O prazo para o registro das candidaturas às eleições de 2026 termina às 19h do sábado, 15 de agosto, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e no domingo, 16, começa oficialmente a campanha. A partir dessa data, candidatos e partidos ficam autorizados a pedir votos de forma explícita, realizar comícios, caminhadas, passeatas e carreatas e impulsionar propaganda paga na internet, dentro das regras da Justiça Eleitoral. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, por sua vez, só entra no ar em 28 de agosto.
Os principais nomes da corrida presidencial escolheram como primeira parada os lugares onde suas trajetórias começaram. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, abre a campanha às 9h no Estádio Municipal 1º de Maio, o Primeirão, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, palco das assembleias dos metalúrgicos do ABC no fim dos anos 1970; o ato foi batizado de “Lula: onde tudo começou”. Flávio Bolsonaro (PL) reúne apoiadores na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, estado onde construiu a carreira política desde 2012. Ronaldo Caiado (PSD) faz uma carreata pelo Entorno do Distrito Federal, passando por Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Luziânia. Romeu Zema (Novo) começa em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, com visita ao Mercado Municipal. Renan Santos (Missão), fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), escolheu o Largo São Francisco, no centro de São Paulo, onde fica a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Toda a cobertura converge nesses pontos: a data de largada, o calendário definido pela Justiça Eleitoral e a lista de palcos escolhidos. Há acordo também de que a escolha dos locais é simbólica e busca associar cada candidatura a uma biografia política já conhecida do eleitor.
As ênfases mudam conforme o lado. A cobertura de centro puxou o contexto histórico e institucional: lembrou que as greves de 1979 na Vila Euclides projetaram Luiz Inácio Lula da Silva como quadro nacional e culminaram em sua prisão durante a ditadura militar, registrou que a avenida Atlântica sediou o ato de 7 de setembro de 2022 em que Jair Bolsonaro discursou com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e observou que Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, historicamente espelha o resultado nacional. Outra parte da cobertura de centro concentrou-se na engenharia partidária e nas regras: a chapa Lula-Alckmin apoiada por sete partidos, os vices Alfredo Gaspar, Gilberto Kassab, Eduardo Girão e Aroldo Medina, e o detalhamento do que a propaganda eleitoral permite a partir de domingo, incluindo horários para uso de som e limite de dez anúncios por veículo na imprensa escrita. Veículos de direita deram mais espaço ao mapa completo das largadas, incluindo candidaturas menores como a de Augusto Cury (Avante), em Santa Luzia, e a de Samara Martins (UP), na Zona Leste de São Paulo, e à reação estudantil: a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Centro Acadêmico XI de Agosto convocaram manifestação contra o ato de Renan Santos, afirmando que o Largo São Francisco não deve servir à promoção de discursos e projetos de extrema direita. Veículos de esquerda não produziram cobertura própria deste roteiro no conjunto analisado, de modo que a leitura do simbolismo do ato de São Bernardo do Campo aparece aqui pelo enquadramento das demais fontes.
Ainda não se sabe onde farão os primeiros atos os demais candidatos, que não haviam divulgado agenda até a publicação das reportagens. Também não há confirmação sobre a realização e o tamanho da manifestação estudantil anunciada para quinta-feira, 13, nem estimativa de público para os comícios de domingo. As fontes divergem, ainda, ao descrever a situação do mandato de Flávio Bolsonaro, tratado ora como senador, ora como ex-senador.