O instituto Paraná Pesquisas divulgou em 19 de agosto de 2026 um levantamento que coloca o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 50% das intenções de voto na disputa pelo governo de São Paulo, contra 33,8% do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). A diferença de 16,2 pontos percentuais indica, no cenário medido, vitória já no primeiro turno. Em simulação de segundo turno entre os dois nomes, os percentuais vão a 53% e 36,9%.
A pesquisa ouviu 1.680 eleitores de forma presencial em 80 municípios paulistas, entre os dias 16 e 18 de agosto, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Foi contratada pelo próprio instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-08913/2026. Na rodada de julho, Tarcísio tinha 48,5% e Haddad, 35,1%: as duas variações cabem dentro da margem de erro, ainda que a distância entre eles tenha passado de 13,4 para 16,2 pontos.
Os números centrais são idênticos nos três blocos de cobertura. Também há convergência sobre o restante do quadro: Vera Lúcia (PSTU) marca 1,5%, Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (UP) somam 0,8% cada, Izadora Dias (PCO) e Policial Edjane (Agir) ficam com 0,4%, e brancos e nulos chegam a 7,5%. Na corrida pelas duas vagas ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB) aparece com 31,1%, Marina Silva (Rede) com 30,1% e Guilherme Derrite (Progressistas) com 28,2%, os três em empate técnico, seguidos de Ricardo Salles (Novo), com 19,7%, e André do Prado (PL), com 16,8%.
A divergência está no que cada lado escolheu destacar. Veículos de direita enfatizaram a leitura do diretor do instituto, Murilo Hidalgo, de que uma virada do candidato petista é improvável e de que apenas um fato imponderável alteraria a trajetória da campanha. Nessa cobertura, a rejeição menor do governador e a condição de quem já ocupa o cargo aparecem como vantagens que se somam à distância nas intenções de voto. A cobertura de centro abriu pelo índice de rejeição, indicador em que Haddad lidera com 44,3% contra 27,4% de Tarcísio, e detalhou a metodologia, a série histórica e o acirramento na disputa pelo Senado, qualificando as oscilações do mês como movimentos dentro da margem de erro. Veículos de esquerda mantiveram o relato estritamente descritivo, com os percentuais de todos os candidatos, a comparação com julho e o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral, sem interpretação sobre o desfecho da eleição.
Um dado citado apenas na cobertura de direita ajuda a explicar o cálculo das duas campanhas: cerca de 15% dos eleitores paulistas afirmam que votariam em Tarcísio para o governo do estado e em Lula para a Presidência. Segundo o instituto, esse grupo cria um dilema simétrico. Uma aproximação maior do governador com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro poderia afastar parte desse eleitorado, assim como uma presença mais intensa do presidente na campanha de Haddad poderia afastar quem apoia Lula no plano nacional, mas prefere o governador no plano estadual. O instituto também descreve cenário próximo de empate técnico na capital e na região metropolitana, com vantagem ampla de Tarcísio no interior paulista, embora nenhuma das coberturas apresente os percentuais desses recortes regionais.
O que ainda não se sabe é se outros institutos vão confirmar a mesma distância, já que o levantamento não tem, até aqui, contraponto de outra pesquisa registrada no mesmo período. Nenhuma das coberturas traz os números por região, a evolução do índice de rejeição em relação a rodadas anteriores ou reação das campanhas de Tarcísio de Freitas e de Fernando Haddad aos resultados. Também não há medição do efeito que a propaganda eleitoral, os debates e a definição dos palanques presidenciais podem ter sobre um eleitorado que ainda estava no primeiro contato com a campanha oficial quando a pesquisa foi a campo.