distância em relação a levantamento de outro instituto, divulgado dias antes, que apontava empate técnico entre os dois principais nomes.