A Polícia Federal deflagrou na terça-feira, 30 de junho de 2026, a segunda fase da Operação Anáfara, cumprindo 14 mandados de busca e apreensão contra o ex-deputado federal Washington Reis, do MDB, e mirando também sua irmã, a advogada Jane Reis, pré-candidata a vice-governadora do Rio de Janeiro na chapa encabeçada por Eduardo Paes, do PSD. Dos mandados, dez partiram da 6ª Vara Federal Criminal e quatro foram autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em razão do período em que Washington Reis foi secretário estadual. O inquérito apura os crimes de organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.
A operação chega em um momento sensível: a montagem das chapas para a eleição estadual de 2026. Jane Reis foi indicada para compor a candidatura de Paes porque o irmão, presidente do MDB fluminense, está inelegível após uma condenação por crime ambiental no Supremo Tribunal Federal. A família Reis controla a política de Duque de Caxias, o segundo maior colégio eleitoral do estado, e é vista como um ativo estratégico para a campanha na Baixada Fluminense.
Segundo a Polícia Federal, os investigados manteriam bens em nome de terceiros, fariam despesas incompatíveis com a renda declarada e participariam de negociações vinculadas a imóveis. As apurações se concentram em dois núcleos: um em torno do Laticínio Vale Carioca, onde foram apreendidos 450 mil reais em dinheiro vivo sob um sofá, e outro ligado ao empresário Mario Peixoto. O foco recai sobre a WR Participações, empresa da família que administra centenas de imóveis e da qual Jane Reis é sócia-administradora, com 2% das cotas, enquanto o irmão detém 98%.
A cobertura de centro, conduzida pela Folha de S.Paulo, foi a que mais aprofundou o caso. Detalhou a apreensão do dinheiro, publicou na íntegra as notas de defesa e revelou que a condenação de Washington Reis por corrupção, em primeira instância, envolve o pagamento de 150 mil reais a um tabelião para elaborar escrituras fraudulentas, com uso de procuração assinada por uma pessoa que já havia morrido. Segundo o Ministério Público, o esquema teria tomado terras de pessoas humildes com o suporte político e intimidatório do ex-deputado. A cobertura de centro também resgatou uma transação imobiliária de 2013 em que um terreno comprado por 120 mil reais foi revendido sete meses depois por 1,3 milhão, um lucro de 983% considerado suspeito de lavagem pelos critérios do Coaf.
Veículos de direita, como o InfoMoney, deram ênfase ao fato factual da operação e aos seus reflexos eleitorais, destacando a articulação das chapas e a influência da família Reis na Baixada Fluminense, sem editorializar sobre a inelegibilidade. Nesse enquadramento, sobressai a cobrança de accountability sobre quem se apresenta ao eleitor. Não houve, no cluster, cobertura de veículos de esquerda sobre o caso.
Os investigados negam as acusações. Washington Reis afirmou já ter apresentado documentos à PF e classificou sua condenação como totalmente descabida, dizendo que nunca fez transações em dinheiro vivo e que o negócio investigado é irrelevante. O Laticínio Vale Carioca sustenta que o dinheiro apreendido é fruto de suas atividades operacionais e que tem um único proprietário, sem vínculo com o ex-deputado. O advogado de Mario Peixoto disse que a operação é juridicamente inexplicável, por atingir em 2026 fatos ocorridos em 2020.
O que ainda não se sabe é o desfecho das investigações e se Jane Reis será formalmente acusada, já que até agora ela é apenas investigada e não respondeu aos questionamentos sobre sua atuação na empresa. Também permanece em aberto se a operação afetará a aliança eleitoral: até o fechamento das reportagens, Eduardo Paes não havia se manifestado sobre a nova fase da investigação.