Os Estados Unidos oficializaram, na noite de 15 de julho, uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, decisão que passa a valer em 22 de julho e que reacendeu a disputa entre os principais pré-candidatos à Presidência da República em 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, trocam acusações públicas sobre quem é o responsável pelo episódio, apelidado nas redes de tarifaço. A medida encerrou uma investigação da Seção 301 da lei de comércio dos Estados Unidos, aberta no ano passado sob a justificativa de que o Brasil promovia perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, e atinge produtos como etanol, calçados, vestuário e máquinas agrícolas, poupando itens como carne bovina, café, aeronaves civis e semicondutores.
Antes da confirmação oficial, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, promoveu audiências públicas em 6 e 7 de julho. Flávio Bolsonaro participou do segundo dia e pediu a suspensão da tarifa por 180 dias, prorrogáveis por mais 90, além da abertura de um canal formal de negociação; o pedido não foi atendido, e o governo brasileiro não enviou representantes para discursar na sessão. Uma pesquisa Genial/Quaest, feita entre 10 e 13 de julho com 2.004 entrevistados e divulgada em 16 de julho, mostrou queda na intenção de voto associada a Flávio, de 30% para 27%, e alta na de Lula, de 39% para 42%, entre os eleitores que relacionam o tema ao próprio voto.
Veículos de esquerda, como a Revista Fórum, destacaram que o desgaste batizado de tariflávio atinge Flávio mesmo dentro da própria base bolsonarista, caindo de 88% para 81% de apoio nesse grupo, e que 51% dos entrevistados atribuem a ele, e não a Lula, a responsabilidade pelo tarifaço. A cobertura de centro, como a da Folha de S.Paulo e do Poder360, relatou o embate ponto a ponto: o PT passou a usar o termo tariflávio e deputados petistas chamaram o senador de traidor da pátria, enquanto Flávio respondeu, durante uma live de lançamento de um programa social, que sua equipe tentou de todas as formas evitar a tarifação e que Lula cavou pênalti ao conduzir mal as negociações. Já a leitura mais próxima da direita, presente nas falas do próprio Flávio e do pré-candidato Renan Santos, do partido Missão, atribuiu o problema à incompetência negocial do governo: Renan classificou como ridícula a ida de Flávio ao USTR e disse que teria negociado oferecendo o interesse americano em terras raras brasileiras, enquanto Flávio citou também atritos comerciais com a China e a União Europeia como resultado da condução de Lula. O pré-candidato Ronaldo Caiado, do PSD, ofereceu uma leitura intermediária, atribuindo o custo do episódio à polarização entre Lula e Flávio e afirmando que a polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país.
Ainda não se sabe se haverá reabertura de um canal de negociação entre Brasília e Washington antes de a tarifa entrar em vigor, em 22 de julho, nem qual será o efeito eleitoral real da medida, já que a pesquisa citada foi realizada antes da confirmação oficial pelo governo americano.