Rio: delegacias terão sala especial para mulheres vítimas de violência
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A criação das Salas Lilás é lida como reconhecimento estatal de que a mulher que denuncia hoje é submetida a um segundo trauma dentro da própria delegacia. O acolhimento humanizado deixa de depender da boa vontade de cada equipe e passa a ser diretriz institucional, ancorada em compromisso internacional de direitos humanos assumido pelo Brasil.
Veículos deste lado: Agência Brasil
A Polícia Civil do Rio de Janeiro instituiu em 4 de agosto de 2026 o Programa Salas Lilás, que cria diretrizes para espaços especializados de atendimento a mulheres e meninas vítimas de violência de gênero em delegacias e em unidades do Instituto Médico Legal. Cada sala terá três ambientes interligados e a implantação seguirá indicadores regionais de violência.
Veículos deste lado: IstoÉ
A leitura pela direita trata as Salas Lilás como decisão de gestão dentro da estrutura policial: melhorar o ambiente de coleta de depoimento e de perícia tende a produzir prova mais consistente e, com isso, condenação mais provável do agressor. O ponto de atenção é execução, custo e resultado mensurável, não a intenção declarada.
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Todos os lados aceitam os mesmos fatos: o programa foi criado por ato da Polícia Civil fluminense em 4 de agosto de 2026, prevê três ambientes interligados (espera, atendimento e exames), vale para delegacias e unidades do IML e prioriza regiões por indicadores de violência doméstica, estupro, medidas protetivas e feminicídio. Há convergência também sobre o diagnóstico de fundo: o atendimento atual expõe a vítima e desestimula a denúncia.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro instituiu, na terça-feira, 4 de agosto de 2026, o Programa Salas Lilás, que estabelece diretrizes para a criação de espaços especializados no atendimento a mulheres e meninas vítimas de violência de gênero. Os ambientes funcionarão em delegacias de polícia e também em unidades do Instituto Médico Legal, o IML, órgão responsável pelos exames periciais em vítimas de crimes.
Toda a cobertura converge sobre a estrutura prevista. Cada Sala Lilás terá três ambientes interligados. O primeiro é uma sala de espera, com material informativo e um espaço lúdico destinado a crianças que acompanham a vítima. O segundo é a sala de atendimento, onde ocorrem o acolhimento, o registro da ocorrência e o pedido de medidas protetivas de urgência. O terceiro é a sala de exames, de uso exclusivo dos serviços médico-legais. A implantação não será uniforme: seguirá critérios técnicos baseados em indicadores regionais, entre eles o volume de ocorrências de violência doméstica, os registros de estupro, as medidas protetivas solicitadas e os casos de feminicídio. O ato menciona expressamente a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como Convenção de Belém do Pará, e aponta como objetivo declarado a redução da revitimização, isto é, o novo sofrimento imposto à vítima pelo próprio processo de denúncia.
As ênfases divergem. Veículos de esquerda trataram a medida como avanço na rede estatal de proteção, ligando as Salas Lilás a outras frentes recentes, como a legislação estadual contra abusos no transporte coletivo e o debate legislativo em torno da criminalização da misoginia, e destacaram números de feminicídio para sustentar a urgência do problema. A cobertura de centro manteve o registro administrativo do ato, descrevendo diretrizes, critérios de priorização e base normativa sem atribuir mérito político à decisão e sem afirmar resultado que ainda não existe. Veículos de direita não trataram diretamente do programa, mas abordaram o mesmo problema por outro ângulo, o da autonomia financeira da vítima: noticiaram um evento de programação voltado exclusivamente a mulheres que premiou uma carteira digital disfarçada de calculadora, criada para que mulheres em situação de violência guardem uma reserva sem deixar rastro. É um enquadramento que desloca o eixo da estrutura pública para a solução individual e privada diante da violência patrimonial.
O que ainda não se sabe é a parte mais concreta. Nenhuma das reportagens informa quantas Salas Lilás serão criadas, em quais delegacias e unidades do IML elas entrarão primeiro, qual o prazo de implantação e quanto o programa vai custar. Também não há informação sobre equipe: se as salas terão profissionais com formação específica em acolhimento, se haverá psicólogas ou assistentes sociais de plantão, e como o atendimento funcionará fora do horário comercial. Não há, até aqui, indicador público de acompanhamento que permita medir se o programa reduz a desistência de denúncias ou melhora a conclusão de inquéritos nas regiões atendidas.
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Programa foi criado pela Polícia Civil. As chamadas Salas Lilás também vão funcionar em unidades do IML.
A Polícia Civil do Rio institui o Programa Salas Lilás, oferecendo atendimento humanizado a mulheres e meninas vítimas de violência de gênero em delegacias e IMLs.
