A disputa pelo governo do Ceará chegou à segunda quinzena de agosto de 2026 tecnicamente empatada. Pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada em 20 de agosto mostra o governador Elmano de Freitas, do PT, e o ex-governador Ciro Gomes, do PSDB, com 44% das intenções de voto cada um no cenário estimulado de primeiro turno. Em uma eventual segunda rodada, Elmano aparece com 46% e Ciro com 45%, diferença menor que a margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto ouviu 1.600 eleitores cearenses entre os dias 15 e 19 de agosto, por telefone e meios digitais, com nível de confiança de 95%, e registrou o levantamento no Tribunal Superior Eleitoral sob o número CE-08223/2026.
Os demais candidatos aparecem em patamar residual. Vera Lúcia, do Novo, e Delegado Huggo, do Missão, marcam 1% cada; brancos e nulos somam 4% e os indecisos, 5%. A rejeição repete o padrão de equilíbrio: 42% dos entrevistados afirmam que não votariam em Ciro Gomes de jeito nenhum, contra 41% que dizem o mesmo de Elmano de Freitas. A avaliação da gestão estadual registra 58% de aprovação e 39% de desaprovação, com 39% classificando o governo como ótimo ou bom, 36% como regular e 24% como ruim ou péssimo. Na corrida pelo Senado, Cid Gomes, do PSB e irmão do candidato tucano, lidera com 27%, seguido por Capitão Wagner, do União Brasil, e Luizianne Lins, da Rede, ambos com 21%, e por Alcides Fernandes, do PL, com 14%.
Todos os lados da cobertura reproduzem os mesmos percentuais e a mesma ficha metodológica, e todos registram o contraste com o levantamento anterior: o Datafolha divulgado em 13 de agosto apontava 52% para Ciro Gomes contra 33% de Elmano de Freitas, vantagem de 19 pontos que sumiu em menos de dez dias.
A divergência está na leitura desse salto. Veículos de esquerda enfatizaram o crescimento do governador e ofereceram uma explicação para a virada: o início oficial da campanha, com distribuição de material nas ruas da capital cearense e trabalho diário de apoiadores. Destacaram ainda que a aprovação de 58% da gestão supera a intenção de voto do próprio governador no primeiro turno, e que na pesquisa espontânea Elmano aparece três pontos à frente do adversário. A cobertura de centro ficou nos números e na ficha técnica, informando que o levantamento custou R$ 24 mil e foi pago com recursos do próprio instituto, e acrescentou o contexto das alianças: Ciro Gomes voltou à disputa estadual com apoio de União Brasil, PP e PL, arranjo que abriu crise interna no partido de Jair e Flávio Bolsonaro, com Michelle Bolsonaro contrária à composição e Flávio respaldando o grupo do deputado André Fernandes; do outro lado, Cid Gomes está no palanque petista e disputa o Senado pela chapa governista, ao lado de Lula e Camilo Santana. Veículos de direita enfatizaram a cautela com institutos de pesquisa, lembrando que levantamentos publicados em 2022 apresentaram discrepâncias relevantes diante do resultado das urnas, e registraram a resposta do ex-governador à associação com o bolsonarismo, ao afirmar que não fará campanha para Flávio Bolsonaro nem dará palanque a ele no estado.
O que ainda não se sabe é por que dois institutos, com campos separados por poucos dias, chegaram a fotografias tão distantes da mesma disputa. Nenhuma das coberturas apresenta comparação metodológica entre os levantamentos, nem dado que sustente a hipótese de que o início da campanha explica sozinho a variação. Também não há medição do efeito eleitoral da aliança entre o ex-governador e partidos da direita, nem do peso do apoio presidencial ao governador. E permanece em aberto o comportamento da fatia que não se decidiu: na pesquisa espontânea, 46% dos entrevistados afirmam não saber em quem votar.