A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, a segunda fase da Operação Anáfara e cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-deputado federal Washington Reis, do MDB, e pessoas ligadas a ele. A investigação também alcança sua irmã, Jane Reis, também do MDB, pré-candidata a vice-governadora do Rio de Janeiro na chapa liderada por Eduardo Paes, do PSD, embora ela não tenha sido alvo de buscas nesta etapa.
Ao todo, foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão. Dez partiram da 6ª Vara Federal Criminal e outros quatro foram autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o TRF-2, em razão do período em que Washington Reis ocupou o cargo de secretário estadual. A polícia esteve em endereços no Rio de Janeiro, em Niterói e em Duque de Caxias. O inquérito apura os crimes de organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, foram identificadas movimentações patrimoniais incompatíveis com a renda declarada dos investigados, uso de terceiros para manter bens e participação em negociações envolvendo imóveis.
A operação é um desdobramento da Anáfara, iniciada em setembro de 2022, quando Washington Reis era candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro, do PL, vaga da qual abriu mão depois por impedimentos legais. As investigações se concentram em dois núcleos. Um deles envolve a Laticínio Vale Carioca, apontada pela PF como empresa usada para lavagem de dinheiro, onde os agentes apreenderam 450 mil reais em dinheiro vivo. O outro mira pessoas ligadas ao empresário Mario Peixoto e analisa a atuação da WR Participações, empresa da família Reis que administra centenas de imóveis no estado.
A cobertura de centro relatou os fatos com paridade de fontes, detalhando os mandados, os valores e ouvindo os citados. Washington Reis afirmou já ter apresentado documentos à PF e negou irregularidade, dizendo que a WR Participações existe há mais de 18 anos e que nunca fez transações em dinheiro vivo. A Laticínio Vale Carioca sustentou que o valor apreendido corresponde a investimentos operacionais compatíveis com seu faturamento e que tem um único sócio. O advogado de Mario Peixoto classificou a ação como inexplicável do ponto de vista jurídico, argumentando que fatos de 2020 não poderiam embasar medidas cautelares em 2026.
Veículos de esquerda tendem a enfatizar a dimensão de captura do poder público: a família Reis, aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro, controla Duque de Caxias, segundo maior colégio eleitoral do estado, e o patrimônio investigado seria incompatível com a renda declarada. Nesse enquadramento, ganha peso o histórico levantado sobre a WR Participações, que em 2013 comprou um terreno por 120 mil reais e o revendeu sete meses depois por 1,3 milhão, um lucro de 983%, com sinais de alerta do Coaf. Já veículos de direita destacam a presunção de inocência e o direito de defesa dos investigados, além de questionarem o timing da operação, deflagrada em meio à montagem das chapas para a eleição estadual de 2026.
O que ainda não se sabe é como a investigação afetará concretamente a candidatura de Eduardo Paes, que até o momento não se manifestou sobre a nova fase, nem se Jane Reis permanecerá na chapa. Também segue em aberto o desfecho jurídico dos dois núcleos e se as apreensões desta fase resultarão em denúncia formal.