Flávio Bolsonaro estreia campanha em Copacabana enquanto Lula discursa no ABC
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A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente no domingo, 16 de agosto, primeiro dia em que a legislação permite comícios, carreatas e pedido explícito de voto. O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, abriu a disputa em um trio elétrico na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, acompanhado do candidato a vice, Alfredo Gaspar, e da mulher, Fernanda Bolsonaro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, discursou no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo, ao lado de Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e da primeira-dama Rosângela da Silva. Renan Santos, do Missão, Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático, Romeu Zema, do Novo, e Augusto Cury, do Avante, também iniciaram campanha. A propaganda em rádio e televisão começa em 28 de agosto.
O primeiro dia de campanha expôs uma candidatura de oposição construída sobre a herança de um ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado e impedido pela Justiça de participar de atos eleitorais.
A oposição chegou ao primeiro dia de campanha com base mobilizada e agenda definida: segurança pública dura, corte de gastos e redução da carga tributária. Em Copacabana, Flávio Bolsonaro reuniu milhares de apoiadores no mesmo palco dos grandes atos do pai, prometeu tratar Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas, criticou o que chamou de governo gastador e sustentou que a pressão sobre inflação, juros e endividamento vem da despesa pública.
18 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
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Todos os lados registram que a campanha começou em 16 de agosto, que Flávio Bolsonaro escolheu Copacabana e Lula escolheu São Bernardo do Campo, e que os dois lideram com folga a corrida presidencial. Há convergência também sobre o conteúdo dos discursos: segurança pública dura e corte de gastos do lado do senador, segurança coordenada pelo governo federal e políticas sociais do lado do presidente.
A campanha presidencial de 2026 começou no domingo, 16 de agosto, com Flávio Bolsonaro em Copacabana e Lula em São Bernardo do Campo. Os discursos, o tamanho dos públicos e as primeiras pesquisas da semana receberam leituras bastante diferentes conforme o lado que cobriu o evento.
A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente no domingo, 16 de agosto, primeiro dia em que a legislação permite comícios, carreatas e pedidos explícitos de voto. O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, abriu a disputa em cima de um trio elétrico na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, mesmo cenário dos grandes atos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Quase ao mesmo tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, discursava no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo, onde liderou as greves do ABC no fim dos anos 1970. A propaganda no rádio e na televisão só começa em 28 de agosto.
Há convergência em toda a cobertura sobre o conteúdo dos discursos. Flávio Bolsonaro dedicou boa parte da fala de cerca de trinta minutos ao pai, que cumpre prisão domiciliar após condenação do Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado, e disse ser difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé. Prometeu classificar o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e as milícias como organizações terroristas, reduzir a maioridade penal, indicar quatro ministros ao Supremo contrários ao aborto e às drogas, cortar impostos e reduzir gastos. Afirmou ainda ter recebido mais de 1.800 ameaças de morte. Estavam com ele o candidato a vice, Alfredo Gaspar, e a mulher, Fernanda Bolsonaro, que escreveu com batom a frase “O Brasil vai vencer” nas costas da camisa do marido. Lula prometeu criar o Ministério da Segurança Pública caso o Congresso aprove a PEC da Segurança e afirmou que não vai permitir a volta da direita ao poder; ao lado dele estavam Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e a primeira-dama Rosângela da Silva, que cantou o novo jingle com o pastor Kleber Lucas. Renan Santos, do Missão, abriu campanha no Largo São Francisco usando colete à prova de balas e atacou os dois favoritos; Ronaldo Caiado fez carreata no entorno de Brasília, Romeu Zema discursou em Montes Claros e Augusto Cury escolheu Santa Luzia, em Minas Gerais.
As ênfases mudam conforme o lado. Veículos de direita concentraram o relato na mobilização da base, nas homenagens a Jair Bolsonaro, no aceno ao eleitorado feminino e nas bandeiras dos Estados Unidos levadas por apoiadores, tratadas como sinal de aproximação com o governo de Donald Trump. Parte dessa cobertura destacou também a estimativa de 7.800 a 9.900 pessoas no ato de Copacabana, feita com fotos aéreas por pesquisadores, e registrou que a campanha do presidente não autorizou o sobrevoo de drones que permitiria a mesma contagem em São Bernardo do Campo, onde o partido falou em mais de 40 mil presentes. Veículos de esquerda deram relevo às pesquisas favoráveis ao presidente, como o levantamento estadual que mostrou Lula com 45,7% no Amazonas contra 36,3% do senador. A cobertura de centro ficou no registro dos discursos e do contexto institucional: a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, a proibição imposta pelo ministro Alexandre de Moraes a atos político-eleitorais do ex-presidente, o atrito comercial com os Estados Unidos e a rejeição medida por instituto de pesquisa, de 50% para Flávio Bolsonaro e 48% para Lula, dentro da margem de erro.
Ainda não se sabe qual foi o público real do ato em São Bernardo do Campo, já que não houve contagem independente. Também não está claro se Flávio Bolsonaro conseguirá concentrar o voto de direita hoje dividido com Ronaldo Caiado e Romeu Zema, preocupação atribuída por parte da cobertura a integrantes da própria campanha, nem quais são os números das pesquisas internas que o senador citou sem apresentar instituto ou metodologia. A reaproximação entre o candidato e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que lançou candidatura ao Senado pelo Distrito Federal no mesmo domingo, também não teve seu alcance esclarecido.
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Candidato à Presidência escolheu sua cidade natal e o reduto da família para começar a corrida pelo Planalto. Leia no Poder360.

Nesta matéria: viés de centro.